O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) recomendou que a gigante do agro ACP Bioenergia pare de realizar pulverizações de agrotóxicos, tanto por via aérea como terrestre, a uma distância inferior a 500 metros de povoações, cidades, vilas, bairros e mananciais de captação de água para abastecimento da população.
A recomendação é resultado de investigação de técnicos do MP. Segundo laudo, trabalhadores rurais do Reassentamento Santana, vizinho de uma das fazendas da ACP Bioenergia, em Brasilândia (MS), estão indiretamente expostos a agrotóxicos, aditivos, adjuvantes e produtos afins utilizados nas lavouras de cana-de-açúcar.
As casas da comunidade – instalada no local por conta da criação do reservatório de uma usina hidroelétrica – ficam a uma distância de até 28 metros da plantação da empresa. A análise, ainda segundo o MP, está amparada em entrevistas com trabalhadores, registros audiovisuais e fotográficos, além do exame de documentos.
De acordo com outro laudo, os empregados da ACP Bioenergia também estão expostos ao uso inadequado de agrotóxicos. Um dos casos citados é de um motorista da empresa que era responsável pelo preparo e carregamento da calda (mistura de agrotóxicos e aditivos) na aeronave. Ele não tinha onde tomar banho, o que seria fundamental para evitar eventuais contaminações.
Também é descrito o caso de um trabalhador responsável por manipular os agrotóxicos que não recebeu nenhum treinamento específico para desempenhar a atividade. Além disso, as áreas com os compostos químicos não eram sinalizadas, ainda de acordo com o laudo técnico.
Com nove polos espalhados pelo Brasil, a ACP Bioenergia produziu três milhões de toneladas de cana-de-açúcar na última safra. Em Mato Grosso do Sul, a empresa está instalada nos municípios de Brasilândia, Nova Alvorada do Sul e Rio Brilhante.
Procurada pela equipe de reportagem do Metrópoles, a ACP Bioenergia não se manifestou sobre o assunto.
Gabriella Furquim