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Abengoa pretende moer 5,86 mi ton de cana em 2016/17 e dar continuidade a plano de reestruturação

De acordo com comunicado enviado à imprensa, após encerrar a primeira etapa dos acordos, a empresa prossegue com programa de reestruturação financeira


NovaCana - Publicado: 29 Abr 2016 - 15:17

A Abengoa Bioenergia Brasil, que controla as Usinas São Luiz e São João, localizadas respectivamente em Pirassununga e São João da Boa Vista, afirma que “continua avançando” em suas negociações visando a reestruturação financeira e garantia de uma safra melhor em 2016.

A empresa já havia anunciado em fevereiro que planejava concluir o plano de reestruturação interna para poder renegociar dívidas com bancos e dar continuidade aos pagamentos a fornecedores. A companhia está em uma situação complicada perante os investidores desde que sua matriz espanhola entrou com pedido de recuperação judicial, em novembro de 2015.

Segundo comunicado enviado à imprensa, a Abengoa Bioenergia já apresentou aos fornecedores de cana um plano de pagamento que garante a continuidade dos mesmos referentes a 2015 e, simultaneamente, toda operação para o trabalho ao longo deste ano. Esse plano teria sido apresentado para as entidades representativas do setor sucroalcooleiro e também aos fornecedores de cana. Já com os bancos, a Abengoa também avalia que houve um avanço e as negociações vão prosseguir nas próximas semanas.

“Com os acordos feitos no início do ano, fechados e cumpridos neste mês de abril, conseguimos avançar nas negociações com os fornecedores de cana. Com isso, tenho certeza, teremos tranquilidade para trabalhar a safra 2016”, projeta o diretor Rogério Ribeiro Abreu dos Santos. Ele continua: “O nosso plano de reestruturação, em todas as áreas, está avançando dentro do esperado. Os fornecedores de cana estão aceitando em sua grande maioria nossa proposta de pagamentos referente a 2015. Acreditamos que conseguiremos ultrapassar todos os obstáculos que estamos enfrentando e, a partir de 2017, iniciaremos um período de crescimento de nossas usinas”.

Abreu dos Santos ainda alega que o empenho nas negociações com os produtores de cana alcançou reflexos nas tentativas de acordos com as instituições financeiras. “É evidente que a confiança e garantia da continuidade dos nossos fornecedores conosco, e a projeção de uma boa safra, refletem em nossas negociações com os bancos, independentemente do seu porte no mercado financeiro”, ressalta o diretor.

Por fim, ele afirmou que está descartada a possibilidade de demissões. “Como não paramos a moagem total depois de dezembro, nossa contratação de mão de obra não foi muito alta. Mantivemos uma estrutura mínima para a operação em uma usina e agora estamos preparando as equipes para trabalharmos completos a partir de maio nas duas unidades”, explica o diretor.

Nova safra e etanol celulósico

De acordo com o planejamento da Abengoa para a safra 2016/17, a moagem deve chegar a 5,86 milhões de toneladas de cana – um valor superior às 5,846 milhões toneladas registradas em 2015. Na meta estabelecida para esse ano, também estão estimadas a produção de 485 mil toneladas de açúcar, além de 170 milhões de litros de etanol e a geração de 557 GWh de energia.

“Para um futuro próximo, está em nosso plano também a implantação de um projeto de etanol de segunda geração”, revela Abreu dos Santos. Vale acrescentar ainda que, em entrevista ao novaCana realizada em janeiro, a empresa já havia afirmado que o projeto continuava em andamento: “Nossos projetos de etanol celulósico no Brasil seguem com seu cronograma de implantação e continuamos trabalhando para colocar em operação antes de 2018 a nossa primeira usina de 2G da Abengoa São Luiz, em Pirassununga.”

De acordo com informações do Valor Econômico, em 2014, a empresa conseguiu aprovação de um financiamento de R$ 309,6 milhões junto ao BNDES para a implantação de uma unidade de etanol 2G. “Já investimos muito trabalho para conseguirmos implantar essa primeira unidade e não podemos deixar que essa situação delicada interfira”, afirmou a companhia ao novaCana.

Contudo, os planos mundiais da Abengoa em relação ao 2G foram prejudicados. A unidade de etanol celulósico da companhia nos Estados Unidos está com as atividades suspensas desde dezembro.

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