Para transmitir imagem otimista ao mercado, a Odebrecht Agroindustrial se apoia especialmente na performance dos seus números de produção, com ênfase nas metas de crescimento para a atual safra
Após um processo difícil de renegociação de dívidas – que só foi possível após um aporte de R$ 6 bilhões – e de um prejuízo anual de R$ 1,9 bilhão, a Odebrecht Agroindustrial está se esforçando para transmitir uma imagem otimista ao mercado. Para isso, a companhia se apoia especialmente na performance dos seus números de produção, com ênfase nas metas de crescimento para a atual safra.
“Para a safra 2016/2017, que teve início em abril deste ano, nossas perspectivas são positivas, considerando a recuperação do preço do açúcar no mercado mundial e a competitividade do etanol no Brasil”, alega o presidente da Odebrecht Agroindustrial, Luiz de Mendonça.
A seguir, confira 13 metas da empresa para a safra 2016/17:
- Moagem de cana-de-açúcar
- Produção de açúcar
- Produção de etanol
- Exportação de energia elétrica
- Toneladas de cana por hectare (TCH)
- Toneladas de açúcar por hectare (TAH)
- Custo de corte, carregamento e transporte
- Composição do plantio de cana-de-açúcar
- Trato de cana soca
- Área de formação de lavoura
- Ebitda e Margem Ebitda
- Receita líquida
- Geração operacional de caixa
Após um processo difícil de renegociação de dívidas – que só foi possível após um aporte de R$ 6 bilhões – e de um prejuízo anual de R$ 1,9 bilhão, a Odebrecht Agroindustrial está se esforçando para transmitir uma imagem otimista ao mercado.
Para isso, a companhia se apoia especialmente na performance dos seus números de produção, com ênfase nas metas de crescimento para a atual safra.
“Para a safra 2016/2017, que teve início em abril deste ano, nossas perspectivas são positivas, considerando a recuperação do preço do açúcar no mercado mundial e a competitividade do etanol no Brasil”, alega o presidente da Odebrecht Agroindustrial, Luiz de Mendonça, em relatório da companhia.
Metas de moagem e de redução de custos
De acordo com Mendonça, será possível atingir as metas estabelecidas se a empresa se manter focada na busca por melhores resultados operacionais e financeiros e, também, em aspectos como segurança e qualidade. Entre esses objetivos está a ampliação da moagem da companhia, que, de acordo com as metas da empresa, passaria de 29,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2015/16 para 30,7 milhões de toneladas.

Consequentemente, o aumento da moagem contribuiria para a redução dos custos com corte, carregamento e transporte por tonelada de cana-moída, possibilitando um aumento do lucro operacional da companhia. A expectativa é que os custos caiam de R$ 34,7/t para R$ 30,7/t.
“No último ano, finalizamos a expansão da Unidade Eldorado, localizada em Rio Brilhante (MS), que passou a contar com a maior moenda do mundo e com uma desidratadora para a produção de etanol anidro”, relata a companhia em seu relatório anual. Ainda segundo o documento, o investimento neste projeto foi de aproximadamente R$ 300 milhões e resultou em um aumento de 66% na capacidade de moagem, que passou de 2,1 milhões de toneladas, em 2008, para 3,5 milhões de toneladas.
“Para aproveitar as oportunidades do mercado e fortalecer a estrutura de caixa, concentramos nossos esforços em ações de redução de custos e de melhorias logísticas”
Além de realizar essa ampliação, a Odebrecht Agroindustrial também se mostrou disposta a alterar processos para garantir a redução de custos. Um exemplo é a desaceleração das operações industriais da Unidade Alcídia, em Teodoro Sampaio (SP).
“As atividades agrícolas foram mantidas e a cana-de-açúcar colhida foi direcionada para a Unidade Conquista do Pontal, em Mirante do Paranapanema (SP)”, relata a empresa, que complementa: “Com essa forma de gestão integrada, otimizamos a contratação de produtos e serviços e asseguramos tomadas de decisões mais rápidas, em linha com as necessidades comerciais”.
Metas de produção
Para 2016/17, o objetivo da companhia é registrar uma produção elevada de açúcar VHP e aproveitar o bom momento dos preços. A meta é para uma produção 39% superior à registrada em 2015/16, chegando a 634 mil toneladas.

Por sua vez, as metas para a produção de etanol são mais modestas. A companhia prevêum aumento de 3% na produção de hidratado – que passará a ser de 1,4 bilhão de litros – e de 5% na produção de anidro, totalizando 676 mil litros. Somando os dois produtos, a Odebrecht Agroindustrial estabeleceu 2,12 bilhões de litros como seu objetivo para 2016/17.

