Açúcar: Mercado

Açúcar: Mercado

Açúcar tem fundamentos estáveis, mas energia sustenta preços, afirma Hedgepoint

Com oferta robusta no Brasil e clima favorável, preços da commodity se consolidam em faixa estreita, apoiados por fatores externos e movimentos técnicos


Hedgepoint - Publicado: 01 Abr 2026 - 15:20

O mercado global de açúcar segue sem mudanças relevantes em seus fundamentos, com a dinâmica de preços sendo influenciada principalmente por fatores externos e movimentos técnicos, aponta análise da Hedgepoint Global Markets.

Segundo a consultoria, a atenção dos agentes permanece voltada para a evolução da oferta, especialmente no Brasil, onde condições climáticas favoráveis e estimativas estáveis indicam perspectivas de maior disponibilidade.

Ainda conforme a análise, a safra brasileira 2025/26 deve atingir cerca de 610 milhões de toneladas de cana, resultando em aproximadamente 40,5 milhões de toneladas de açúcar. Já as projeções iniciais da consultoria para 2026/27 apontam um potencial de até 630 milhões de toneladas, reforçando um cenário estruturalmente baixista para os preços.

Apesar disso, o mercado tem encontrado suporte no curto prazo. “A recente alta dos preços foi impulsionada principalmente pela cobertura de posições vendidas por fundos especulativos, além do impacto do cenário macroeconômico e geopolítico, com destaque para a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã”, traz a consultoria, em nota.

De acordo com a Hedgepoint, os preços do açúcar atingiram níveis próximos a 15,8 centavos de dólar por libra-peso em 24 de março, consolidando-se em uma faixa de negociação entre 15,4 e 15,9 centavos de dólar. O patamar foi considerado “relativamente construtivo, mas sustentado por bases frágeis e sensível à volatilidade global”.

No campo energético, a consultoria acredita que a alta do petróleo – com o Brent acumulando valorização de aproximadamente 78% desde o início de 2026 – tem exercido influência direta sobre o açúcar. Conforme a análise o efeito é especialmente sentido no Brasil, onde as usinas possuem flexibilidade para direcionar a produção entre açúcar e etanol.

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“Ainda assim, o suporte aos preços continuou vindo principalmente de fora do mercado de açúcar. A alta da semana passada foi impulsionada em grande parte pela atividade de cobertura de posições vendidas dos fundos especulativos”, aponta a analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, Lívea Coda.

“Embora essa faixa seja relativamente construtiva, ela repousa sobre bases frágeis, sendo impulsionada principalmente por posicionamentos especulativos em meio a uma elevada volatilidade macroeconômica e geopolítica”, acrescenta.

A relação com o setor de energia também segue como fator determinante. De acordo com a analista, o aumento dos preços do petróleo, aliado a possíveis repasses de custos no Brasil, pode elevar a competitividade do etanol e influenciar diretamente o mix de produção das usinas, estabelecendo um piso mais elevado para o açúcar.

Por outro lado, a continuidade desse suporte depende da evolução do cenário externo. “Em caso de redução das tensões geopolíticas ou limitação no repasse de custos no mercado doméstico, os preços tendem a corrigir, refletindo novamente os fundamentos de oferta mais abundante”, acrescenta a consultoria.