Os futuros de açúcar demerara iniciam mais uma semana pressionados na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Não só pelo dólar, mas também pelo desenrolar cada vez mais intenso da safra 2015/16 no Centro-Sul do Brasil. Abaixo dos 10,50 cents por libra-peso e no menor nível em sete anos, as cotações têm espaço para cair ainda mais nos próximos dias.
Na sexta-feira, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) informou que o tempo aberto contribuiu para o processamento crescer 5,7% na primeira quinzena de agosto, para 47,40 milhões de toneladas. O volume ficou ligeiramente acima do intervalo de 46 milhões a 47 milhões de toneladas projetado por analistas.
Segundo o diretor técnico da entidade, Antonio de Padua Rodrigues, "pela segunda quinzena consecutiva o clima mais seco nas principais áreas produtoras facilitou as operações agrícolas, eliminando o atraso na colheita de cana observado este ano quando comparado com a safra anterior". No acumulado desde o início da atual temporada até 15 de agosto, o volume processado de matéria-prima alcançou 326,79 milhões de toneladas (+0,48%).
Além disso, as usinas direcionaram quantidade maior de matéria-prima para fabricação de açúcar frente o mix da segunda metade de julho, de 43,93% para 44,87%. Nos primeiros quinze dias de agosto, o Centro-Sul produziu 2,29% mais açúcar, num total de 2,86 milhões de toneladas. No acumulado de 2015/16, são 16,35 milhões de toneladas (-8,74%).
Do lado cambial, o dólar subiu 1,19% na sexta-feira, para R$ 3,4930. O viés de alta para a divisa foi renovado após comentários da agência de classificação de risco Fitch, de que a nova meta do superávit primário e a falta de apoio do Congresso na aprovação de medidas de ajuste são fatores negativos para o rating do Brasil, que está "sob pressão".
Quanto a fatores altistas, o mercado monitora a chegada de uma frente fria ao Centro-Sul a partir de hoje, que pode finalmente trazer chuvas mais consistentes à região. De acordo com a Climatempo, são esperados de 30 mm a 40 mm no sul e no leste e de 10 mm a 30 mm no centro de São Paulo. Precipitações nessa intensidade também devem ser verificadas em Minas Gerais e Paraná.
Nos gráficos, os futuros iniciam a semana com suporte inicial em 10,37 cents/lb, mínima dos dias 10 e 11 de agosto. Os 10,50 cents/lb passaram a ser a primeira resistência.
Na sexta-feira, outubro caiu 18 pontos (1,69%) e fechou em 10,44 cents/lb, com máxima no dia de 10,64 cents/lb (mais 2 pontos) e mínima de 10,41 cents/lb (menos 21 pontos). Março recuou 22 pontos (1,86%) e terminou em 11,60 cents/lb. Na semana, acumularam desvalorizações de 2,24% (menos 24 pontos) e de 2,19% (menos 26 pontos), respectivamente.
O spread outubro/março, que iniciara a semana passada em 118 pontos, fechou sexta-feira em 116 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.
Pelo mais recente relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), fundos reduziram o saldo vendido em açúcar em apenas 35 lotes na semana encerrada em 18 de agosto. A posição passou de 87.237 para 87.202 lotes.
O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a sexta-feira em R$ 46,99/saca, baixa de 0,25% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 13,45/saca (-1,47%).