Açúcar: Mercado

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[Açúcar Update] NY pode dar continuidade à escalada da semana passada


Agência Estado - Publicado: 18 Abr 2016 - 10:36

Os contratos futuros de açúcar demerara saltaram quase 6% na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) na sexta-feira passada, rompendo a resistência psicológica de 15 cents. O mercado é impulsionado, entre outros fatores, por previsões menos otimistas para a safra de cana no Centro-Sul do Brasil.

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A Canaplan divulgou na sexta-feira que a moagem de cana no Centro-Sul do Brasil na safra 2016/17, recém-iniciada, deve ser 6% menor do que a anterior, totalizando 580 milhões de toneladas. Segundo a Canaplan, a queda ocorrerá, além do impacto do clima, porque a moagem na atual safra se encerrará até dezembro deste ano. Na safra passada, 26 milhões de toneladas de cana foram processadas entre dezembro de 2015 e março de 2016.

Também pesa a favor do mercado a revisão da trading britânica Czarnikow, que elevou na semana passada o déficit global de açúcar na safra 2015/16 para 11,4 milhões de toneladas, em comparação com 8,2 milhões de toneladas na previsão anterior.

Além disso, as opções para maio na ICE venceram na sexta, o que pode ter contribuído para puxar os preços. As opções de compra (calls) estariam concentradas entre 15 cents e 16 cents.

Um fator que pode manter os contratos em ascensão é o comportamento do dólar em relação ao real, principalmente na abertura desta segunda-feira, depois da votação ontem do processo de impeachment da presidente Dilma pelo plenário da Câmara dos Deputados. Analistas estimam que o afastamento da presidente pode levar o dólar para menos de R$ 3,30, ou até mesmo R$ 3,20 no curto prazo, o que tende a impulsionar os futuros de commodities, cotados na moeda norte-americana.

A reunião dos grandes produtores de petróleo, realizada ontem em Doha, no Catar, também está no radar, por causa do potencial para mexer com as cotações. A falta de acordo para um congelamento da produção pode derrubar o mercado do óleo, levando junto outras commodities, como o açúcar.

Depois da alta da semana passada, os indicadores gráficos dos futuros de demerara passaram a sobrecomprados, sugerindo correção técnica. O mercado rompeu a resistência de 14,66 cents (máxima de quinta-feira passada) e o nível psicológico de 15 cents. O próximo objetivo é a máxima de sexta, a 15,28 cents. Os suportes estão em 15 cents e 14,92 cents (máxima de 8 de abril).

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Os fundos de investimento devem ter elevado expressivamente o saldo líquido comprado em açúcar na ICE na semana passada, o que não será possível verificar pelo relatório da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), com posicionamento de traders. Isso porque o levantamento considera a semana encerrada na terça-feira (12 de abril). Nesse período, os fundos reduziram o saldo líquido comprado de 207.932 para 173.982 lotes.

O clima continua seco em quente no Centro-Sul do Brasil, o que favorece a colheita da cana e é um fator baixista para Nova York. Segundo a Climatempo, uma massa de ar quente e seco predomina sobre o Estado de São Paulo, principal Estado produtor, e dificulta a formação de nuvens de chuva, pelo menos até o dia 25 de abril. "Não há previsão de chuva significativa sobre o Estado durante esse período", prevê a meteorologia.

Os futuros de açúcar em Nova York trabalharam no terreno positivo ao longo de todo o pregão de sexta. O vencimento julho encerrou em alta de 5,8% (83 pontos), a 15,20 cents. A máxima foi de 15,28 cents (mais 91 pontos). A mínima bateu 14,42 cents (5 pontos acima do fechamento anterior).

O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou ontem a R$ 75,88/saca (+0,37%). Em dólar, o preço ficou em US$ 21,59/saca (-0,55%).

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