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As 11 exigências do RenovaBio para os canaviais – dados farão diferença na lucratividade das usinas

A RenovaCalc pede dados objetivos sobre a etapa agrícola da produção dos combustíveis renováveis – do plantio da matéria-prima ao transporte para a usina

NovaCana 9 min de leitura

A promessa de rentabilidade do RenovaBio pode ser bastante atraente para as usinas do setor de açúcar e etanol. A entrada no programa, contudo, depende do preenchimento da calculadora do programa, a RenovaCalc, e da comprovação das informações apresentadas.

A ferramenta, que está em processo de consulta pública, exige números específicos para cada etapa de produção do etanol, a fim de calcular a emissão de gases de efeito estufa (GEE). Para a etapa agrícola – plantio, colheita e transporte de cana-de-açúcar à usina –, a lista de parâmetros cobrados envolve 11 itens que passam a ser de interesse direto das usinas e canavieiros, que serão afetados pela nota final.

As empresas que optarem por se preocupar com estes itens só quando o RenovaBio entrar em vigor, terão enormes surpresas e, lamentavelmente, pouco poderão aproveitar da receita extra com a venda de CBios. Neste momento, navegar por esta lista de 11 itens sinaliza um olhar atento para o futuro do negócio. Abre-se uma oportunidade para os CEOs, através dessas exigências, envolverem toda a empresa com o objetivo de melhorar a eficiência.

No texto abaixo, o NovaCana continua sua série envolvendo os pontos crucias para usinas e canavieiros capitalizarem sobre o RenovaBio.

A promessa de rentabilidade do RenovaBio pode ser bastante atraente para as usinas do setor de açúcar e etanol. A entrada no programa, contudo, depende do preenchimento da calculadora do programa, a RenovaCalc, e da comprovação das informações apresentadas.

A ferramenta, que está em processo de consulta pública, exige números específicos para cada etapa de produção do etanol, a fim de calcular a emissão de gases de efeito estufa (GEE). Para a etapa agrícola – plantio, colheita e transporte de cana-de-açúcar à usina –, a lista de parâmetros cobrados envolve 11 itens que passam a ser de interesse direto das usinas, que serão afetadas pela nota final.

Alguns dos indicadores mais básicos exigidos pela RenovaCalc envolvem sistema de plantio, área total, área queimada e volume total de cana produzido pela propriedade rural. Mas a calculadora do governo também precisa de números mais específicos, como a quantidade de fertilizantes sintéticos e orgânicos usados na lavoura, por exemplo.

Além disso, é importante que usineiros e fornecedores registrem seus próprios valores para preencher a calculadora. Embora exista uma opção de preenchimento com dados padrão, ela traz números propositalmente piores. Eles funcionam como uma forma de sanção aos produtores de biocombustíveis que não utilizam informações próprias para o cálculo da nota de eficiência energético-ambiental.

A seguir, o NovaCana traz a lista completa dos 11 dados agrícolas que o programa federal irá cobrar das usinas e de seus fornecedores.

  1. Sistema de plantio: Essa categoria pede ao produtor que discrimine como é cultivada a cana-de-açúcar em sua propriedade. A nota técnica da RenovaCalc especifica três tipos de plantio: convencional, com preparo primário do solo por meio de arado; secundário, por grades ou plainas, com a semeadura feita a lanço ou em linha; e direto, com rotação de culturas, que é quando a semente é colocada em cova no solo não revolvido e a lavoura de cana é alternada com outra espécie na mesma área. Esse indicador é para fins de informação e não interfere no cálculo da emissão de gases estufa pela unidade produtora de etanol.
  2. Área total: O dado corresponde a toda a área da unidade de produção, ou seja, é a soma das áreas colhida, de produção das mudas, de reforma, de cana de ano e meio e de cana bisada. Esse valor deve ser incluído na RenovaCalc em hectares e a verificação é por técnicas de geoprocessamento e imagens de satélite, de resolução espacial melhor ou igual a 30 m. Assim como o item anterior, a área total é informada para fins de controle e não interfere diretamente na nota final.
  3. Área queimada: Essa é a soma das áreas que sofreram queima, seja ela com autorização, restrita à eliminação de resíduos da plantação, acidental ou até mesmo criminosa. Esse dado, também medido em hectares, deve ser verificado por meio de um sistema de Plant Information Management System (PIMS).
  4. Produção total de cana: Refere-se ao total anual de cana colhida destinada à moagem (soma de colmos, impurezas vegetais e minerais). Esse parâmetro deve ser preenchido na calculadora em toneladas de cana com base úmida e a checagem será por meio dos registros internos (no caso das usinas com produção própria de cana) ou pela nota fiscal (para compra de matéria-prima).
  5. Teor médio de impurezas vegetais: Esse índice está contido no total da cana produzida. Além de ser reportado em quilogramas por tonelada de cana-de-açúcar em base úmida, ele também envolve o teor de umidade dessas impurezas, que deve ser informado em valores percentuais.
  6. Teor médio de impurezas minerais: Assim como acontece com o dado anterior, esse indicador é em quilogramas por tonelada de cana-de-açúcar em base úmida. A informação deve constar nos registros internos da usina ou do fornecedor.
  7. Palha recolhida: A quantidade de palha recolhida anualmente – seja palha enfardada ou recolhida por forrageira – será contabilizada na RenovaCalc em quilogramas por tonelada de cana em base seca. A verificação desse volume será feita com base nos dados da usina (para a produção própria de cana) ou por meio de nota fiscal de compra (para a cana de fornecedores).
  8. Consumo de corretivos: Esse valor se refere à quantidade consumida de cada corretivo agrícola (calcário calcítico, calcário dolomítico e gesso agrícola), dividida pela quantidade de cana produzida. Esse parâmetro deve ser informado em quilogramas por tonelada e é calculado com base na nota fiscal de compra desses insumos e no monitoramento do estoque de cada usina.
  9. Consumo de fertilizantes sintéticos: Nesses campos é considerada a quantidade consumida de cada elemento (N, P2O5 e K2O por fonte), aplicados na área total, em relação à quantidade de cana produzida. A medida da quantidade de fertilizantes sintéticos deve ser informada em quilogramas de cada produto por tonelada de cana-de-açúcar produzida. Essas informações são confirmadas pelas notas fiscais de compra de insumo e pelo controle interno de estoque.

