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10 empresas especializadas revisam suas estimativas para a safra de cana do Centro-Sul

Com a temporada 2018/19 avançando para sua reta final, consultorias consolidam previsões. Após meses de seca, usinas precisam saber o que esperar para esta fase decisiva

NovaCana 10 min de leitura

Os analistas do mercado sabem muito bem que uma safra não é igual à outra, nem nunca será. Porém, nesta temporada, as usinas estão tendo que lidar com uma dinâmica ainda mais intensa.

O excesso de açúcar no mercado derrubou seus preços e a perspectiva é que eles sigam deprimidos por um bom tempo. Isso, junto ao valor elevado do petróleo e da gasolina, gerou uma pressão forte para as usinas alterarem o mix para o etanol.

O resultado são estoques recordes do renovável, já que o consumo demorou para se aquecer, mesmo que as usinas tenham reduzido o preço do biocombustível para um nível histórico em relação à gasolina. O incremento no consumo parece evitar, por ora, novas quedas de preço do etanol.

As usinas ainda precisam lidar com a variação do câmbio – e com o real desvalorizado como consequência da aproximação da eleição presidencial brasileira –, o que influencia nos valores tanto do açúcar quanto dos combustíveis. Assim, o mercado sucroenergético e as estratégias das usinas precisam se ajustar.

Considerando o cenário atual – e que a safra 2018/19 do Centro-Sul já se aproxima da metade –, o NovaCana atualizou seu levantamento com consultorias e empresas especializadas no setor sucroenergético, confirmando o que vem pela frente para que as usinas possam aproveitar melhor os próximos meses.

Com as variações observadas e o período de seca visto neste ano, o setor precisa entender o que é esperado até o final da temporada para, assim, definir qual é o melhor caminho para cada companhia. Ainda mais em um cenário de mix pouco açucareiro e de uma estiagem que fará as operações da safra terminarem antes do previsto.

O levantamento do NovaCana reuniu projeções para moagem, quantidade total de ATR, qualidade da cana, mix de produção das usinas e produção de açúcar e etanol. Ao todo, são apresentados 10 gráficos e tabelas comparativas.

Os analistas do mercado sabem muito bem que uma safra não é igual à outra, nem nunca será. Porém, nesta temporada, as usinas estão tendo que lidar com uma dinâmica ainda mais intensa.

O excesso de açúcar no mercado derrubou seus preços e a perspectiva é que eles sigam deprimidos por um bom tempo. Isso, junto ao valor elevado do petróleo e da gasolina, gerou uma pressão forte para as usinas alterarem o mix para o etanol.

O resultado são estoques recordes do renovável, já que o consumo demorou para se aquecer, mesmo que as usinas tenham reduzido o preço do biocombustível para um nível histórico em relação à gasolina. O incremento no consumo parece evitar, por ora, novas quedas de preço do etanol.

As usinas ainda precisam lidar com a variação do câmbio – e com o real desvalorizado como consequência da aproximação da eleição presidencial brasileira –, o que influencia nos valores tanto do açúcar quanto dos combustíveis. Assim, o mercado sucroenergético e as estratégias das usinas precisam se ajustar.

Considerando o cenário atual – e que a safra 2018/19 do Centro-Sul já se aproxima da metade –, o NovaCana atualizou seu levantamento com consultorias e empresas especializadas no setor sucroenergético, confirmando o que vem pela frente para que as usinas possam aproveitar melhor os próximos meses.

Com as variações observadas e o período de seca visto neste ano, o setor precisa entender o que é esperado até o final da temporada para, assim, definir qual é o melhor caminho para cada companhia. Ainda mais em um cenário de mix pouco açucareiro e de uma estiagem que fará as operações da safra terminarem antes do previsto.

Moagem em baixa, mas estável

Em relação ao último levantamento, a moagem média esperada caiu ainda mais: 565,90 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Porém, em comparação com o que foi projetado no início da safra, a queda é de quase 20 milhões de toneladas. Em fevereiro, a previsão era de que seriam moídas 587,58 milhões de toneladas.

Essa possibilidade de resultado para a safra 2018/19 não era inicialmente esperada e está surpreendendo negativamente as companhias. A cada nova estimativa lançada, o número previsto para a moagem diminui, mesmo que, nos últimos meses, de forma mais suave.

info estimativas ago18

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em seu segundo levantamento, explicou que os problemas climáticos na safra anterior e a devolução de terras arrendadas farão a área colhida na região Sudeste ser menor que no passado, causando uma leve diminuição na produtividade.

Mesmo que o Centro-Oeste tenha um pequeno incremento na área colhida em relação à safra passada, o Sul também observará uma queda, de 2,3%, principalmente “nas áreas de fornecedores que foram reconvertidas para produção de grãos, áreas que não podem ser mecanizadas e áreas em que não foi possível realizar toda a colheita devido ao excesso de chuvas no final da safra passada”.

Por mais que a Conab tenha previsto o melhor resultado para a safra dentre as instituições pesquisadas, sua estimativa é que a moagem final será menor que a de 2017/18.

estimativa moagem ago18

Já a Agroconsult, cuja estimativa está próxima à média das consultorias, vem diminuindo suas previsões a cada novo levantamento. O principal argumento é a queda no índice de vegetação observado via satélite, especialmente em São Paulo.

No começo de agosto, o indicador chegou a estar 2% menor que em 2017/18 e 1,6% menor que a média dos últimos cinco anos. Considerando que essa é a época de maturação e colheita, o resultado final da safra será influenciado negativamente por isso, ficando abaixo do esperado inicialmente.

estimativa elasticidade ago18

A consultoria FG/A manteve sua estimativa de produção entre os dois levantamentos. O analista João Henrique Rissi justifica: “Ainda acreditamos nesta disponibilidade de cana, mas não descartamos que o setor opte por bisar parte deste volume e colha apenas na safra 2019/20”.

