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O que 2017 reserva para os futuros de açúcar?

acucar fundo azul 190117Cinco organizações internacionais fazem suas apostas para o mercado global de açúcar

NovaCana 6 min de leitura

Embora os contratos futuros de açúcar tenham se fortalecido em 2016, o ímpeto parece ter esfriado nos últimos meses do ano.

Será que o mercado não está mais levando em conta os estoques apertados e o esperado déficit da produção global de açúcar? Ou, então, será que a atenção agora se volta para a grande produção esperada em 2018 – graças ao desvanecimento do efeito retardado do El Niño e dos melhores preços –, freando a disparada nos valores?

Cinco organizações internacionais dão suas opiniões para 2017. Confira a seguir as análises do Commerzbank, do Société Générale, da Marex Spectron, da ISO e da Focus Economics.

Embora os contratos futuros de açúcar tenham se fortalecido em 2016, o ímpeto parece ter esfriado nos últimos meses do ano.

Será que o mercado não está mais levando em conta os estoques apertados e o esperado déficit da produção global de açúcar? Ou, então, será que a atenção agora se volta para a grande produção esperada em 2018 – graças ao desvanecimento do efeito retardado do El Niño e dos melhores preços –, freando a disparada nos valores?

Cinco organizações internacionais dão suas opiniões para 2017. Confira a seguir as análises do Commerzbank, do Société Générale, da Marex Spectron e da ISO.

Commerzbank

Para o segundo maior banco comercial da Alemanha, a colheita de cana-de-açúcar brasileira será um fator importante para a cotação de preços. Até agora, entretanto, as previsões são contraditórias.

Para provar seu ponto, a instituição cita dados da Datagro. Segundo a consultoria, a produção de açúcar no Centro-Sul em 2017/18 deverá subir para um valor entre 36,1 e 36,5 milhões de toneladas, contra uma estimativa de 34,1 milhões na atual safra. Também é esperado que cerca de 600 milhões de toneladas de cana sejam processadas, um montante muito parecido com a última temporada.

No entanto, a Unica considera mais provável um declínio na safra de cana-de-açúcar, mesmo em boas condições climáticas. Isso deve acontecer porque os produtores investiram muito pouco na manutenção e modernização de suas plantações durante os últimos anos.

Segundo o Commerzbank, espera-se que o mercado de açúcar permaneça suficientemente apertado para justificar preços próximos de 20 centavos de dólar por libra-peso. “Nós prevemos um preço bruto do açúcar de 19 centavos a libra nos últimos três meses de 2017”, destacam os analistas do banco.

Société Générale

Um dos maiores bancos da Europa, com sede da França, mantém a opinião neutra em relação ao açúcar para o curto prazo, mesmo com as eventuais quedas nos preços registradas recentemente.

“A commodity perdeu um pouco de seu brilho em meio à fraqueza renovada do real brasileiro e ao fracasso do La Niña em se desenvolver”, assinala e continua: “Reiteramos que, na ausência de novas e significativas informações, inclusive sobre o clima, os preços do açúcar devem continuar a flutuar de acordo com a competitividade do mercado e a produção brasileira”.

As previsões do banco para os preços do açúcar futuro permanecem, dessa forma, inalteradas. “A despeio das condições climáticas adversas, nós acreditamos que o mercado de açúcar terá um superávit de 3,5 milhões de toneladas em 2017/18, contra um déficit de 2,6 milhões de toneladas em 2016/17”.

No entanto, acrescentam, o estoque global de uso deve cair de 19,6% em 2016/17 para 18,9% em 2017/18, um nível semelhante ao de 2010/11, quando os preços do açúcar atingiram 35,31 centavos por libra-peso.

Marex Spectron

A trader britânica diz que, agora, todo mundo está tentando avaliar qual é o ‘momento certo’ para comprar. “Mas, ao mesmo tempo, todo mundo se lembra que, durante o mercado de baixa, era muito ruim ir contra a tendência”.

Para a companhia, a chave para a virada do mercado será a paridade entre açúcar e etanol no Centro-Sul brasileiro durante a safra que começará em abril. A perspectiva para o etanol no Brasil é otimista, segundo a Marex Spectron, mas o preço comercialmente vinculado ao da gasolina faz com que ele fique relativamente fixado. “No entanto, como um amigo nos disse: se o Centro-Sul espirra, todos nós ficamos resfriados”.

Assim, se o mercado mundial para 2017 chegar a qualquer ponto perto do que poderia ser a paridade açúcar-etanol, isso significaria a derrubada do principal fundamento do argumento de baixa: um mix de produção voltado tanto quanto possível para a produção de açúcar.

ISO

A Organização Internacional de Açúcar (ISO, na sigla em inglês) afirma que, em suma, supondo condições meteorológicas normais nos próximos 21 meses, está entrando no horizonte uma produção e um consumo global bastante equilibrados. “Anunciando um possível fim da fase de déficit no ciclo mundial de açúcar já na próxima temporada”, relata.

Em agosto, a ISO sugeriu que a situação vislumbrada para a safra global de 2016/17 forneceu um indicador claro para o mercado mundial de açúcar. Ou seja, os valores pareciam estar preparados para continuar se fortalecendo.


Essa é a segunda temporada consecutiva com um déficit estatístico significativo, o que, segundo a instituição, traria uma queda esperada maciça de 11,1 milhões de toneladas nos estoques globais (ao longo das duas safras). O resultado é um bom augúrio para os altos valores no mercado mundial, aponta a ISO.


“Qualquer alívio do preço em reação às expectativas de um possível retorno de um cenário mais equilibrado de oferta e demanda mundiais em 2017/18 pode ser atenuado devido a um nível criticamente baixo de estoques, previsto para o início do próximo ciclo de outubro a setembro”, explica a instituição.

Focus Economics

“O impressionante rally nos preços do açúcar visto desde o início do ano parece ter atingido seu teto em 23,30 centavos de dólar por libra-peso no final de setembro e tem declinado lenta, mas constantemente desde então”, destacam os analistas da Focus Economics.

O açúcar foi negociado por US$ 21 centavos por libra em 4 de novembro de 2016. O preço caiu 6,5% em relação ao mesmo dia do mês anterior, mas estava 46,3% acima na comparação anual. “Este ano, o aumento do preço do açúcar foi reflexo da desaceleração da produção nos principais produtores, o que deverá causar um déficit no mercado de açúcar”.

No entanto, de acordo com a Focus, a recente queda revelou que os analistas de mercado estão se concentrando em um possível superávit em 2018. Isso teria levado alguns especuladores a sair do mercado: “Os analistas esperam que os preços cheguem a 19,6 centavos de dólar por libra nos últimos três meses de 2017”.

William Clarke, Agrimoney

Tradução e adaptação do NovaCana

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