Os futuros de açúcar demerara fecharam em queda ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). O pregão foi influenciado pela ausência de negócios com açúcar refinado na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), que ficou fechada por causa de feriado. A alta do dólar ante o real contribuiu para pressionar as cotações.

A moeda norte-americana subia no meio da tarde de ontem em relação ao real, depois de ter batido o nível mais baixo desde 31 de julho de 2015, a R$ 3,4374, na sexta-feira passada. Além da intervenção do Banco Central, que comprou dólares, a divisa foi puxada pelo anúncio do governo, que aumentou o IOF de 0,38% para 1,10% nas compras de dólares em espécie, no mercado à vista. No exterior, o índice do dólar recuava. Entre outros fatores, analistas citaram dados econômicos positivos na zona do euro, como o índice de gerentes de compras (PMI) da indústria da região, que subiu de 51,6 em março para 51,7 em abril, acima da prévia e também da previsão, ambos de 51,5.
No Brasil, o dólar fechou a R$ 3,4952, em alta de 1,68%.
Outro fator baixista para os futuros de demerara é o início da colheita de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, que, por enquanto, ocorre sem transtornos climáticos. Segundo a meteorologia, o tempo deve continuar seco, sem risco de chuvas que possam impedir os trabalhos das máquinas nos canaviais, pelo menos até o fim de semana.
Em contrapartida, os fundos de investimento comprados podem contribuir para sustentar os futuros de demerara. Segundo relatório semanal da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), fundos elevaram o saldo comprado em açúcar em 33.060 lotes na semana encerrada em 26 de abril. A posição passou de 177.262 para 210.322 lotes.

O diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa, informa que, no curto prazo, o mercado mostra-se baixista, por causa da colheita, mas o aumento da posição comprada pelos fundos de investimento contraria essa tendência. Em compensação, no longo prazo, apesar do fundamento positivo de déficit de açúcar na oferta global, o fraco desempenho do mercado físico e dos spreads não confirma esse movimento.

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), divulgou ontem que o Brasil exportou em abril 1,528 milhão de toneladas de açúcar bruto e refinado, volume 26,48% menor que as 2,078 milhões de toneladas embarcadas em março e 72,4% superior ante as 886,2 mil toneladas registradas em igual mês de 2015.
Os indicadores gráficos dos futuros de demerara apontam mercado sobrecomprado, sugerindo correção técnica. Os contratos podem testar o suporte psicológico a 16 cents. Na parte de cima, a resistência é de 16,50 cents. Outras resistências estão em 16,63 cents e 16,75 cents.
Os futuros de açúcar em Nova York trabalharam no terreno negativo em boa parte do pregão de ontem. O vencimento julho encerrou em queda de 0,67% (11 pontos), a 16,21 cents. A máxima foi de 16,47 cents (mais 15 pontos). A mínima bateu 16,04 cents (menos 28 pontos).
O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou ontem a R$ 75,46/saca (+ 0,37%). Em dólar, o preço ficou em US$ 21,62/saca (-1,10%).
