Os contratos futuros do açúcar bruto negociados na ICE recuaram nesta quinta-feira (20), afastando-se da máxima de cinco meses registrada recentemente, pressionados em parte pela desvalorização do real no Brasil.
O contrato outubro do açúcar bruto fechou em queda de 0,23 centavo de dólar, ou 1,7%, a 13,01 centavos de dólar por libra-peso. O mercado havia atingido uma máxima de cinco meses na última sexta-feira, a 13,28 centavos.
Operadores disseram que a desvalorização do real, que atingiu uma mínima de três meses frente ao dólar, foi considerada um fator baixista.
“A reação no açúcar foi imediata. As usinas geralmente são lentas para reagir às mudanças dos preços, então pode ter sido o mercado vendendo antes da fixação pelas usinas ou especuladores. O resultado foi uma liquidação rápida”, disse um operador em Nova York.

“O que está sendo dito é que os preços do açúcar em reais estão no nível mais alto desde 2016, um período de preços muito altos do açúcar. E o resultado disso é o estímulo a uma produção maior de açúcar no Brasil”, disse Tobin Gorey, analista do Commonwealth Bank of Australia, em nota.
Gorey acrescentou que as usinas já estão produzindo o máximo possível de açúcar, o que significa que há pouco espaço para uma produção extra do adoçante.
A produção de açúcar do Brasil deve avançar 32% em 2020/21, para um recorde de 39,33 milhões de toneladas, disse a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab).
O açúcar branco para outubro recuou 3,20 dólares, ou 0,8%, para 376,50 dólares a tonelada.
Marcelo Teixeira e Nigel Hunt