Os contratos futuros de açúcar demerara tiveram boa alta ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), depois da leve queda no dia anterior. O mercado avança acompanhando indicadores técnicos que, mesmo sobrecomprados, romperam a resistência a 13,98 cents (máxima de 14 de julho), mas devolveram parte dos ganhos.
O próximo objetivo do mercado é a média móvel de 200 dias, a 14,17 cents, segundo análise gráfica da Dow Jones. Os contratos têm suporte a 13,39 cents, 13,24 cents e 12,99 cents. O suporte principal, no entanto, está em 12,54 cents, máxima do dia 11 de setembro.
Além dos fatores técnicos, os futuros de demerara avançam em linha com o enfraquecimento do dólar ante o real. A moeda norte-americana recuava ontem pela quarta sessão consecutiva, ainda apoiada pelos sinais dados pela Moody's de que o rating soberano brasileiro não deve ser rebaixado este ano. No exterior, a forte recuperação das commodities, principalmente metais e petróleo, estimulou a tomada de risco nos mercados globais e a baixa do dólar. No fim do dia, porém, a divisa norte-americana inverteu o sinal e passou a subir.
Os participantes também estão de olho no ritmo de moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, que entra na reta final de colheita. Na primeira quinzena de setembro, as volumosas chuvas acabaram provocando, em média, seis dias de interrupção na moagem das usinas, favorecendo uma alta dos futuros.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) deverá divulgar hoje às 11h dados da moagem na segunda quinzena de setembro. O Banco Pine estima que a moagem no período alcançará 43 milhões de t de cana ante 28,8 milhões de t na safra passada. A produção de açúcar será de 2,51 milhões de t e a de etanol total, de 2,22 bilhões de litros. O mix de produção deve ficar em 41% para o açúcar e 59% para o etanol.
O mercado de açúcar em Nova York continua invertido, com o primeiro vencimento (março/16) mais valorizado do que os contratos mais distantes, indicando aperto na oferta no curto prazo. O spread março/maio alargou de 18 pontos na terça-feira para 26 pontos ontem.


Outro fator altista é a perspectiva de déficit na produção global em relação à demanda, na recém-iniciada safra 2015/16. Ontem foi a vez do Green Pool, um grupo de especialistas em commodities, estimar que a demanda mundial deverá superar a produção em 5,6 milhões de t em 2015/16, um aumento de 22% ante a previsão de agosto (4,6 milhões de t).
Os futuros de açúcar em Nova York trabalharam no terreno positivo na maior parte do pregão de ontem. O vencimento março/16 encerrou com boa alta de 35 pontos (2,57%), a 13,98 cents. A máxima bateu 14,02 cents (mais 39 pontos). A mínima foi de 13,53 cents (menos 10 pontos).
O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou R$ 59,81/saca (+2,36%). Em dólar, o preço ficou em US$ 15,43/saca (+1,51%).