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Milho

Quebra de safra de milho deve ter pouco impacto na produção de etanol, diz Unem

Associação descarta risco de não cumprimento de contratos de entrega por parte de produtores e diz que situação é pontual e renegociável


Globo Rural - 14 jul 2021 - 12:18

A quebra de produtividade das lavouras de milho segunda safra, em função do atraso no calendário de plantio e dos problemas climáticos, pode afetar o cumprimento de contratos de entrega do cereal às indústrias de etanol. Mas, na avaliação do presidente da União Brasileira de Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco, a situação deve ser apenas pontual e não ter um efeito significativo sobre a produção do biocombustível.

“É lógico que a quebra de safra traz preocupações. Alguns contratos de fornecimento estão sendo revistos. Uma previsão de quebra de safra impacta porque tem contratos que o produtor não consegue cumprir a entrega, mas isso não deve trazer grandes impactos em função do estoque já consolidado”, afirma o executivo.

Na semana passada, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou uma estimativa de produção de 93,384 milhões de toneladas na temporada 2020/21, somando os três ciclos produtivos para a cultura monitorados pelos técnicos. O segundo ciclo, o principal do calendário, deve ser de 66,97 milhões de toneladas. Volumes abaixo da safra passada e das previsões iniciais para a que está no campo. Em abril deste ano, a Conab previa crescimento de 10,1% na produção do milho de segunda safra, para 82,6 milhões de toneladas.

De acordo com os técnicos, a segunda safra de milho sofreu os efeitos do atraso no calendário de plantio, que já veio da semeadura da soja. E, com boa parte do cereal foi semeado fora da janela ideal de plantio, as lavouras ficaram mais vulneráveis a problemas climáticos.

Em Mato Grosso, maior produtor nacional de milho, a colheita chegou a 35,53% da área até a última sexta-feira, 9. Apesar do avanço de 13 pontos percentuais em relação à semana anterior, o trabalho de campo está atrasado em relação à mesma época de 2020, quando as máquinas tinham percorrido 61,13% das lavouras.

De acordo com boletim do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado na segunda-feira, 12, pelo menos até o momento, a produtividade tem se mantido acima de 100 sacas por hectare. Mas a tendência é de redução nas próximas semanas, já que a colheita deve ficar concentrada nas áreas semeadas mais tardiamente, fora do período considerado ideal.

No Paraná, após a ocorrência de geadas, as condições das plantações de milho pioraram, de acordo com levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral). As áreas consideradas em situação ruim chegaram a 44%, informa boletim divulgado na terça-feira, 13. Nas duas semanas anteriores, essa proporção passou de 33% para 42%. No mesmo período, os milharais em boas condições caíram de 26% para 12% e chegaram a 11% no informe desta semana.

Em meio a este cenário, os preços do cereal estão em alta. O indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), com base em Campinas (SP), acumula uma valorização de 7,66% neste mês, até a terça-feira, quando fechou cotado a R$ 96,43 a saca de 60 quilos. Em Mato Grosso, a referência do Imea teve média de R$ 66,67 na semana passada, 2,29% a mais que na anterior.

Ainda assim, a indústria de etanol de milho mantém a expectativa de produção, que deve ser de 3,3 bilhões de litros do biocombustível no atual ciclo, que é 2021/22. O setor, apesar de ligado à produção de grãos, acompanha a cadeia produtiva da cana-de-açúcar, cujo calendário-safra vai de 1º de abril de um ano a 31 de março do ano seguinte.

Segundo Guilherme Nolasco, as usinas vêm trabalhando com uma utilização de capacidade instalada superior a 85%. E há unidades com pelo menos 70% sua capacidade de estocagem assegurada. O presidente da União Nacional de Etanol de Milho avalia que as dificuldades de cumprimento de contratos devem corresponder a algo em torno de 3% da demanda do setor.

“Temos um estoque mínimo de segurança que permite comportar essa quebra de safra e esse rompimento de alguns contratos”, afirma o executivo, ressaltando que os investimentos em novas usinas e em ampliação da capacidade já instalada se mantém em curso.

O presidente da Unem afirmou que a indústria de etanol já está travando compras de milho para 2022 e 2023. Nolasco não detalha preços de negociação ou mesmo se estão mais altos que os do cereal comprado para o atual ciclo. Diz apenas acreditar que as cotações para entrega futura estejam menores que as praticadas atualmente no mercado disponível.

“O que está sendo fixado não é esse preço de agora. A gente acredita em um milho retornando a patamares menores nas compras futuras”, afirma. “Não acreditamos no preço desse milho spot no milho futuro, mas há uma mudança de patamar de preço em todas as commodities”, pondera o executivo.

Raphael Salomão

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