Açúcar: Mercado

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Açúcar: El Niño, dólar e indicadores técnicos dão suporte à ICE


Agência Estado - Publicado: 14 Jul 2015 - 16:25

Os futuros de açúcar demerara fecharam em alta ontem e permanecem com viés de ganhos para esta terça-feira na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). A avaliação é de que o El Niño figura como principal fator de suporte, assim como o movimento cambial no Brasil e indicadores técnicos.

Na semana passada, a meteorologia apontou para 90% de chances de o fenômeno climático se estender por todo o verão de 2015 no Hemisfério Norte. Caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico, o El Niño provoca chuvas acima da média em partes da América do Sul e estiagem no Sudeste Asiático.

Essas condições, por sinal, já são observadas. No Centro-Sul do Brasil, o início de julho foi chuvoso, com atrasos de até quatro dias nos trabalhos de colheita, e a previsão indica precipitações acima da média também para os próximos dias. Além disso, o mix na principal região produtora do País vai ficando cada vez mais alcooleiro, o que levou a Datagro, na sexta-feira, a reduzir sua projeção para a fabricação de açúcar em 2015/16, de 32,2 milhões para 30,7 milhões de toneladas.

Já "na Tailândia, a seca pode fazer com que a safra de cana fique abaixo de 100 milhões de toneladas", acrescenta João Paulo Botelho, da INTL FCStone. "Se a estiagem continuar até agosto, a produção de açúcar pode ficar entre 8 milhões e 10 milhões de toneladas, inferior às 11 milhões de toneladas previstas pelo País", diz o analista.

Do lado cambial, há a influência da queda do dólar ante o real ontem. A divisa norte-americana cedeu 1,04%, para R$ 3,1330, o que desestimula embarques brasileiros.

Quanto aos indicadores técnicos, o rompimento da resistência de 12,50 cents por libra-peso nesta segunda-feira abre espaço para mais ganhos. O próximo teto está nos 12,69 cents/lb, máxima de 7 de julho.

Ontem, outubro subiu 15 pontos (1,21%) e encerrou em 12,56 cents/lb, com máxima no dia de 12,63 cents/lb (mais 22 pontos) e mínima de 12,33 cents/lb (menos 8 pontos). Março de 2016 também avançou 15 pontos (1,10%) e terminou em 13,80 cents/lb. O spread outubro/março permanece em 124 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.

Em relatório, a Archer Consulting informa que o preço médio de fechamento do açúcar na ICE Futures US foi de 11,75 cents/lb em junho, queda de quase 22% ante à média de janeiro. Trata-se do recuo mais acentuado entre esses dois meses desde 2010, conforme o diretor da consultoria, Arnaldo Luiz Corrêa.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a segunda-feira em R$ 48,49/saca, alta de 0,75X% ante sexta. Em dólar, o índice ficou em US$ 15,48/saca (+1,84%).

Conforme o centro de estudos, os preços do cristal voltaram a subir no spot paulista na semana passada, após quatro semanas de queda. "As chuvas que ocorreram em algumas regiões de São Paulo interromperam a colheita e a moagem da cana, limitando a oferta de açúcar. Alguns representantes de usinas afirmam que a moagem está parada praticamente desde o início de julho, o que pode, inclusive, estender o período de colheita do Centro-Sul neste ano", explicou o Cepea, em relatório.

Quanto às paridades, de 6 a 10 de julho a remuneração da venda interna foi 1,71% superior à da externa. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 47,84/saca, as cotações do contrato outubro na ICE Futures US equivaleriam a R$ 47,04/saca.