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As 8 questões mais importantes para o etanol nos EUA em 2013

Usinas de etanol: questões e pontos importantes nos EUAO etanol brasileiro é uma das peças do quebra-cabeça. Confira abaixo os detalhes das oitos histórias nas quais o setor deverá prestar atenção em 2013
NovaCana 8 min de leitura
Relatório de uma empresa de informações financeiras levantou os oito pontos mais importantes para o etanol nos EUA em 2013. O etanol brasileiro é uma das peças do quebra-cabeça, junto com a expectativa em relação ao clima, os preços do biodiesel e as particularidades do mercado.

Confira abaixo os detalhes de cada uma das oitos histórias que o setor deverá prestar atenção em 2013:

Usinas de etanol: questões importantes nos EUA
- Nova resolução da EPA para 2013
- Produção de etanol celulósico
- Capacidade de exportação brasileira
- A 'parede de mistura'
- Renewable Identification Numbers (RINs)
- Economia de mistura favorável
- Soja, milho, etanol e biodiesel
- A política e o congresso

Depois de um ano marcado pelos altos preços do milho, a Bloomberg prevê que a questão dos biocombustíveis nos Estados Unidos poderá, em 2013, se resumir a colisões entre as diferentes políticas relacionadas ao tema e entre as políticas e a realidade.

No relatório "Bioenergy – White Paper", divulgado no final de fevereiro, a empresa de informações financeiras e negócios afirma que as resoluções que determinam sobre o uso de etanol - uma que exige uma quantidade mínima de consumo e outra que limita o quanto pode ser usado nos tanques de automóveis – podem vir de encontro uma à outra.

Além disso, outros fatores podem mudar as políticas e as posições acerca dos biocombustíveis, além de influenciar os resultados obtidos com o Renewable Fuels Standard (RFS2), como o relaxamento da política de produção e consumo de biocombustíveis celulósicos, a utilização de créditos ao invés de etanol 'físico' na mistura com a gasolina, e a escolha entre o cultivo de soja ou milho.

Confira abaixo um resumo de cada uma das oito questões-chave apresentadas pelo relatório:

Nova resolução da EPA para 2013

Depois de aumentar, em setembro do ano passado, a quota de consumo de biodiesel para 1,92 bilhões de galões equivalentes, em energia, a etanol, em janeiro deste ano, a Agência de Proteção Ambiental americana (EPA, na sigla em inglês) definiu em 14 milhões de galões equivalentes, em energia, a etanol a meta de produção e consumo de biocombustíveis celulósicos.

A lacuna de 816 milhões de galões na quota de combustíveis avançados poderá ser coberta por biodiesel ou outros combustíveis avançados, mas a expectativa é que sejam usados 150 milhões de galões de combustíveis como diesel renovável e etanol de sorgo, de produção doméstica, e 666 milhões de galões de etanol de cana importado do Brasil.

Para cumprir o objetivo de combustíveis renováveis, devem ser consumidos 13,8 bilhões de etanol de milho. O total de combustíveis renováveis consumidos deve ser de 16,6 bilhões de galões de etanol. Veja mais detalhes sobre o assunto aqui

Produção de biocombustível celulósico

Segundo levantamento da Bloomberg, a nova quota para consumo de biocombustíveis celulósicos deve ser atingida tranquilamente, já que a estimativa da empresa é de que cinco plantas – duas já autorizadas a produzir e três que eles esperam que entrem em funcionamento ainda este ano – produzam 22 milhões de galões.

Capacidade de exportação brasileira

Para atender à maior demanda por combustíveis avançados, seria necessário importar 666 milhões de galões de etanol (2,521 bilhões de litros) de cana do Brasil. A estimativa da Bloomberg, porém, é de que a capacidade de exportação do Brasil ficará ligeiramente abaixo da meta da EPA e não passará de 660 milhões de galões.

Isso porque, enquanto as vendas de veículos flex são incentivadas e a demanda cresce, a oferta não é garantida, já que indústria de etanol está começando a se recuperar da crise dos últimos três anos e o país não está investindo na ampliação da capacidade de refinamento de gasolina. Com isso, o Brasil terá um déficit de energia no setor de combustíveis, o que resultará num aumento da importação de gasolina e na limitação das exportações de etanol.

Num cenário otimista, porém, se a produção de cana alcançar as estimativas ou superá-las, o Brasil poderia exportar 820 milhões de galões de etanol.

