Os preços mundiais do açúcar subiram nesta segunda-feira, 2, devido aos temores de que a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que está perturbando o abastecimento global de energia, leve as usinas brasileiras a produzirem mais etanol e menos açúcar, além de afetar o fluxo de açúcar refinado.
A maior parte do etanol no Brasil é produzido a partir da cana-de-açúcar. Se as usinas do maior produtor e exportador de açúcar usarem mais cana para produzir o biocombustível, já que os preços podem subir acompanhando o petróleo, elas terão menos matéria-prima para produzir açúcar, um alimento básico e fonte barata de calorias para os países em desenvolvimento.
Os futuros do açúcar bruto com vencimento em maio subiram até 3% durante o pregão na bolsa ICE nesta segunda-feira, fechando posteriormente com alta de 0,1%, a 13,91 centavos de dólar por libra-peso.

Já os futuros mais próximos do açúcar branco fecharam em alta de US$ 5,90, ou 1,4%, a US$ 413,60 por tonelada, após terem subido mais de 3% anteriormente.
Os preços mundiais do petróleo e do gás natural estão subindo, já que o conflito no Irã força o fechamento de instalações de petróleo e gás em todo o Oriente Médio e interrompe o transporte marítimo no crucial Estreito de Ormuz.
O mercado de açúcar teme que a Petrobras, empresa estatal brasileira de petróleo, venha a aumentar os preços internos da gasolina como consequência, disse um consultor veterano da indústria açucareira.
Ele acrescentou que também há receios de que o conflito possa limitar a capacidade das refinarias de açúcar no Golfo de importar açúcar bruto para processamento e, em seguida, reexportar o produto refinado para outros países da região.
Dubai é sede da maior refinaria de açúcar do mundo, a Al Khaleej, que compra grande quantidade de açúcar bruto do Brasil, refina-o e vende para os países árabes vizinhos. Os navios utilizam o Estreito de Ormuz para entrar e sair da refinaria.
May Angel e Marcelo Teixeira