Segundo a companhia, também foi fechado um acordo de cooperação comercial com um grupo do setor petroquímico nos Estados Unidos para importação e exportação do biocombustível. O acordo adota um modelo de combinação de cargas com a Braskem, o que reduziria em até 15% o custo do frete marítimo.
“Na comercialização de etanol, ampliamos a utilização de modais complementares ao rodoviário – tais como o etanolduto, que já conecta o Terminal de Uberaba (MG) com a refinaria de Paulínia, no interior do estado de São Paulo, e o sistema de cabotagem”, relata a companhia em comemoração aos resultados de 2015/16.
Além disso, um dos grandes destaques do resultado de 2015/16, a cogeração também não verá grandes mudanças na nova safra. Enquanto a temporada passada registrou uma ampliação de 39% na exportação de energia elétrica, chegando a 2.121 GWh, a nova meta prevê um crescimento de 5%, alcançando 2.240 GWh.

“No segmento de energia, as comercializações atenderam plenamente os contratos de longo prazo firmados nos leilões do mercado regulado e também houve exportações destinadas ao mercado livre”, completa o relatório.
Metas agrícolas
Além de aumentar a moagem, a Odebrecht afirma estar priorizando a colheita da cana-de-açúcar de 18 meses, que geraria maior produtividade e melhoraria a qualidade do canavial. Segundo a companhia, a cana com esse destino representou 52% do plantio em 2015/16, índice que deve subir para 57% na atual safra e para 59% em 2017/18.

Dessa forma, a empresa também prevê uma diminuição das áreas ocupadas com cana soca, que passaria de 252 mil hectares em 2015/16 para 239 mil hectares em 2016/17.

Já a área destinada a formação de lavoura continua inferior à registrada em 2013/14 e 2014/15. Em 2015/16, a empresa reservou 46 mil hectares para esse fim, índice que deve subir para 59 mil hectares em 2016/17.

A motivação da renovação do canavial visa principalmente uma cana mais produtiva e não necessariamente uma quantidade maior de plantas por hectare. Embora o índice de toneladas de cana por hectare (TCH) tenha subido de 68 t/ha em 2014/15 para 77 t/ha em 2015/16, a expectativa é que ocorra uma pequena queda em 2016/17, indo para 76 t/ha.
Já com relação ao indicador de toneladas de açúcar por hectare (TAH), que mede a produtividade e a qualidade da cana, a empresa espera uma nova alta. De 2014/15 para 2015/16, a evolução foi de 11,8%, indo de 8,59 t/ha para 9,75 t/ha. Agora, é meta é atingir uma média de 9,95 t/ha. O plantio no período atingiu 46 mil hectares, sendo 84% de áreas de renovação de canavial.

A Odebrecht ainda apontou que, na safra 2015/2016, trabalhou com 31 fornecedores de cana-de-açúcar, responsáveis por uma produção de 4,9 milhões de toneladas – ou 17% do total da moagem no período. “Nossa estimativa é que, nos próximos quatro anos, a participação dos parceiros seja responsável por 30% do total processado e nossa meta é chegar a 40%”, aponta o relatório.
Metas financeiras
Mesmo com a esperada redução dos custos, a Odebrecht Agroindustrial não prevê um aumento expressivo em sua geração de caixa operacional, que passaria de R$ 1,04 bilhão para R$ 1,11 bilhão (+6,8%). Entre 2014/15 e 2015/16, esse crescimento foi de 44,2%.

Ainda assim, a maior produção e o bom momento dos preços devem elevar significativamente a receita líquida, que passará de R$ 3,68 bilhões para R$ 4,79 bilhões (+30,3%). Esse aumento de R$ 1,11 bilhão é levemente inferior ao registrado entre 2014/15 e 2015/16, quando a companhia aumentou sua receita em R$ 1,15 bilhão.

A meta também envolve a ampliação tanto do índice Ebitda, que considera o lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização, quanto da Margem Ebitda, capaz de dar uma noção comparativa sobre o retorno em termos de dinheiro em caixa, indicando que a empresa deve aumentar sua eficiência.
Sem considerar o valor da cana em pé, o Ebitda deve ser crescer de R$ 1,11 bilhão para R$ 1,96 bilhão no período de um ano, enquanto a Margem Ebitda irá de 30% para 41%.

“Temos sido impactados negativamente, nos últimos cinco anos, pela ausência de políticas e ações governamentais que aumentem a competitividade do etanol frente aos combustíveis fósseis e estimulem a adoção de fontes renováveis para a geração de energia”, comenta o relatório da Odebrecht, que ameniza: “Apesar deste cenário, nossos investimentos em duas unidades adquiridas e outras sete unidades greenfield totalizam mais de R$ 10 bilhões”.
Segundo a companhia, no fechamento da safra 2015/2016, a dívida líquida totalizava R$ 11,5 bilhões, com 64,8% para vencimento a partir de 2017. Com a recente renegociação, os prazos dos financiamentos teriam sido ajustados “conforme a capacidade de geração de caixa da empresa”.
Renata Bossle – NovaCana