Controlada pelo megainvestidor George Soros, a companhia já havia informado que suas três usinas deveriam operar perto do limite da capacidade instalada na safra 2015/16
A perspectiva positiva que se apresentou para a Adecoagro no primeiro trimestre do ano se confirma, porém, de forma pouco expressiva com os resultados do segundo trimestre, que corresponde ao início da safra de cana.
A companhia, controlada pelo megainvestidor George Soros, já havia informado que suas três usinas deveriam operar perto do limite da capacidade instalada na safra 2015/2016. Os resultados, divulgados no último dia 13, reforçaram essa expectativa.
A perspectiva positiva que se apresentou para a Adecoagro no primeiro trimestre do ano se confirma, porém, de forma pouco expressiva com os resultados do segundo trimestre, que corresponde ao início da safra de cana.
A companhia, controlada pelo megainvestidor George Soros, já havia informado que suas três usinas deveriam operar perto do limite da capacidade instalada na safra 2015/16. Os resultados, divulgados no último dia 13, reforçaram essa expectativa.
No relatório, a empresa destaca que os negócios de açúcar, etanol e energia registraram fortes resultados operacionais e financeiros.
No entanto, o lucro líquido obtido, incluindo usinas e outros segmentos, foi de apenas US$ 1,3 milhão no trimestre, valor que repete o resultado no mesmo período de 2014 e fica bem abaixo dos US$ 13,8 milhões apurados nos primeiros três meses de 2015.
Em vendas líquidas, a companhia registrou US$ 164,6 milhões no período, crescimento de 16,7%, sendo que mais da metade da receita veio do setor sucroenergético.
Apesar dos preços mais baixos de açúcar e etanol, as vendas líquidas dos produtos somaram US$ 86,1 milhões, 11,7% acima dos US$ 77 milhões alcançados no segundo trimestre do ano passado.
O Ebitda ajustado das usinas de cana também cresceu no período, alcançando US$ 41,1 milhões, 15,3% sobre o mesmo período do ano passado. A margem Ebitda ajustada acompanhou esse movimento, indo de 46,2% para 47,7%.
O impulso para o desempenho financeiro veio a partir do aumento da produção industrial, apoiada pela recuperação de indicadores agrícolas, com crescimento de 25,9% na produtividade da cana e incremento de 6,5% no teor de ATR (que resultou numa elevação de 34,1% em ATR por hectare).

Produção em ATR equivalente cresceu 44%
Instaladas na região Centro-Sul do país, as usinas da companhia processaram 2,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar durante o período, sendo 2,63 milhões de toneladas de cana própria e 286,3 mil toneladas de cana de terceiros.
O volume total superou em 35,9% o esmagado no segundo trimestre de 2014, que foi de 2,14 milhões de toneladas. A produção de açúcar e etanol no mesmo período registrou acréscimo de 56% e 34%, respectivamente.
Com o resultado do crescimento de moagem de cana, somado ao aumento de 6,5% em ATR por tonelada, a produção mensurada em toneladas de ATR equivalente cresceu 44% no segundo trimestre do ano.
Segundo o documento, as unidades trabalharam próximas de sua capacidade total. O crescimento foi impulsionado principalmente por um aumento de 22% na moagem diária, como resultado da expansão da capacidade de moagem nominal, "juntamente com o aprimoramento de eficiências agrícolas e institucionais".

A empresa comemorou ainda a diluição de custos fixos e o aumento das margens operacionais, que atribuiu a melhorias operacionais e de eficiência relacionados à formação e ao fortalecimento dos processos e das equipes.
A produtividade da cana-de-açúcar alcançou 100 toneladas por hectare, enquanto o volume de açúcar ATR registrou 128,7 kg/ton. Na avaliação de ATR por hectare, houve crescimento de 34,1%.
Como resultado do aumento da produtividade, os volumes de produção e de vendas também se elevaram, enquanto os custos de produção se diluíram.
Em 30 de junho passado, a área plantada de cana-de-açúcar da companhia chegou a 127,7 mil hectares, crescimento de 15% sobre o ano anterior.
Renovação menor
A empresa informa que a expansão e o replantio da cana-de-açúcar continuam como uma estratégia-chave para se manterem a plena capacidade, ao mesmo tempo em que aumenta a produtividade e a qualidade das plantações.
No segundo trimestre deste ano, a empresa plantou 2,2 mil hectares, área 77% abaixo do registrado no mesmo período de 2014. Foram 1,39 mil hectares de renovação e outros 822 hectares de ampliação.
No acumulado semestre foram plantados quase 6,2 mil hectares, 68,3% aquém se comparado ao mesmo período do ano anterior.
Quando divulgou o balanço do primeiro trimestre do ano, a Adecoagro já havia informado que a redução no ritmo de expansão está relacionada à obtenção de maiores rendimentos agrícolas, teve reduzida a necessidade de expansão da área.
Ampliações
A empresa concluiu a segunda fase da usina de Ivinhema (MS) durante o segundo trimestre deste ano. O cluster chegou à sua capacidade nominal de 9 milhões de toneladas de produção.
O documento afirma que a conclusão do cluster no segundo trimestre vai resultar em uma redução significativa dos gastos em capex. As despesas consolidadas de capital em 2015 devem ficar entre US$ 140 milhões e US$ 160 milhões, mesmo assim abaixo dos US$ 324 milhões alcançados em 2014.
Em relação a 2016, a Adecoagro informa que não há nenhum grande montante de capex comprometido, que será principalmente de investimentos em manutenção relacionadas à produção de açúcar, etanol e energia.
Dívida
O endividamento da área de açúcar, etanol e energia, considerando empréstimos e financiamentos, chegou a US$ 676,2 milhões no segundo trimestre deste ano, sendo US$ 149,3 milhões no curto prazo e US$ 526,9 milhões no longo prazo. O total ficou apenas 1% acima do registrado nos primeiros três meses deste ano.
Filipe Albuquerque – NovaCana
