Milho

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Conflito na Ucrânia estimula exportações de milho do Brasil e enxuga oferta


Reuters - Publicado: 09 Mar 2022 - 08:21

A disparada nas cotações internacionais de milho por conta da guerra entre Ucrânia e Rússia gerou uma condição de mercado favorável para exportações do cereal brasileiro, com potencial de apertar a oferta das duas commodities no país, segundo analistas e operadores do setor.

Enquanto os negócios estão lentos entre produtores e processadores brasileiros, com compradores nas indústrias locais relutantes em aceitar o reflexo da alta global de cerca de 10% no milho, desde o início da guerra, exportadores e importadores têm fechado acordos para garantir ofertas, contando com ajuda do câmbio ainda forte que facilita transações.

O Brasil é um grande exportador de milho e pode voltar a figurar como segundo maior na temporada 2021/22, superando a Argentina, conforme o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), caso a segunda safra do cereal se confirme boa.

De outro lado, o conflito na Ucrânia, quarto exportador mundial de milho, levanta temores sobre os embarques do país do Leste Europeu.

“Foram negociadas cerca de 500 mil toneladas de milho para exportação no Paraná, a preços mais elevados que o mercado interno pode pagar”, afirmou o analista Luiz Pacheco, da consultoria T&F, citando negócios da última semana.

Segundo ele, o mercado já estava apertado após a quebra da primeira safra de milho “antes da demanda vinda da guerra”. “Agora deve piorar”, afirmou.

Um corretor que atua no Paraná, que falou na condição de anonimato, confirmou tais negócios de exportação, dizendo que são para embarques em março e abril. “Foram 500 mil toneladas ou mais, tudo para exportador”, disse ele.

Para o analista da StoneX, João Pedro Lopes, a indústria local está relutante em aceitar pagar as valorizações refletidas no mercado internacional, considerando que o milho já está em patamares perto de máximas históricas no país.

Tanto que as cotações no mercado doméstico mudaram pouco em relação a valorizações da bolsa de Chicago, que atingiram máxima desde 2012, no caso do milho, e o maior valor em 14 anos, para o trigo.

Do lado da exportação de cereais do Brasil, as perspectivas são mais favoráveis, disse o especialista. “A expectativa de aumento de exportação de milho é com a colheita da safrinha, na última safra veio um volume bem abaixo da média. E este ano a expectativa é que o Brasil tenha força para retomar esse papel mais relevante entre os exportadores”, comentou ele, acrescentando que a safra vai bem no momento.

A StoneX estima exportação de 40 milhões de toneladas em 2021/22, quase o dobro do visto no ano passado, quando a seca e geadas quebraram a colheita. “O mercado interno parou à espera de alguma acomodação dos preços, mas acho difícil, enquanto esta guerra durar. E eu acho que vai longe”, acrescentou Pacheco.