Açúcar: Exportação

Açúcar: Exportação

Açúcar europeu ganha novos mercados e começa a se abrir para o mundo

Até mesmo o Haiti, que já foi um dos principais produtores de açúcar do mundo, está comprando a commodity da União Europeia. Volume das exportações, contudo, ainda é pequeno.


NovaCana - Publicado: 09 Nov 2017 - 08:32 | Atualizado: 09 Nov 2017 - 11:27
Açúcar europeu ganha novos mercados e começa a se abrir para o mundo

Açúcar branco passa por esteira em unidade da Nordzucker, a segunda maior fabricante da Europa

O açúcar europeu está chegando a lugares estranhos. Com o fim das cotas de produção e exportação, os produtores da União Europeia aumentaram o número de envios ao exterior, aproveitando a oportunidade de oferecer açúcar branco a preços mais baixos em diversos mercados pelo mundo.

Assim, a produção das fazendas de beterraba europeias está atraindo compradores tão distantes quanto Haiti, que já foi um dos grandes produtores de cana-de-açúcar do Caribe, e Serra Leoa, na África subsaariana. O açúcar europeu tem até mesmo aparecido nas Ilhas Pitcairn, no Pacífico, uma das mais remotas terras habitadas do planeta.

Na verdade, qualquer demanda representa uma boa notícia para produtores como a Suedzucker, a maior fabricante de açúcar do mundo, e sua principal concorrente europeia, a Nordzucker. Afinal, este ano, com a decisão da União Europeia de encerrar as cotas sobre produção e exportação, foi gerado um excesso de oferta que pressionou os preços do açúcar branco para baixo em 27% em Londres.

“Há um mercado vibrante lá fora que adora comprar o açúcar branco europeu”, afirmou o CEO da Nordzucker, Hartwig Fuchs, durante uma entrevista realizada na sede da empresa na cidade de Braunschweig, na Alemanha. “Nós somos os fornecedores mais baratos hoje”.

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A participação da União Europeia nas exportações globais será mais do que dobrada nessa temporada, alcançando quase 5%, de acordo com a Organização Internacional do Açúcar – entidade que conta com os países produtores como membros. Enquanto a Europa quer manter seus mercados tradicionais, como é o caso de Israel, Egito, Noruega e Suíça, nas últimas semanas, também foram agendadas entregas para países como Camarões e Mauritânia, no noroeste da África.

Fuchs destacou ainda a curiosa entrega realizada há um ano nas Ilhas Pitcairn, a qual a Nordzucker só tomou conhecimento depois que um viajante enviou uma foto dos sacos de 25 quilos deixados por um cruzeiro que passava pelo território ultramarino. O local é um afloramento vulcânico e lar de aproximadamente 50 descendentes de amotinadores do navio HMS Bounty, do século 18. As ilhas estão a cerca de 16 mil quilômetros da Europa – o dobro da distância que separa o local do Brasil, o maior exportador de açúcar do mundo.

Mais significativas do que a entrega no extremo do Pacífico, no entanto, são as vendas de açúcar produzido pela concorrente alemã Suedzucker para o Haiti, uma vez que o país já foi um dos principais produtores do mundo e está há apenas algumas centenas de quilômetros dos produtores da Jamaica e de Belize.

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“Temos muita demanda atualmente vinda de fora da Europa porque somos os mais baratos”, disse Fuchs, destacando o forte crescimento visto em regiões como a Ásia e a África.

Os novos mercados no exterior, entretanto, não devem compensar os preços baixos que enfrentam os produtores europeus em meio ao excedente global. Por enquanto, as exportações representam apenas algumas gotas d’água no oceano da oferta de açúcar esperada mundialmente.

Para o Marex Spectron Group, o carregamento lento em alguns portos pode ser culpado. Além disso, segundo Fuchs, um dólar mais fraco contra o euro também reduziu o lucro para os produtores europeus de açúcar, aumentando a pressão que pode forçar os mais fracos para fora dos negócios. “Os agricultores provavelmente reduzirão o plantio, diminuindo drasticamente a área de cultivo já em 2019”, disse o executivo da Nordzucker.

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Por sua vez, as importações para a União Europeia já foram afetadas pelos preços regionais mais baixos. Os futuros de açúcar branco em Londres caíram para US$ 353,30 por tonelada em setembro, o menor valor em dois anos.

"Nos próximos três a quatro meses, vamos estabilizar o mercado, mas em níveis relativamente baixos", afirma Fuchs. "Pode demorar até 2019 antes que eles realmente se recuperem".

A Nordzucker está se preparando para o desenvolvimento de mercados em outros lugares no futuro. A companhia está a procura de oportunidades para se expandir na África e na América do Sul e já está trabalhando em parcerias.

“Com preços do açúcar bruto em cerca de 14 centavos de dólar por libra-peso, houve pouco investimento em produção e cuidado de cana, e isso, juntamente com uma mudança em direção a mais etanol, sinaliza uma limitação na produção [do adoçante]”, disse Fuchs. “Os preços provavelmente aumentarão para 15 a 18 centavos por libra em um ano”, complementa.

"Você tem que pensar em períodos mais longos. A única questão é que leva mais tempo para que o mercado perceba o que está acontecendo", disse Fuchs.

Agnieska de Sousa – Bloomberg
Tradução e adaptação novaCana.com