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7 bancos analisam futuros do açúcar: como será a recuperação em 2016?

acucar oculto 060116Mas até que ponto essa melhora influencia o equilíbrio de oferta e demanda? Novos declínios no real podem complicar a recuperação? Veja as perspectivas apresentadas por sete bancos que acompanham o mercado de açúcar

NovaCana 8 min de leitura

Em 2015, os futuros do açúcar subiram pela primeira vez em quatro anos.

A recuperação não foi fácil. Em agosto, o preço chegou a 10,13 centavos por libra, o menor em sete anos, causado em parte pela pressão contínua de sucessivos anos de superávit na produção. O El Niño criou contratempos climáticos e fracos incentivos de preço ameaçaram a produção.

A depreciação do real também teve papel importante, cortando o valor de bens como o açúcar, produto no qual o País é grande player mundial de mercado.

No entanto, a estabilização da moeda aliada à projeção de déficit do adoçante fez com que os preços apresentassem recuperação marcante, sendo uma das poucas commodities a terminar 2015 em valores maiores que no início do ano.

Mas até que ponto essa melhora influencia o equilíbrio de oferta e demanda? Novos declínios no real podem complicar a recuperação? Veja as perspectivas apresentadas por sete bancos que acompanham o mercado de açúcar: ABN Amro, Commerzbank, Goldman Sachs, Morgan Stanley, Rabobank, J Ganes Consulting e Societe Generale.

“O foco para o mercado de açúcar não deveria ser a produção e sim de onde virão os compradores.” Veja os detalhes da opinião de cada banco a seguir.

Em 2015, os futuros do açúcar subiram pela primeira vez em quatro anos.

A recuperação não foi fácil. Em agosto, o preço chegou a 10,13 centavos por libra, o menor em sete anos, causado em parte pela pressão contínua de sucessivos anos de superávit na produção. O El Niño criou contratempos climáticos e fracos incentivos de preço ameaçaram a produção.

A depreciação do real também teve papel importante, cortando o valor de bens como o açúcar, produto no qual o País é grande player mundial de mercado.

No entanto, a estabilização da moeda aliada à projeção de déficit do adoçante fez com que os preços apresentassem recuperação marcante, sendo uma das poucas commodities a terminar 2015 em valores maiores que no início do ano.

Mas até que ponto essa melhora influencia o equilíbrio de oferta e demanda? Novos declínios no real podem complicar a recuperação? Veja as perspectivas apresentadas por sete bancos que acompanham o mercado de açúcar: ABN Amro, Commerzbank, Goldman Sachs, J Ganes Consulting, Morgan Stanley, Rabobank eSociete Generale.

“O foco para o mercado de açúcar não deveria ser a produção e sim de onde virão os compradores.” Veja os detalhes da opinião de cada banco a seguir.

ABN Amro

“Além de fatores de curto-prazo, os fundamentos também apontam para um período prolongado de preços altos.”

“Após cinco anos de excedentes, a produção mundial de açúcar parece caminhar para uma queda no período que se inicia. As projeções mais recentes da Organização Internacional do Açúcar indicam contração de 1,5% ano a ano, trabalhando com 169 milhões de toneladas.”

“Essa queda deve coincidir com um aumento de 2,2% no consumo global de açúcar, que deve alcançar 172,9 milhões de toneladas, gerando déficit de 3,5 milhões de toneladas.”

“Ainda assim, contínuos altos níveis de estoque aliado a atual balança comercial devem restringir a extensão desse aumento.”

“O maior risco para o preço é um El Niño forte, o que poderia afetar negativamente a produção e causar ainda mais escassez.”

Commerzbank

“Os prospectos de déficit foram provavelmente os maiores contribuintes para o aumento de preços.”

“Os players do mercado que trabalhavam com visão de curto prazo certamente foram desestabilizados. Eles mudaram suas posições líquidas curtas que prevaleciam a mais de um ano para posições longas e, nas últimas semanas, vêm apresentando as posições líquidas mais longas desde a metade de 2014.”

“Mesmo que tenham passado por algum tipo de correção para os ganhos de 50%, obtidos do meio de agosto ao início de novembro, ainda não visualizamos no futuro próximo um recuo para qualquer patamar próximo ao menor dos últimos sete anos, em agosto, com uma baixa na casa dos 10 centavos por libra.”

Ao contrário, devem estabelecer níveis mais altos. A forte demanda por etanol no Brasil, puxada pela elevação na mistura e preços mais altos da gasolina, também é um suporte para os preços do açúcar. Consequentemente, mais etanol e menos açúcar serão produzidos.

Porém, o câmbio entre dólar e real permanece como um fator de risco visto que o aumento de preços no terceiro trimestre só foi possível diante de cenário em que a moeda brasileira não perca ainda mais valor.

