O dólar voltou a pressionar os futuros de açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). As cotações romperam os 11,20 cents por libra-peso e se aproximam dos 11,10 cents/lb, mínima registrada pelo mercado no mês passado. A depender do câmbio, são grandes as chances de esse patamar ser testado nesta quarta-feira.
Para analistas, não há no radar qualquer fundamento altista de peso para impulsionar as cotações. Ontem, a moeda norte-americana avançou ao maior nível desde 27 de março de 2003, para R$ 3,37 (+0,27%). Paralelamente, o clima volta a se firmar no Centro-Sul do Brasil. Após as chuvas no fim de semana, os próximos dias tendem a ser favoráveis à colheita de cana-de-açúcar na região.
De acordo com a Climatempo, as áreas produtoras de São Paulo ficarão sem chuvas pelo menos até 4 de agosto. Apenas a faixa leste do Estado pode receber alguma precipitação, mas na casa dos 10 mm. Previsão semelhante é feita para Minas Gerais e Paraná. Já em Goiás, espera-se clima bem seco, com queda na umidade relativa do ar.
Os participantes monitoram também o lado da demanda. Além da possibilidade de menor consumo de açúcar pela Indonésia, a turbulência financeira na China também poderia significar retração na procura pelo alimento.
Outubro caiu 7 pontos (0,62%) e fechou em 11,17 cents/lb, com máxima no dia de 11,37 cents/lb (mais 13 pontos) e mínima de 11,16 cents/lb (menos 8 pontos). Março recuou 9 pontos (0,72%) e terminou em 12,42 cents/lb. O spread outubro/março variou de 127 para 125 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.
Nos gráficos, portanto, o suporte inicial são os 11,10 cents/lb, seguido pelo psicológico de 11 cents/lb. Para cima, a resistência continua em 11,50 cents/lb.
Nos portos brasileiros, o total de navios que aguardam para embarcar açúcar aumentou de 44 para 51 na semana encerrada na quarta-feira da semana passada (22), segundo levantamento da agência marítima Williams Brazil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 18 de agosto.
Foi agendado o carregamento de 1,80 milhão de toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos, de onde sairão 1,33 milhão de t, ou 74% do total. Paranaguá responderá por 22% (399,60 mil t); Maceió, por 3% (48,18 mil t); e Recife, por 1% (21 mil t).
O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a terça-feira em R$ 47,45/saca, baixa de 0,08% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 14,08/saca (-0,35%).