Os futuros de açúcar demerara não tiveram fôlego para superar a resistência de 15,20 cents por libra-peso ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Analistas dizem que o mercado ainda luta para encontrar um patamar de sustentação para negociação. E isso explica por que os contratos estão em um sobe e desce constante desde meados de outubro, com altas e baixas de até 50 pontos.
Luiz Gustavo Farias, corretor da Hencorp Commcor, destaca que as perdas de ontem estão relacionadas também a uma correção advinda do commitments da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC). "Era esperado (um saldo comprado) de 170 mil a 175 mil lotes, mas veio um de 180 mil", explicou. Na segunda-feira, a CFTC informou que o saldo comprado em açúcar caiu 17.130 lotes na semana encerrada em 10 de novembro, para 180.977 lotes. O corte menor do que o previsto contribuiu para o movimento de liquidação observado nesta terça.
Do lado fundamental, nenhuma mudança até agora: previsão de chuvas em áreas produtoras do Centro-Sul no Brasil, perspectiva de déficit em 2015/16 e demanda física patinando. O dólar, cujo efeito sobre o mercado é mais limitado atualmente, cedeu 0,10% ontem, para R$ 3,8121.
Graficamente, os futuros voltaram a ter suporte em 14,50 cents/lb. A resistência está em 15 cents/lb.
Ontem, março caiu 40 pontos (2,64%) e fechou em 14,78 cents/lb, com máxima de 15,18 cents/lb (estável) e mínima de 14,57 cents/lb (menos 61 pontos). Maio recuou 39 pontos (2,64%) e terminou em 14,40 cents/lb. O spread março/maio variou de 39 para 38 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.
Nos portos brasileiros, o total de navios que aguardam para embarcar açúcar aumentou de 56 para 64 na semana encerrada na quarta-feira passada (11), segundo levantamento da agência marítima Williams Brazil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 20 de dezembro.
Foi agendado o carregamento de 2,031 milhões de toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos, de onde sairão 1,302 milhão de t, ou 64% do total. Paranaguá responderá por 30% (617,721 mil t); Recife, por 3% (56,500 mil t); Maceió, por 2% (30,250 mil t); e Suape, por 1% (25 mil t).



O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a terça-feira em R$ 77,15/saca, alta de 0,22% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,19/saca.