A semana deve ser de firmeza para os futuros de açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Apesar das condições climáticas favoráveis à colheita de cana no Centro-Sul do Brasil, a perspectiva de oferta apertada no segundo semestre mantém os contratos no terreno de 19 cents por libra-peso, com viés de alta.

De acordo com participantes, a perspectiva de déficit, que pode superar 10 milhões de toneladas na safra global 2015/16, é reforçada pela decisão da Índia de taxar suas exportações da commodity. A medida foi gestada nas últimas semanas e confirmada sexta-feira pelo ministro de Alimentos indiano, Ran Vilas Paswan. Além da tarifa de 20%, a nação asiática também retirou a obrigatoriedade de embarque de 3,2 milhões de toneladas na atual temporada. Os esforços visam a segurar os preços internos do produto.
Em relação ao Brasil, a previsão é de tempo aberto, mas com temperaturas mais amenas. "A partir de domingo, a passagem de uma frente fria pela costa do Sudeste causa declínio da temperatura máxima para menos de 20 graus Celsius no leste e sul de São Paulo, sul de Minas Gerais e nas áreas elevadas do Rio de Janeiro", destacou a trading SCA. "Somente a partir da quinta-feira a temperatura máxima voltará a subir no Sudeste."
A questão climática no Brasil, contudo, tornou-se mais delicada. O excesso de chuvas entre maio e junho, aliado às geadas, "neutralizou" o início antecipado da temporada, segundo disse na semana passada ao Broadcast Agro o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues. Ou seja: qualquer outro problema pode fazer com que o andamento da temporada e a oferta de açúcar sejam prejudicados.
Graficamente, a semana começa com o intervalo de 19,50 cents e 20 cents/lb respeitados. Para acima disso, surgem os 20,22 cents/lb, máxima da semana passada.
Na sexta-feira, julho subiu 8 pontos (0,41%) e encerrou em 19,76 cents/lb. Outubro avançou 14 pontos (0,71%) e terminou em 19,90 cents/lb, com máxima no dia de 20,20 cents/lb (mais 44 pontos) e mínima de 19,73 cents/lb (menos 3 pontos). Na semana, acumularam valorizações de 0,30% (mais 6 pontos) e de 0,86% (mais 17 pontos), respectivamente.
O spread julho/outubro, que iniciara a semana passada em 3 pontos, fechou sexta em 14 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.

E pelo mais recente relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), fundos e especuladores elevaram o saldo comprado em açúcar em 9.419 lotes na semana encerrada em 14 de junho. A posição passou de 315.438 para 324.857 lotes, novo recorde.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) fechou a sexta-feira em R$ 85,29/saca (+0,48%). Em dólar, ficou em US$ 24,92/saca (+1,84%). A moeda norte-americana fechou em R$ 3,4214 (-1,27%).
