Os preços do açúcar demerara têm potencial para atingir os 22 centavos de dólar por libra-peso no segundo semestre em razão da quebra de safra no Centro-Sul do Brasil e do El Niño, projetou o diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa. As cotações da commodity têm oscilado em torno de 17 centavos de dólar por libra-peso na Bolsa de Nova York (ICE Futures US).
Corrêa destacou que a Archer Consulting ainda prevê moagem de 575 milhões de toneladas na safra 2014/15, iniciada em abril, abaixo das 596 milhões de toneladas de 2013/14.
O Centro-Sul do País foi fortemente afetado pela estiagem entre janeiro e fevereiro, justamente no período de desenvolvimento dos canaviais. Agora, há sinais de ocorrência do El Niño no segundo semestre. O fenômeno climático reduz o volume de chuvas em países produtores com Índia e aumenta a umidade no Brasil bem no pico de colheita, entre julho e setembro.
Açúcar e etanol devem ter alta nos próximos anos, afirma consultor
Os preços do açúcar e do etanol devem passar por um ciclo positivo pelo menos nos próximos dois ou três anos, mas, em virtude da sua atual situação, a indústria do setor no Brasil não poderá aproveitar. É a opinião do diretor da Archer Consulting, Arnaldo Corrêa, que participa do seminário Perspectivas para o Agribusiness 2014 e 2015, promovido pela BM&FBovespa, em São Paulo (SP).
Com relação aos preços, Corrêa avalia que a produção brasileira de cana-de-açúcar deve passar por uma "estagnação", com uma consequente acomodação da oferta de açúcar no mercado internacional. De outro lado, o consumo de etanol no Brasil tem crescido a uma taxa de 6% ao ano, com tendência de mais aumento na demanda pelo combustível.
"Em termos de direção de preços, o ciclo é de alta para os próximos anos", diz Corrêa. Segundo ele, a queda verificada nos preços do etanol nos postos de combustível tem a ver com a necessidade das usinas de compor o caixa no início da safra. "Vender etanol é mais rápido do que açúcar, então as usinas ofertam e o preço cai."
No entanto, a perspectiva positiva para as cotações não deve representar um reforço nos investimentos necessários para a produção no setor sucroenergético brasileiro, avalia o consultor. De acordo com ele, para atender a demanda esperada até o ano de 2020, é necessária a construção de pelo menos 36 usinas, o que ele não acredita que deva ocorrer.
Neste aspecto, Corrêa é crítico da política do governo federal para o etanol que, na opinião dele, não traz confiança para o investidor, especialmente o estrangeiro. "Ele não sente confiança em aportar capital no setor. E isso está ocorrendo por uma total falta de planejamento de longo prazo."
Na avaliação do consultor, a ação do governo, exclusivamente, não é determinante da atual situação do setor de açúcar e etanol. No entanto, a falta de uma política para a cadeia produtiva ajuda a piorar a situação.
Para ele, a principal mudança deve ser deixar o preço dos combustíveis oscilarem de acordo com o mercado. Atualmente, o governo mantém um controle do preço da gasolina para evitar que os preços do combustível pressione a inflação. Como isso exerce influência na cotação do etanol, reflete na competitividade do setor.
"Os preços têm que seguir o mercado. Gasolina para o consumidor tem que seguir o mercado lá fora e não segue. E o setor sofre por osmose porque se o meu produto tem que estar 70% em relação à gasolina, é lógico que eu vou morrer junto."
Atualização 18h23m: Adicionada reportagem adicional com mais detalhes
Globo Rural com trecho inicial da Agência Estado