Os preços do açúcar devem continuar flutuando na faixa entre 22 centavos e 25 centavos de dólar por libra-peso ao longo deste ano, dado o aperto no fluxo global de comércio da commodity, indicou o estrategista sênior de commodities do Citi Research, Aakash Doshi, em conversa com analistas do banco na terça-feira, 23.
Ele acredita que as cotações do adoçante estão atualmente em seu “valor justo” e podem subir mais 10% nos próximos seis meses. Acima disso, porém, ele não vê possibilidade. “Não vamos testar os 30 centavos [de dólar a libra-peso], não vamos subir mais”, disse. Já o piso dos contratos futuros é estimado em 20 centavos de dólar a libra-peso, disse.
Já para 2025, a expectativa do analista é de um aumento na pressão baixista, levando a faixa de preços a ficar entre 19 centavos e 21 centavos de dólar a libra-peso.
Doshi ressaltou que o mercado vem de déficits de oferta cumulativos nos últimos anos e que a produção dos países da Ásia está com forte redução, apesar do recorde de fabricação do Brasil.
A expectativa do Citi Research é de que o Brasil produza um novo recorde na próxima safra, de 42,3 milhões de toneladas. Com isso, o país deve ter nova pressão fortemente exportadora.
“O Brasil provavelmente vai exportar 4 milhões de toneladas por mês. Pode ter risco de atrasos logísticos e problemas no mercado físico”, disse o estrategista, que acredita que dificuldades nesse front podem trazer algum suporte para os preços.
No entanto, a Índia deve seguir sem ofertar açúcar para o mercado internacional, já que o país mudou sua política para reduzir a produção de etanol e favorecer a de açúcar, além de ter impedido as exportações para controlar a inflação, em meio a um ano eleitoral.
Para o próximo ano, passadas as eleições, Doshi acredita que o governo indiano volte a liberar as exportações, mas ele não aposta em um retorno aos volumes registrados dois anos atrás, que chegaram a 8 milhões de toneladas embarcadas. “Deve voltar para 3 [milhões] a 4 milhões de toneladas”, disse.
Camila Souza Ramos