Nossos analistas de câmbio estrangeiro preveem uma depreciação ainda maior do real em 2016.”

Goldman Sachs

“Os preços tiveram forte recuperação desde que o açúcar alcançou o valor mais baixo dos últimos sete anos, de 10,5 centavos por libra no fim de agosto.

As principais causas por trás desse aumento foram a seca no centro-sul e um rápido crescimento nos preços internos de etanol. Os preços do biocombustível continuaram elevados, então, mesmo com colheita expressiva, uma parcela menor de cana foi convertida em açúcar.

Na Tailândia, a seca induzida pela El Niño atrasou o início da safra.

Clima desfavorável e risco de continuidade da situação, graças às condições do El Niño, apontam para o déficit global de açúcar neste ano.

Diante desse cenário, as grandes exportações da Índia e a renovada fraqueza do real – nossos economistas preveem um câmbio na casa dos R$4,30 por dólar em 12 meses – sugere um mercado melhor abastecido e menores preços em dólares, particularmente na próxima safra.”

J Ganes Consulting

“O foco para o mercado de açúcar não deveria ser a produção e sim de onde virão os compradores.

Para início de conversa, as importações do leste europeu devem declinar pelo segundo período e são agora estimadas em 3,2 milhões de toneladas, ante 3,663 milhões em 2013-14 e 3,422 milhões em 2014-15.

Na temporada atual as importações chinesas devem retornar a patamares observados em 2014-15, com compras que devem alcançar 4,575 milhões de toneladas diante de 4,8 milhões do período anterior.

O mercado de açúcar opera de maneira residual e é primordial para um mercado em contínua ascensão ter necessidades de importação além do que é normalmente realizado.

Sem esse elemento-chave é difícil para o mercado de açúcar sustentar ganhos. Prospectos de produção menor precisam estimular maiores necessidades de importação ou o aperto não será sentido pelo mercado.

Com ações em alta em países consumidores e produtores, é preciso observar de onde virá a próxima grande onda de compras.”

Morgan Stanley

Após mais de um ano de preços baixos, uma queda no estoque mundial, aliada a investimentos limitados em canaviais, devem conspirar para elevar os preços em comparação a 2015/16.

No Brasil, chuvas acima da média e poucos investimentos em plantações diminuíram o ATR acumulado, a quantidade de açúcar produzida por unidade de cana esmagada, à menor em pelo menos seis anos.

Queda nos preços do açúcar e aumento nos impostos sobre a gasolina elevaram a demanda por hidratado a níveis recordes, tornando a produção mais alcooleira. O mix de açúcar deve cair para seu menor nível desde 2008.

A demanda chinesa por importações superou expectativas ao longo do último ano enquanto preços em queda levavam a acentuados declínios na produção. O debate do país sobre o futuro de suas políticas de preços mínimos de suporte deve moldar a demanda de importação a longo prazo.

Rabobank

Os fundamentos do mercado mundial de açúcar são possivelmente mais persistentes que a maior parte das outras commodities agrícolas entrando em 2016, com riscos climáticos intensificados.

A recuperação nos futuros do açúcar bruto deve continuar em 2016. Elevada volatilidade nos preços pode ser esperada visto que a balança de oferta e demanda entra em seu primeiro déficit em seis temporadas.

Com países líderes de produção negociando abaixo dos custos de produção nos últimos dois anos e meio, os investimentos no setor diminuíram e as áreas de cana e beterraba contraíram.

Uma resposta produtiva à recente correção dos preços não é esperada até o início da safra 2016/17, liderada pela China e União Europeia. Déficits no balanço devem ser a nova norma durante os próximos anos.

No entanto, a queda em estoques mundiais recordes vai se manter por algum tempo e os preços altos pesam sobre a demanda.

Societe Generale

Enquanto ainda há risco de queda adicional ao real no curto prazo, com a recente alta e expectativas de mais uma durante a primeira metade de 2016, parece que a pior fase acabou. Com isso, espera-se que o risco relacionado à desvalorização da moeda em relação ao preço do açúcar continue diminuindo.

Olhando para o balanço de oferta e demanda, menores estimativas de produção no Brasil, Índia e Tailândia nos levaram a aumentar o déficit projetado para 2015/16 de 1,26 milhões de toneladas para 2,3 milhões, ainda que isso também seja parcialmente resultado de uma pequena redução na expectativa mundial de consumo.

Mais adiante, espera-se uma cauda mais longa que o normal na safra atual, mas também vemos uma considerável quantidade de cana bisada.

Economicamente falando, os preços domésticos na Índia oferecem pouco incentivo para as usinas exportarem açúcar. Sazonalmente, enquanto a colheita começa, as tendências de preço caem visto que açúcar novo está disponível para o mercado indiano, o que pode ajudar a abrir as portas para exportação.

Com texto do Agrimoney e edição adicional do NovaCana

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