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Agroconsult reduz previsão para safrinha de milho para 60,9 mi t, corte de 4,4 mi t


Agência Estado - 06 ago 2021 - 07:32 - Última atualização em: 06 ago 2021 - 09:57

A Agroconsult revisou para baixo sua estimativa para a colheita de milho de inverno no País, em decorrência de problemas climáticos, como estiagem e, mais recentemente, fortes geadas nas regiões produtoras. Conforme a consultoria, o país deve colher agora 60,9 milhões de toneladas de milho de segunda safra, corte de 4,4 milhões de toneladas em relação à projeção de junho e quebra de 20,6% sobre a safra de inverno anterior, quando foram produzidos 76,7 milhões de toneladas.

A perspectiva inicial da Agroconsult para a colheita de inverno, divulgada em janeiro, era bem maior, com previsão de recorde de 83,9 milhões de toneladas, em função dos bons preços no mercado doméstico de milho. Entretanto, conforme nota da Agroconsult, “não é exagero dizer que nunca se viu uma segunda safra de milho como a atual”.

A consultoria lembra que o ciclo começou com o plantio mais tardio da história e continuou com as lavouras se desenvolvendo sob clima irregular em abril e maio. “Para fechar, três ondas sucessivas de frio – a primeira em 29 de junho, a segunda em 20 de julho e a última nos dias 29 e 30 de julho – resultaram em geadas severas em Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo”, citou.

Em função destes acontecimentos climáticos, o Rally da Safra – expedição para averiguar, no campo, as condições das lavouras de grãos, promovida anualmente – decidiu enviar duas equipes extras para percorrer as principais regiões produtoras na segunda quinzena de julho, a fim de atualizar os números divulgados no fim do roteiro regular, que se encerrou em 24 de junho.

“Normalmente, julho é um mês de poucos acontecimentos para a segunda safra, quando a colheita se aproxima do fim e a produtividade das lavouras está praticamente definida”, comentou, na nota, o coordenador da expedição, André Debastiani. “Esta temporada, porém, está sendo completamente diferente”, reforçou.

Os estados percorridos pelas equipes foram Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais (entre 20 e 25 de julho) e Mato Grosso do Sul e Paraná (entre 26 de julho e 1º de agosto). Os técnicos da Agroconsult apuraram queda de 52% na produtividade da safrinha de milho em Minas Gerais ante o ciclo 2019/20, para 46,4 sacas por hectare. “Essas lavouras foram mais prejudicadas pela seca do que se esperava”, cita a consultoria.

Já em Mato Grosso, a produtividade foi mantida em 94,5 sacas por hectare (ante a previsão de junho), ou 14% menos do que a safrinha passada. Goiás, por sua vez, manteve as 67,8 sacas por hectare de junho, mas queda de 35% ante 2019/20.

A geada afetou sobretudo as lavouras de Mato Grosso do Sul e Paraná. Em relação ao fim de junho, as estimativas de produtividade foram revistas para 43,7 sacas por hectare no Paraná (48% menos do que em 2019/20) e 42,7 sacas por hectare no Mato Grosso do Sul (queda de 49%).

“O grande problema dessa safra não foi a geada, que costuma ocorrer nessa época, mas sim o atraso no plantio que fez com que as lavouras estivessem em estado crítico de desenvolvimento quando as ondas de frio ocorreram”, afirma Debastiani.

Os integrantes das equipes extras do Rally ouviram diversas vezes no campo que a segunda safra parece não ter fim, comenta a nota da Agroconsult. No momento, as baixas temperaturas atrasam a perda de umidade das lavouras e postergam ainda mais a colheita, principalmente no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

Tânia Rabello

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