Internacional

Usinas de cana-de-açúcar da Índia pretendem apostar no etanol

Representante do país acredita que setor tem capacidade para atender às metas governamentais e chegar a 4,5 bilhões de litros em 2022


novaCana.com - 26 out 2020 - 15:19

Reduzir o excedente de açúcar e as importações de petróleo. Segundo o presidente da Associação de Usinas de Açúcar da Índia (Isma, na sigla em inglês), Abinash Verma, estes são dois objetivos do governo que podem ser atingidos com um aumento na produção de etanol. Ele esteve presente hoje, 26, na 20ª Conferência Internacional Datagro.

De acordo com Verma, nos últimos cinco anos, as usinas indianas aumentaram sua produção em cerca de 500 milhões de litros, atingindo a marca de 1,9 bilhão em 2019. Nos próximos anos, entretanto, esta expansão deve ser acelerada.

Na sua aposta, as usinas devem atingir as metas propostas pelo país, alcançando 3 bilhões de litros em 2021 e 4,5 bilhões em 2022 – o suficiente para permitir uma mistura de 10% de etanol à gasolina consumida no país. “Mas as usinas precisam encontrar formas de atingir este aumento”, completa.

Dentre as alternativas, o presidente da Isma cita incentivos governamentais ao aumento da capacidade industrial e a conversão de açúcar em etanol – uma tecnologia que vem sendo defendida pela Raízen.

“A conversão de 5 milhões de toneladas de açúcar em etanol dará 3 bilhões de litros dentro de dois a três anos. Esta conversão nos dará conforto para alcançar entre 4,5 bilhões e 5 bilhões de litros de produção de etanol”, afirmou.

Além disso, Verma observa a meta indiana de aumento da mistura do renovável na gasolina, que pode levar a uma demanda entre 10 bilhões e 12 bilhões de litros em 2030. Neste caso, ele acredita que o país não possui uma produção de cana-de-açúcar suficiente. A solução, então, passaria a ser o etanol produzido a partir de outras culturas, como cevada, arroz, milho, beterraba e sorgo.

Em sua fala, o representante das usinas destacou especialmente o arroz, que também é uma cultura com excedente de produção no país, e o milho, que enfrenta uma baixa produtividade na Índia e, portanto, demanda investimentos.

Renata Bossle – novaCana.com