Os futuros de açúcar demerara iniciaram a semana em alta na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Sustentados pelas fortes chuvas em áreas produtoras do Centro-Sul do Brasil e pela entrega contra a tela de março, os contratos têm potencial para buscar a importante resistência de 14,50 cents por libra-peso no pregão de hoje.
Relatos iniciais davam conta de uma entrega de 599 mil toneladas de demerara na Bolsa. A Wilmar International teria adquirido todo o volume, disponibilizado por sete tradings (MAN, Czarnikow, Sucden, Alvean, Bunge, Louis Dreyfus Commodities e Noble). A quantidade veio em linha com o esperado por participantes e deve dar algum suporte, mesmo que momentâneo, às cotações, já que indicou aquecido interesse comprador.
Sustentação mesmo, porém, vem do clima desfavorável no Centro-Sul do Brasil. Durante o fim de semana, uma frente fria chegou à região, com chuvas fortes. De acordo com a Climatempo, o Estado de São Paulo pode receber até 100 mm. Vale lembrar que neste mês boa parte das usinas entrará em operação, antecipando o início da safra 2016/17 para dar conta de processar a cana bisada.
Por fim, analistas citam que os fundos devem continuar recomprando posições nos próximos dias. Na semana encerrada em 23 de fevereiro, o saldo comprado atingia 21 mil lotes. A posição representou corte de 6 mil lotes em relação à semana imediatamente anterior, mas agentes esperavam um incremento.
Graficamente, os futuros têm resistência, portanto, nos 14,50 cents/lb, seguida pela técnica de 14,67 cents/lb, máxima de 15 de janeiro. Para baixo, os 14 cents/lb continuam firmes como suporte.
Ontem, março subiu 65 pontos (4,67%) e expirou em 14,56 cents/lb. Os lotes para maio avançaram 36 pontos (2,57%) e terminaram em 14,36 cents/lb, com máxima no dia de 14,37 cents/lb (mais 37 pontos) e mínima de 13,95 cents/lb (menos 5 pontos). O spread março/maio encerrou em 20 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.


O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) fechou a segunda-feira em R$ 79,43/saca, baixa de 0,54% ante sexta. Em dólar, ficou em US$ 19,88 (-0,55%).
Conforme o centro de estudos, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal reverteu uma trajetória de cinco meses consecutivos de alta e chegou ao fim de fevereiro com queda acumulada de 4,2% em São Paulo. A média para o mês até o dia 26 foi de R$ 81,35 por saca de 50 kg, também 2,9% inferior à de R$ 83,75 por saca reportada em janeiro.
Com relação à paridade entre os mercados interno e externo, as vendas de açúcar cristal no spot paulista remuneraram 8,92% mais que a exportação na semana passada (22 a 26 de fevereiro). Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 80,31 por saca, as cotações do contrato com vencimento em março na ICE Futures US equivaleriam a R$ 73,73 por saca.
