A espanhola Abengoa Bioenergia está satisfeita com a comercialização de energia do bagaço de cana em 2014
A espanhola Abengoa Bioenergia, está satisfeita com a comercialização de energia do bagaço de cana em 2014, mas disse na última terça-feira (5) que não pretende expandir seus negócios de cogeração no país.
“Em termos de venda, foi um ano muito bom. Não podemos nos queixar”, afirmou, o diretor de energia da companhia em entrevista ao portal NovaCana. Ele revelou quais as pretensões para o negócio de energia e as condições para que a empresa volte a investir.
Durante evento realizado em São Paulo, o executivo também avaliou o impacto da menor disponibilidade de cana da atual safra nas operações da empresa, que recebe a matéria-prima de terceiros, e teceu comentários sobre a recuperação do setor sucroalcooleiro.
A espanhola Abengoa Bioenergia, está satisfeita com a comercialização de energia do bagaço de cana em 2014, mesmo assim não pretende expandir seus negócios de cogeração no país. Em 2013 a companhia registrou um prejuízo líquido de R$ 151,7 milhões no Brasil.
Em entrevista ao portal NovaCana, o diretor de energia da companhia, Rogério Santos, afirmou que a empresa irá manter os projetos atuais e que não pretende ampliar a produção de bioeletricidade no país. As afirmações foram feitas em um dos intervalos do World Biomass Power Markets Brazil, evento que reuniu esta semana líderes da cadeia sucroenergética e da biomassa em São Paulo.
Questionado sobre a expectativa da empresa quanto à venda de energia elétrica, Santos limitou-se a dizer que tudo dependerá do preço e da disponibilidade de cana.
Em termos de venda de energia, 2014 foi um ano muito bom. Não podemos nos queixar
“Em termos de aumento [ou redução] de venda, [o norte] vai ser o preço, porque o volume de energia é o que nós estamos gerando. Nós não conseguiríamos gerar mais energia. Vai depender também da cana, que temos mais ou menos controlado o volume. Não acredito que possamos ter nenhum aumento significativo”, comentou.
Santos também comentou o resultado positivo da empresa com a venda de energia elétrica em 2014.
“Em termos de venda, foi um ano muito bom. Não podemos nos queixar. O preço da energia estava muito alto, então, você consegue ter um resultado melhor, mas não por volume a mais de energia e sim por preço”, considerou.
Mercado regulado
Alvo de críticas por parte das usinas, a atual política energética do governo para o setor de bioeletricidade deverá ditar as apostas da Abengoa, que já tem praticamente toda a cogeração de energia comprometida no mercado regulado.
“Já vendemos tudo por meio de contratos nos leilões que participamos anteriormente. Se não expandirmos [a produção de bioeletricidade], não vamos entrar em novos leilões. Se o preço [dos leilões] não aumentar, não compensará investir”, analisou.
Recuperação lenta
Confirmando projeções de uma recuperação mais lenta para o setor, que vive uma das piores crises de sua história, Santos relaciona a retomada da indústria à formulação de políticas mais assertivas, que estimulem a competitividade da cadeia de açúcar e álcool.
“Acredito numa recuperação mais lenta do setor, lamentavelmente. Tudo isso está totalmente ligado ao que o futuro político do país trará. Se a política atual continuar, vai ser muito difícil vislumbrar uma melhora no médio prazo. Agora, se ocorrerem as mudanças que o setor está esperando, acreditamos até que no médio prazo possamos estar numa situação melhor”, concluiu.
A Abengoa entrou no mercado de cana-de-açúcar no Brasil em 2007 com a aquisição de duas usinas da Dedini Agro.
A empresa opera duas usinas no país, e tem capacidade para processar cerca de 7,3 milhões de toneladas de cana por safra.
Leonardo Siqueira – NovaCana