Já a Datagro reduziu sua estimativa de moagem e a perspectiva futura não é tão otimista. “A seca recente no país tende a ser mais sentida na próxima safra, 2019/20, uma vez que ela afetou o desenvolvimento da cana que será colhida só no próximo ano”, afirmou o presidente da consultoria, Plinio Nastari, durante teleconferência.

estimativa evolução ago18

Cada vez mais etanol, cada vez menos açúcar

A mais recente previsão divulgada pela Datagro relata uma queda na produção de açúcar em comparação com a safra anterior. Ainda assim, é esperada certa manutenção no rendimento industrial, já que as usinas continuam a alocar uma parcela da cana para a produção da commodity.

"Nossa previsão leva em consideração um mix de 37,1% (do total de cana) para o açúcar", comentou Nastari. Em comparação com a safra passada, quando o percentual havia sido de 46,5% para a commodity, a diminuição é palpável.

“O total de matéria-prima destinada à produção de álcool hidratado, usado diretamente nos tanques de veículos, superou o de açúcar pela primeira vez em 21 anos” Plinio Nastari

Fabio Meneghin, da Agroconsult, explica que a sobra de açúcar da safra passada já determinava um mix mais alcooleiro para 2018/19, o que vem sendo cada vez mais definido pelo mercado. A comparação do mix de produção entre as duas safras mais recentes, no começo de agosto, ainda demonstra que, enquanto 48,4% foi direcionado para o açúcar em 2017/18, esse índice já caiu para 36,5% na atual temporada.

Já a FG/A é responsável pelo menor mix direcionado para o açúcar dentre as consultorias, com 36,2% da cana sendo direcionada para o açúcar. “Com o mix realizado da primeira quinzena de agosto, superior ao que estimávamos, ajustamos a curva e, dessa forma, houve redução do mix de açúcar para a safra atual”, explica Rissi.

estimativa mix ago18V2

Em um podcast lançado pelo Rabobank, o estrategista global de açúcar da instituição, Andy Duff, comentou que “a baixa produtividade dos canaviais, prejudicados pela seca prolongada, junto à alta porcentagem de cana moída para etanol nesta safra, aponta para uma queda de 7 ou até 8 milhões de toneladas na produção de açúcar brasileiro em 2018/19, em comparação com a safra passada”.

estimativa acucar ago18

A Conab, responsável pela maior previsão de produção da commodity dentre as empresas consultadas, também afirma que os números seguem um movimento de retração e diminuiu sua estimativa. Por outro lado, a companhia afirma que, motivada pelo melhor fluxo de comercialização, a produção total de etanol deve aumentar, e mudou sua previsão – que era a mais baixa no levantamento anterior – para 28,5 bilhões de litros, um valor próximo à média das consultorias.

estimativa etanoltotal ago18

A consultoria especializada Job Economia e Planejamento também elevou sua projeção de produção total de etanol, apesar de esperar uma redução de 8% na moagem de cana devido à seca. “Os preços do petróleo e da gasolina mais elevados dão suporte para os preços do etanol e aumentam sua competitividade na bomba”, afirmou o sócio-diretor da Job, Júlio Maria Borges, explicando que a rentabilidade do biocombustível leva as usinas a direcionarem mais cana para o produto.

O setor sucroenergético brasileiro vem impulsionando a produção de etanol em razão da sua melhor remuneração, especialmente graças ao forte consumo interno e ao derretimento das cotações internacionais do açúcar, que, na penúltima semana de agosto, atingiram o menor nível em uma década.

estimativa prodestimativa ago18

Maior qualidade compensa parcialmente

A severa estiagem no Centro-Sul, que vem sendo observada desde o outono, acendeu o sinal de alerta para a safra de cana do próximo ano, uma vez que a cultura tende a chegar ao período úmido, a partir de setembro, sem muita margem para chuvas abaixo da média, disseram especialistas à Reuters.

Ainda assim, por ora, essa estiagem contribuiu para a concentração de sacarose nas plantas. O nível de açúcares totais recuperáveis (ATR), na estimativa da Datagro, deverá atingir 141,75 kg por tonelada de cana processada em 2018/19, alta de 3,8% na comparação anual.

estimativa atr ago18

A Job Economia aumentou bastante sua estimativa entre os últimos levantamentos. Na comparação, como consequência do clima seco, o rendimento industrial foi elevado de 135,1 para 139,4 kg por tonelada de cana.

Assim, na safra 2018/19, a estiagem foi recebida de duas formas: na diminuição das perspectivas de moagem, já que canaviais envelhecidos – realidade de grande parte da região – sofrem mais com climas adversos, e no aumento da qualidade da cana. Mas quais as consequências para os próximos anos?

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“A seca nestes últimos seis meses vai impactar mais intensamente a safra que vem do que a atual. O menor rendimento agrícola deste ano está sendo compensado por maior conteúdo de açúcar na cana”, resumiu Nastari, da Datagro.

Conforme a consultoria, em razão do tempo seco, a moagem deve terminar com 20,1 dias de antecedência neste ano ante o ano passado – cálculo feito com base em uma amostra de mais de 100 usinas. Mesmo assim, ainda é cedo para avaliar se a safra 2019/2020 será menor que a atual, pois o desenvolvimento das lavouras vai depender das chuvas, da insolação e da intensidade de renovação de canaviais.

Rafaella Coury – NovaCana

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