Açúcar: Mercado

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Açúcar: Dólar deve dar direção para futuros na ICE


Agência Estado - Publicado: 18 Set 2015 - 11:11

O mercado futuro de açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) tem acompanhado o comportamento do dólar em relação ao real. Ontem, a moeda norte-americana subiu, pressionando para baixo as cotações do demerara. Entre outros fatores, notícias de que o governo Dilma pode dar uma guinada na política econômica, principalmente estimulando uma queda das taxas de juros, impulsionaram o dólar, que chegou a bater máxima de R$ 3,9060. Esse valor superou os R$ 3,9050 registrados na reação do mercado à perda do grau de investimento do País pela Standard & Poor's, na semana passada.

O índice do dólar, porém, recuava até o fechamento do mercado futuro de açúcar em Nova York e antes do anúncio da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA). A moeda marcou nova mínima após o Fed decidir manter a taxa de juros em 0,25% e pode favorecer os futuros de demerara no pregão desta sexta-feira.

No Brasil, as chuvas do início de setembro atrasaram a moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul, principal região produtora do mundo. Além disso, houve prejuízos ao aumento da concentração da sacarose na cana, conforme avaliação do Banco Pine. "Essas chuvas atrasam a disponibilidade do produto e ajudam a dar sustentação aos preços internacionais do açúcar", informa o banco, em relatório sobre o setor, no qual estima que, em média, as usinas ficaram paradas durante 6 dias, por causa do clima adverso.

Na próxima semana, a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) divulgará estatísticas referentes ao desenvolvimento da safra sucroalcooleira no Centro-Sul, até o dia 15 de setembro. O Banco Pine estima que a moagem quinzenal de cana deverá ficar próxima de 31,1 milhões de t (uma redução de praticamente 16 milhões de t frente à quinzena anterior).

Segundo o Pine, a participação do açúcar na produção das usinas deve se reduzir ainda mais na quinzena, alcançando 41% da produção. A produção de açúcar deve atingir 1,8 milhão de t, enquanto a destilação de etanol pode alcançar 1,60 bilhão de litros, dos quais 640 milhões de litros de anidro e 960 milhões de litros de hidratado.

Tecnicamente, o vencimento março/16 de açúcar em Nova York tem resistência a 12,55 cents, que pode ser alcançada com a queda do dólar. O suporte é de 12,07 cents, mínima dos dias 4 e 10 de setembro.

Hoje à tarde a Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC) divulgará relatório com posicionamento de traders no mercado futuro de açúcar em Nova York, referente à semana encerrada em 15 de setembro. No relatório anterior, até o dia 8 de setembro, os fundos e especuladores estavam com saldo líquido vendido de 12.612 lotes.

O mercado de açúcar em Nova York trabalhou no terreno positivo em boa parte do pregão de ontem, mas acabou encerrando em baixa. O vencimento março/16 caiu 11 pontos (0,89%), a 12,22 cents. A máxima foi de 12,50 cents (mais 17 pontos). A mínima bateu 12,17 cents (menos 16 pontos).

A JOB Economia projetou a safra 2016 de cana no Centro-Sul em 590 milhões de t, o que corresponde a um aumento de 0,5% ante este ano (587 milhões de t). A safra total de cana no Brasil está estimada pela consultoria em 646 milhões de t em 2016, ante 630 milhões de t este ano.

O indicador do açúcar Esalq fechou a R$ 51,39/saca à vista (+0,59%). Em dólar, o preço ficou em US$ 13,31/saca (-0,15%).