O dólar fortalecido ante o real deve continuar a pressionar os futuros de açúcar demerara nesta semana na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). A moeda norte-americana registra ganhos de quase 8% apenas em julho e de 26% no acumulado de 2015. Para analistas, tal câmbio "jogou por terra" o suporte dado pelo atraso de safra no Centro-Sul do Brasil e pode até empurrar as cotações para os psicológicos 11 cents por libra-peso.
Ainda sustentada no corte da meta fiscal pelo governo, o dólar subiu 1,76% na sexta-feira e fechou em R$ 3,3490, maior nível em 12 anos. A divisa nesse patamar estimula ainda mais fixações pelo Brasil e praticamente anula o viés de alta dado pela moagem de cana 6% menor na temporada 2015/16, conforme relatório divulgado na semana passada pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).
O mercado dá atenção também à Índia. Por lá, nem mesmo as chuvas de monções irregulares devem atrapalhar a fabricação de açúcar. De acordo com a indústria local, o país asiático deve produzir em torno de 28 milhões de toneladas do alimento em 2015/16 e, com isso, registrar superávit pelo sexto ano consecutivo - a demanda indiana é da ordem de 25 milhões de toneladas.
A partir desses fundamentos, analistas já avaliam que há espaço para os futuros testarem o suporte de 11 cents/lb no curto prazo. Por ora, o piso inicial aparece em 11,10 cents/lb, uma vez que os 11,30 cents/lb foram rompidos. Para cima, a resistência voltou para os psicológicos 11,50 cents/lb.
Na sexta-feira, outubro caiu 27 pontos (2,35%) e encerrou em 11,24 cents/lb, com máxima no dia de 11,66 cents/lb (mais 15 pontos) e mínima de 11,20 cents/lb (menos 31 pontos). Março recuou 26 pontos (2,03%) e terminou em 12,57 cents/lb. Na semana, acumularam desvalorizações de 6,02% (menos 72 pontos) e de 5,84% (menos 78 pontos), respectivamente.
O spread outubro/março, que iniciara a semana passada em 139 pontos, fechou sexta em 143 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.
Pelo mais recente relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), fundos voltaram a ficar vendidos em açúcar na semana encerrada em 21 de julho. A posição passou de comprada em 9.239 lotes para vendida em 55.778 lotes.
O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a sexta-feira em R$ 47,61/saca, baixa de 0,17% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 14,22/saca (-1,86%).