A perspectiva de déficit de produção na safra global 2015/16 continua a dar o tom no mercado futuro de açúcar demerara, e os contratos da commodity voltaram a fechar em alta ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Mais uma vez, o movimento cambial no Brasil mostrou ter pouca força para influenciar as cotações, que rumam firmes para a resistência de 15,50 cents por libra-peso.
De acordo com Michael McDougall, diretor do Société Générale, parte considerável das usinas nacionais já fixou suas vendas futuras, de modo que as oscilações recentes no câmbio têm pouco impacto sobre o demerara. Além disso, avalia-se que novas fixações só devem ocorrer quando o dólar encostar novamente nos R$ 4. Ontem, a divisa fechou em R$ 3,7426 (-0,49%), em um dia de forte volatilidade por causa da nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Ministério da Casa Civil.
No geral, participantes atentam para o déficit de até 8 milhões de toneladas esperado para o atual ciclo, que se encerra em setembro. Segundo McDougall, a produção de açúcar na Índia e na Tailândia deve ser menor. Já a do Brasil deve superar a do ano passado, mas tem sido prejudicada pelas chuvas intensas no Centro-Sul do País. Além disso, surgiram sinais de que a demanda por açúcar se mantém consistente mesmo após a valorização de quase 8% só neste mês.
A agência marítima Williams Brazil, por exemplo, informou que o total de navios que aguardam para embarcar açúcar nos portos brasileiros aumentou de 16 para 28 na semana encerrada ontem. Trata-se do melhor resultado no ano até agora, superando as 26 embarcações reportadas nas duas últimas semanas de janeiro. Foi agendado o carregamento de 935,72 mil toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos (SP), de onde sairão 797,72 mil t, ou 85% do total. Paranaguá responderá por 8% (78 mil t) e Maceió, por 7% (60 mil t).
Ontem, maio avançou 15 pontos (0,98%) e terminou em 15,47 cents/lb, com máxima no dia de 15,49 cents/lb (mais 17 pontos) e mínima de 15,04 cents/lb (menos 28 pontos). Julho subiu 14 pontos (0,92%) e encerrou em 15,41 cents/lb. O spread maio/julho variou de 5 para 6 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.


O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) fechou a quarta-feira em R$ 76,95/saca, baixa de 0,84%. Em dólar, ficou em US$ 20,53 (-0,63%).
