A Adecoagro, companhia agrícola controlada pelo megainvestidor George Soros, começou 2015 com uma perspectiva bastante otimista para suas três usinas de cana-de-açúcar
A Adecoagro, companhia agrícola controlada pelo megainvestidor George Soros, começou 2015 com uma perspectiva bastante otimista para suas três usinas de cana-de-açúcar, que devem operar perto do limite da capacidade instalada em 2015/16.
Veja a seguir:
- A estratégia de duração da safra
- A renovação dos canaviais
- Os resultados agrícolas
- As vendas, dívidas e resultado financeiro da empresa
A Adecoagro, companhia agrícola controlada pelo megainvestidor George Soros, começou 2015 com uma perspectiva bastante otimista para suas três usinas de cana-de-açúcar, que devem operar perto do limite da capacidade instalada em 2015/16.
No primeiro trimestre do ano, que reflete a entressafra de cana-de-açúcar no centro-sul do Brasil, onde estão localizadas as usinas do grupo, a companhia obteve um lucro líquido de US$ 13,8 milhões no período, mesmo com o forte impacto da variação cambial – que teve um efeito negativo de US$ 13,2 milhões, devido à desvalorização de 20,8% do real no trimestre. A principal contribuição veio da divisão sucroenergética.
O lucro foi reforçado por um ganho não realizado em mudanças no valor justo do canavial, de US$ 12,3 milhões, impulsionado pelo crescimento natural experimentado pelo ativo biológico durante o período, em comparação com um prejuízo de US$ 3,4 milhões registrado um ano antes.
No período, o lucro bruto da atividade canavieira, cresceu apenas 1,7%, para US$ 18,8 milhões, mas o resultado operacional, medido pelo Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, considerada a variação do valor justo dos ativos biológicos), atingiu US$ 19,7 milhões no segmento. O valor é 370,3%, ou US$ 14,1 milhões, acima do registrado no mesmo período do ano passado. A margem Ebitda ajustada saltou de 7,9% para 35,5%.
O relatório explica que o desempenho financeiro das usinas foi reforçado pela estratégia de carregar os estoques de etanol, o que permitiu à companhia aumentar o volume de vendas na entressafra em 37%, na comparação em base anual, e capturar preços mais elevados que durante a safra.
O Ebitda ajustado reflete, além das vendas de açúcar e etanol estocados, uma parte do etanol produzido em março (devido ao início precoce da safra no cluster do grupo, adiantada em duas semanas graças à cana bisada da safra anterior http://www.novacana.com/n/industria/financeiro/moagem-ampliada-adecoagro-comeca-cedo-safra-de-cana-200315/ ).
A divisão canavieira da Adecoagro registrou uma receita de R$ 50,5 milhões no primeiro trimestre de 2015, crescimento de 4,3%. Os valores das vendas de açúcar e etanol apresentaram alta de, respectivamente, 6,8% e 8,1%, enquanto a receita com energia caiu 45,6%, apesar do volume vendido ter sido 12,6% maior.
Entre os avanços registrados no período houve um aumento de 61,7% em ATR por hectare, conforme a companhia, impulsionado por melhorias na gestão agrícola. O conteúdo de açúcar recuperável por tonelada evoluiu de 103 para 117,9 kg/ton.
Outra vantagem apontada foi o início acelerado da temporada de moagem que permitiu esmagar 460,1 mil toneladas de cana, dez vezes mais do que no primeiro trimestre de 2014, quando 45,2 mil toneladas foram processadas. Em termos de produção, houve um crescimento de 14 vezes, resultando em melhores vendas líquidas e margens.
Também foi contabilizado um ganho de US$ 12,3 milhões (US$ 9,7 milhão não realizados), derivado das posições de hedge de açúcar, em contraste com um prejuízo de US$ 1,4 milhões registrada um ano antes.
Atualmente a companhia possui 90% de sua produção de açúcar para a safra 2015/16 hedgeada com um preço médio de aproximadamente 15,7 centavos de dólar por libra-peso.
Apesar de um aumento de 12,6% nas exportações de energia do período, os resultados do trimestre foram parcialmente compensados em comparação ao ano anterior pelos preços spot (PLD) mais baixos devido ao novo limite de R$ 388,48/MWh estabelecido pelo governo.
Estratégia: “esticar” a safra
Apesar do início de safra ter sido antecipado, os planos são de uma safra mais longa. O objetivo é diluir os custos fixos mantendo a moagem por mais tempo.
“Em uma indústria com alta mecanização e estrutura de custo fixo elevado, entender a temporada de moagem nos permitirá aumentar a moagem de cana e a produção, diluir custos fixos e melhorar as margens operacionais”, justifica a companhia.
Para a safra atual a Adecoagro esperar operar “muito perto” da capacidade nominal de 9 milhões de toneladas do cluster sul-mato-grossense. Na Usina Monte Alegre (UMA), em Minas Gerais, a companhia tem capacidade para moer mais 1,2 milhão de tonelada.
A companhia ainda projeta reduzir o investimento necessário às operações. A meta estima uma queda de, pelo menos, 50% no capex, que de passaria dos US$ 324 milhões aplicados em 2014, para US$ 150 a US$ 170 milhões, em 2015. A estimativa já foi realizada parcialmente no primeiro trimestre, que registrou uma queda de 54,4% no capex, na comparação em base anual, de US$ 137,8 milhões para US$ 62,8 milhões.
Na comparação com a safra 2014/15, a usina Angélica teve a moagem foi antecipada em 15 dias (a partir de 1 de março) e a unidade Ivinhema começou (em 16 de março) 40 dias mais cedo do que na última temporada.
Canavial 20,9% maior
Em 31 de março, o canavial da Adecoagro totalizava 126,8 mil hectares, um crescimento na área plantada de 20,9% na comparação ano a ano. O forte crescimento foi motivado pela construção da segunda fase da usina Ivinhema
Já durante a entressafra o plantio e renovação dos canaviais foi de 3,975 mil hectares, sendo 1,51 mil hectares de expansão de plantio junto ao cluster em Mato Grosso do Sul e 2,454 mil hectares de renovação. Em relação a entressafra anterior a renovação foi 58,5% menor.
A desaceleração do plantio seria explicada pela estabilização da lavoura necessária ao abastecimento das unidades industriais.
Dívida
A dívida bruta da Adecoagro no setor de açúcar e etanol é de US$ 669,7 milhões, 3,5% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Deste valor, US$ 124,3 milhões tem vencimento no curto prazo.
Amanda SchArr – NovaCana