    Além disso, cada fonte de fertilizante possui uma quantidade específica de N, P2O5 e K2O em porcentagem. Para identificar essa fonte desses elementos, as usinas devem consultar o rótulo do fertilizante ou um documento com especificações técnicas.

    No caso da aplicação de formulados (NPK), também é necessário identificar a fonte e a quantidade de cada elemento.
  10. Consumo de fertilizantes orgânicos e organominerais: Esses dados se referem ao volume de resíduos industriais e outros fertilizantes organominerais utilizados como fertilizantes, por tipo de resíduo (vinhaça, torta de filtro, cinzas e fuligem, outros) e são calculados pela quantidade aplicada na área total, dividida pela quantidade de cana produzida. A usina também precisa informar o teor de nitrogênio (N) em cada fertilizante, que é medido pela RenovaCalc em quilogramas por tonelada de cana. Esses números devem ser conferidos por meio da nota fiscal de compra dos fertilizantes e pelo monitoramento do estoque. O teor de nitrogênio é informado pelo fabricante do insumo ou deve ser determinado por análise de laboratório.
  11. Consumo de combustíveis e eletricidade da rede: O consumo de combustíveis (soma das operações agrícolas, irrigação, transportes da cana, palha, vinhaça, torta de filtro, cinzas, deslocamento de pessoas etc.) será considerado em relação à quantidade total de cana. Devem ser contabilizados os combustíveis próprios e de terceiros. Por exemplo, se a colheita da cana é terceirizada, o combustível utilizado para esta operação deve ser contabilizado. Os combustíveis devem ser inseridos na calculadora em litros ou metros cúbicos consumidos por tonelada de cana. A eletricidade é contabilizada em kWh por tonelada de cana. Os tipos de combustível a serem informadas são: 

    - Diesel: B8, B10, BX, B20, B30 (no campo BX, o X representa o teor de mistura de biodiesel vigente no ano de referência para o preenchimento)
    - Biodiesel: B100

    Para verificar o volume de combustíveis, será consultada a nota fiscal de compra e o controle interno de estoques. No caso da energia elétrica, será conferido o consumo na conta de luz da unidade. A eletricidade do setor administrativo da usina também deve ser considerada na contabilidade.

Etanol de segunda geração

O etanol de primeira geração é o mais produzido no Brasil e seus parâmetros para a etapa agrícola da RenovaCalc servem de guia para outras fontes do renovável. No caso do etanol de segunda geração não são medidas emissões de gases estufa para o campo, uma vez que a matéria-prima foi considerada como resíduo.

No caso de usinas em que as duas modalidades são integradas, valem os critérios preenchidos na calculadora para a fase agrícola do etanol de primeira geração, sem atribuição de emissões para a produção de renovável de segunda geração.

Etanol de milho

No caso do etanol a partir de milho, quase todos os parâmetros a serem inseridos na RenovaCalc são similares aos da cana-de-açúcar. Há também um item adicional sobre as sementes de milho usadas na produção, que se refere à quantidade total de sementes utilizadas para o plantio dividida pela colheita total. O resultado desse cálculo deve ser inserido na calculadora em quilogramas por tonelada de milho.

Outros detalhes a serem considerados para esse tipo de etanol é que está previsto mais um sistema de plantio, além dos três descritos para a cana. Trata-se do tipo mínimo ou reduzido, que utiliza menor mobilização do solo quando comparado ao sistema convencional. A semeadura é realizada diretamente sobre a cobertura vegetal previamente dessecada com herbicida, sem revolver o solo.

Por fim, no caso das usinas que produzem combustível a partir de cana-de-açúcar e milho (flex) basta preencher a RenovaCalc, separadamente, com os dados das duas matérias-primas.

Nicholle Murmel – NovaCana

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