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Sem Abengoa, captação conjunta de cinco usinas alcança R$ 82 milhões

dinheiro 171014Emissão de CRA envolve agora cinco usinas e terá prazo de três anos

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A emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) com a participação de seis sucroenergéticas prevista no valor de R$ 100 milhões foi reduzida. Inicialmente a minuta da oferta previa a atuação de seis usinas, mas quando apresentada ao mercado, a Abengoa ficou fora da emissão.

Veja a seguir os detalhes da iniciativa e das usinas, a participação da Copersucar na operação, e o total de etanol comprometido pelas unidades para os próximos três anos.

A emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) com a participação de seis sucroenergéticas prevista no valor de R$ 100 milhões foi reduzida. Inicialmente a minuta da oferta previa a atuação de seis usinas, mas quando apresentada ao mercado, a Abengoa ficou fora da emissão.

A proposta inicial apresentada pela Gaia Agro, securitizadora responsável pela emissão em benefício das usinas, à Comissão de Valores Mobiliários (CMV), indicava como devedoras da oferta a Abengoa Bioenergia Agroindustrial, Alcoeste Destilaria Fernandópolis, a Usina Caeté - unidade Paulicéia, Usina Rio Pardo, Usina Ester e Antonio Ruette Agroindustrial.

No entanto, a Abengoa que seria credora de R$ 18 milhões ficou fora da oferta, apresentada ao mercado dia 13 de novembro. O braço de bioenergia da empresa espanhola foi procurado para comentar sua saída da operação, mas não respondeu. As demais participantes da oferta estão em período de silêncio até que ela seja finalizada.

Subtraído o valor de que a Abengoa seria beneficiária, a oferta foi definida em R$ 82 milhões e a totalidade do valor foi captado. O prospecto definitivo foi disponibilizado na segunda-feira (15).

Com a meta alcançada, as usinas Ruette e Ester recebem R$ 18 milhões cada, Rio Pardo e Caeté – Pauliceia ficam com R$ 15,3 milhões cada uma e a Usina Alcoeste com R$ 15,4 milhões.

A operação é lastreada em Cédulas de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) e conta com a participação da Copersucar, com quem as usinas firmaram contratos de fornecimento de etanol pelo período de três anos, relativos à amortização do crédito recebido. Os volumes totais compromissados para entrega à cooperativa até 2018, variam de 25 a 29,4 milhões de litros por cada usina.

Abaixo os dados sobre o etanol a ser fornecido à Copersucar por cada usina, em relação à sua produção total.

1 CRA contrato etanol

O BB Banco de Investimento (líder) e o Banco Fator coordenam a oferta.

A seguir uma síntese dos dados financeiros e de produção de cada uma das sucroalcooleiras participantes da emissão.

Alcoeste

C2 CRA alcoesteontrolada indireta do grupo Arakaki, a Alcoeste está localizada em Fernandópolis, no noroeste paulista, com capacidade de processamento de 1,4 milhões de toneladas de cana por safra, podendo produzir em sua destilaria 115 milhões de litros de etanol.

A própria usina é responsável pelo fornecimento de toda a cana-de-açúcar que demanda. O cultivo é feito em uma área de aproximadamente 22 mil hectares e 100% da colheita é mecanizada.

Em dezembro de 2013 a empresa apresentava uma receita operacional líquida de R$ 125 milhões e lucro líquido de R$ 7,8 milhões. No período, referente a safra passada, foi registrado Ebitda de R$ 48,6 milhões, com margem de 38,9%, e endividamento líquido de R$ 160,5 milhões.

Suas principais concorrentes são a unidade Ouroeste da Bunge, a usina Santa Albertina do Grupo Colombo e a Meridiano da Noble, todos em um raio de até 60 quilômetros da Alcoste.


Caeté

A3 CRA caeté usina Caeté, do grupo alagoano Carlos Lyra, possui quatro usinas totalizando capacidade de moagem de 7,6 milhões de toneladas de cana por safra. Para a produção de açúcar a capacidade é de aproximadamente 429 mil toneladas e para o etanol de 360 milhões de litros. A potência instalada para cogeração é de 91 MW. A unidade Paulicéia (SP) é a único do grupo a produzir somente etanol.

