Os futuros de açúcar demerara fecharam em queda ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), ainda pressionados pelo dólar fortalecido ante o real. O pregão, contudo, foi marcado por um volume de negócios abaixo do normal, reflexo da forte nevasca que atingiu a costa leste dos Estados Unidos no fim de semana. A expectativa é de que o fluxo de negociações volte a se intensificar nesta terça-feira. Sem grandes novidades nos fundamentos, os contratos permanecem entre 14 cents e 14,50 cents por libra-peso. No Brasil, o dólar fechou em R$ 4,1080 (+0,10%), em dia de baixa liquidez por causa do feriado do aniversário da cidade de São Paulo.
Conforme um corretor, o demerara cedeu ainda por causa do commitments divulgado sexta-feira pela Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC). O saldo comprado na semana encerrada em 19 de janeiro saltou de 158 mil lotes para 197 mil lotes, expressivo aumento que motivou uma correção ontem.
Para os próximos dias, não se descartam novos recuos na ICE Futures US. O clima menos úmido em áreas do Centro-Sul do País, em especial em São Paulo, tende beneficiar a moagem de cana e, consequentemente, a produção de açúcar. Segundo a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), pelo menos 20 usinas ainda estão em operação na principal região produtora do País, e a expectativa é de que esse número comece a aumentar a partir de fevereiro, com algumas unidades antecipando o início do processamento do ciclo 2016/17.
O contrato com vencimento em março caiu 32 pontos (-2,22%) e fechou a segunda-feira em 14,10 cents/lb, com máxima de 14,39 cents/lb e mínima de 14,08 cents/lb. Os lotes para maio recuaram 23 pontos e terminaram em 13,94 cents/lb. O spread março/maio variou de 25 para 16 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.
O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a segunda-feira em R$ 84,15/saca, baixa de 0,38% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,50/saca (-0,34%).



Conforme o centro de estudos, a recente desvalorização do petróleo pode favorecer as exportações brasileiras de açúcar, na medida em que reduz o frete marítimo e o produto nacional ganha competitividade no mercado externo. "Isso considerando-se também a distância entre o Brasil e países compradores, em relação aos demais produtores, e o volume nacional exportado. Esse cenário é mais relevante para os embarques de açúcar para a Ásia e Oriente Médio, bem como de seu principal concorrente para esses mercados, a Tailândia", destacou o Cepea, em relatório antecipado ao Broadcast.
Quanto às paridades, de 18 a 22 de janeiro as vendas de açúcar cristal no spot paulista remuneraram 7,66% a mais que as externas. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 84,58/saca, as cotações do contrato março na ICE Futures US equivaleriam a R$ 78,56/saca.