A 'parede de mistura'

A parede nada mais é do que a quantidade máxima de etanol que pode ser misturada à gasolina, não só legalmente, mas na prática também, já que, segundo os fabricantes de carro, os veículos não estão preparados para funcionar com mais de 10% de etanol misturado à gasolina.

Traduzida em volume, esta porcentagem quase equivale ao objetivo de consumo de combustíveis renováveis para 2013: 13,4 bilhões de galões. Isso significa que a política que exige a mistura está prestes a colidir com a política que a limita – e ambas foram criadas pela EPA.

Além disso, 0,4 bilhões de galões do que deve ser consumido (para completar os 13,8 bilhões de galões) não poderão ser de etanol, mas de algum outro combustível renovável. A importação de etanol de cana para compor os 'outros combustíveis avançados' também fica limitada, já que não há como utilizá-lo se o limite máximo for atingido.

Renewable Identification Numbers (RINs)

Para implementar os volumes de mistura obrigatória determinados pelo RFS2, foram criados os renewable identification numbers, números de 38 dígitos que acompanham cada galão ou batelada de combustível renovável norte-americano por toda a cadeia produtiva.

Além de 'identificar' os combustíveis renováveis produzidos, os RINs são usados e comercializados como crédito para cumprir a norma de mistura de etanol à gasolina: a mistura deve ser de 10%, mas esse volume não precisa ser 'físico' ou real – é possível misturar uma porcentagem menor e comprar créditos para chegar aos 10%. Só assim é possível contornar a questão da 'parede de mistura', permitindo o uso de etanol de cana e sorgo.

É possível também acumular até 20% do volume de RINs para usar como crédito em anos seguintes. Este acúmulo deve aliviar futuros desencontros entre a produção e o que é exigido pelas normas da EPA.

Economia de mistura favorável

Mesmo com a possibilidade de usar os RINs como créditos, as distribuidoras podem acabar optando pela mistura 'real' de 10% de etanol à gasolina, porque o etanol está muito barato: US$ 2,51 por galão. Em 2012, o preço spot do galão de etanol ficou, em média, 50 centavos mais barato do que o da gasolina.

Se continuar assim, o uso de etanol deve ser maximizado, atingindo a 'parede de mistura'. Neste cenário, RINs devem ser usados para cumprir o objetivo de consumo de combustíveis renováveis e a quota de combustíveis avançados só poderá ser atingida por meio do uso de biodiesel e diesel renovável.

Mesmo com a 'parede de mistura', o relatório sugere que os produtores de etanol americanos não devem limitar sua produção ao volume necessário para atingi-la, porque outros países têm grande demanda por etanol e devem atendê-la utilizando importações, desde que o preço valha a pena. Entre os mercados sugeridos, estão o do Brasil, o da Ásia e o da África.

Soja X Milho

Segundo estudo da Universidade de Illinois, em 2013, será mais lucrativo cultivar milho, no que diz respeito a produtividade e rotação de culturas. Considerando os biocombustíveis e as políticas ligadas a eles, porém, fica mais difícil determinar o que pode ser melhor para os produtores.

Se os produtores acreditarem que o ano será de boas condições climáticas, é possível que o cultivo de milho seja maior do que o de soja. Se isso se confirmar, a produção de etanol de milho será grande, os preços continuarão baixos e o produto será usado para a meta de consumo de combustíveis renováveis. Não será necessário importar etanol de cana e o biodiesel ou o diesel renovável deverão ser usados na quota de combustíveis avançados.

Caso as expectativas dos produtores com relação ao clima sejam frustradas, a produção de milho, de etanol e de soja deverão ser baixas. Para cumprir a RFS2, será necessário usar etanol de milho, RINs acumuladas e etanol brasileiro.

Caso os produtores acreditem na continuação da seca e ela se confirme, haverá pouco etanol de milho e pouco biodiesel. A importação de etanol será necessária. Se as condições climáticas forem boas, no entanto, haverá pouco etanol e o uso de RINs acumuladas será necessário. Porém, com muita soja, a produção de biodiesel deve dar conta da lacuna nos combustíveis avançados.

A palavra final: a do Congresso

Com todas essas possibilidades –e dificuldades – os argumentos de quem se opõe ao RFS2 ganham força. A briga pela revisão das normas e dos objetivos de consumo já está acontecendo e parece que há interesse em desmantelar totalmente as políticas já estabelecidas.

O relatório completo pode ser acessado na íntegra aqui (.pdf em inglês).

Vivian Faria – NovaCana
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