Na safra 2013/2014, a empresa cultivou uma área de cerca de 78,6 mil hectares, sendo que 26,1 mil hectares da área total cultivada pertencem à usina. A companhia possui 50% do seu processo de colheita mecanizado.

No último exercício a Caeté registrou uma receita líquida de R$ 760,4 milhões e prejuízo líquido de R$ 204,5 milhões. Ainda foi registrado Ebitda de R$ 250,3 milhões, com margem de 32,9%, e endividamento líquido de R$ 529,3 milhões.

A empresa aponta como principais concorrentes a Rio Vermelho Açúcar e Álcool, Pedra Agroindustrial - Usina Ipê, Destilaria Generalco e Usina Coruripe.

4 CRA esterUsina Ester

A Usina Ester, localizada em Cosmópolis (SP), possui uma capacidade de processamento para 2,15 milhões de toneladas de cana e instalações para produzir até 130 mil toneladas de açúcar VHP e 100 milhões de litros de etanol hidratado. A planta de cogeração tem capacidade para gerar 200 GWh/ano e pertence a CPFL Renováveis.

A moagem atual é estimada em 1,8 milhão de tonelada. Estão sendo cultivados 30 mil hectares de área plantada, com creca de 90% dos canaviais colhidos mecanicamente.

Na safra 2013/14 a empresa obteve uma receita operacional líquida de R$ 255,2 milhões e prejuízo de R$ 50,1 milhões. No período o Ebitda chegou a R$ 52 milhões, com margem de 20,4%, e endividamento líquido de R$ 256,2 milhões.

A Usina Ester considera suas principais concorrentes a Companhia Usina São João, Grupo Virgolino de Oliveira - Agropecuária Nossa Senhora do Carmo e a Raízen Energia.

5 CRA Rio PardoUsina Rio Pardo

A Usina Rio Pardo, situada em Cerqueira César (SP), possui uma capacidade de processamento de 2,3 milhões de toneladas de cana, podendo produzir até 140 mil toneladas de açúcar VHP e 90 milhões de litros de etanol hidratado.

Na safra 2013/2014, a empresa cultivou uma área de cerca de 30 mil hectares, com 98% da colheita mecanizada.

No exercício encerrado em março de 2014 a Rio Pardo faturou R$ 200,8 milhões e obteve um lucro líquido de R$ 23,9 milhões. O Ebitda da usina alcançou R$ 115,7 milhões e margem de 57,6%. O endividamento líquido totalizava R$ 271,1 milhões.

Usina Açucareira Furlan, Usina Açucareira São Manoel e Zilor Energia e Alimentos são as principais concorrentes da Rio Pardo.

6 CRA RuetteUsina Ruette

A Usina Ruette possui duas unidades no interior de São Paulo, em Paraíso e Uberana, com capacidade combinada para processar 4 milhões de toneladas de cana. As instalações podem gerar 180 mil toneladas de açúcar e 200 milhões de litros por safra. A cogeração tem 28 MW de potência instalada, capaz de exportar 50 GWh.

Na safra passada a Ruette cultivou uma área de cerca de 35 mil hectares de cana, com 93% da área colhida mecanicamente. Na safra 2015/16 a estimativa de moagem é de 3,6 milhões de toneladas, com a produção de 175 mil toneladas de açúcar e 181 milhões de litros de etanol, a exportação de energia deve chegar a 52 GWh.

A empresa encerrou o exercício de 2013 com uma receita líquida de R$ 355,1 milhões e prejuízo de R$ 11,3 milhões. No período a companhia registrou R$ 139,3 milhões de Ebitda com margem de 39,2%. O endividamento atingiu R$ 451 milhões líquidos.

Os principais concorrentes da Ruette são a Nardini Agroindustrial, Grupo Virgolino de Oliveira Agropecuária Nossa Senhora do Carmo e a Usina Santa Isabel.

Documento completo

O prospecto definitivo da emissão, documento destinado a investidores onde são apresentados riscos e condições da oferta, além da situação de cada uma das usinas envolvidas, pode ser acessado aqui.

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