O mercado futuro de açúcar demerara deve encerrar o mês de novembro com valorização de cerca de 3% na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). A expectativa é de déficit na oferta global e redução dos estoques, depois de cinco temporadas de produção maior do que a demanda.
Existe consenso entre as instituições especializadas de que haverá menor produção mundial de açúcar na safra 2015/16, iniciada em outubro passado. O volume varia conforme a entidade, mas a Organização Internacional do Açúcar (OIA) prevê déficit de 3,53 milhões de toneladas, enquanto a consultoria Datagro projeta produção menor do que o consumo em 2,57 milhões de t.
Nas últimas semanas, os futuros de demerara ganharam mais força, principalmente com notícias sobre a moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, principal região produtora do mundo, que está atrasada por causa das chuvas. Algumas usinas avaliam estender os trabalhos até janeiro, época considerada de entressafra, quando as máquinas normalmente passam por manutenção.
O diretor presidente da Biosev, Rui Chammas, em reunião com analistas de mercado, na sexta-feira, em São Paulo, reforçou a ideia de estender o processo de moagem até meados de dezembro no Centro-Sul e, especificamente em Mato Grosso do Sul, até janeiro. O problema é que, além da possibilidade de menor produção de açúcar, a qualidade da cana está aquém da esperada.
Outro fator positivo para o mercado é a elevada posição comprada dos fundos de investimento em açúcar, apostando em alta de preços. Na semana encerrada em 17 de novembro, os fundos estavam com saldo líquido comprado de 176.738 lotes. O relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), referente à semana encerrada em 24 de novembro, foi adiado de sexta para esta segunda-feira, por causa do feriado de Ação de Graças.

Em contrapartida, existem fortes motivos para se acreditar em perspectiva negativa para as cotações do açúcar. Entre elas está a iniciativa do governo da Índia de conceder subsídio aos produtores de cana locais. A tendência é de as usinas do país asiático ganharem competitividade no exterior, aumentando a oferta e derrubando os preços internacionais.
Além disso, os preços do petróleo em queda também não ajudam o mercado de açúcar. As cotações do óleo têm se mantido pressionadas, em meio à estratégia da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de manter a produção elevada para garantir sua participação de mercado.
Nesse contexto, o dólar firme também pode empurrar para baixo o açúcar, junto com outras matérias-primas cotadas na moeda norte-americana. Por ser cotado em dólar, o açúcar fica mais caro em relação a outras moedas, quando a divisa dos EUA se fortalece.
Indicadores técnicos mostram que o vencimento março/16 em Nova York está sem direção definida no curto prazo. O suporte está em 14,85 cents e 14,47 cents. A resistência é de 15,13 cents e 15,45 cents.

O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou na sexta a R$ 78,31/saca (+0,51%). Em dólar, o preço ficou em US$ 20,57/saca (-1,01%).