NovaCana

A visão de consultorias e usinas sobre as principais aquisições recentes do setor

Olhar dos investidores acompanha negociações de portes variados e melhora na condição das plantas disponíveis

NovaCana 17 min de leitura

Nos últimos dois anos, fusões e aquisições agitaram o mar das sucroenergéticas que, por muitos anos, só viu algumas marolas. Os ativos trocando de mãos deram mais fôlego para um setor que entra em seu terceiro ciclo de resultados positivos.

Uma das mais recentes compras ocorridas no setor sucroenergético foi a da usina Vale do Paraná, em Suzanópolis (SP), pela Companhia Melhoramentos do Norte do Paraná (CMNP). A transação aconteceu no início de maio e, conforme reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o valor estimado da venda foi entre R$ 700 milhões e R$ 1 bilhão, considerando o tamanho do ativo.

A Pedra Agroindustrial, por sua vez, colocou um fim na novela sobre a venda da usina São Fernando, localizada em Dourados (MS), ao propor aos credores o pagamento de R$ 661 milhões. Mas a planta industrial será desmontada e o destino dos ativos já é certo. A Pedra Agroindustrial já havia adquirido, em janeiro desse ano, a Orbi Bioenergia, em Paranaíba (MS), que foi renomeada como usina Cedro. A unidade, que está inacabada, deve receber os equipamentos da São Fernando, com previsão de conclusão em 2024.

Por sua vez, a Jalles Machado, que entrou na bolsa de valores em fevereiro do ano passado, já havia adiantado que um dos usos dos recursos levantados seria a aquisição de uma terceira unidade. Assim, também em maio deste ano, foi confirmada a compra da usina Santa Vitória Açúcar e Álcool por R$ 704,86 milhões. A unidade, situada na cidade mineira homônima, é a primeira do grupo fora de Goiás.

Em 2021, também houve movimentações de compra no setor sucroenergético. Em agosto, o grupo Ipiranga Agroindustrial adquiriu o parque industrial da Passos, localizada em Minas Gerais. Já a Batatais comprou a Central Energética Vale do Sapucaí (Cevasa), em Patrocínio Paulista (SP). Por sua vez, o grupo Vale do Verdão e a Ferrari Agroindústria ficaram com a São Luiz, de Pirassununga (SP), que era da Abengoa Bioenergia.

O ano de 2021 ainda marcou uma das maiores aquisições do setor: a Biosev foi comprada pela Raízen em uma negociação que movimentou R$ 3,6 bilhões.


Esta é a primeira parte de um conteúdo sobre fusões e aquisições produzido pelo NovaCana. Nela, é possível verificar os detalhes das últimas transações do setor sucroenergético e a perspectiva de FG/A, Íntegra, MBAgro, Raízen, Melhoramentos e Pedra Agroindustrial para este mercado.

Na próxima semana, a segunda parte trará análises sobre a relação entre o mercado de capitais e as aquisições, pontos de atenção na hora de fazer uma compra de ativo, fatores favoráveis e desfavoráveis para o setor sucroenergético atualmente, a saída de capital estrangeiro e o potencial do RenovaBio na capitalização das usinas.


O texto completo é restrito aos assinantes do NovaCana.

Esta é a primeira parte de um conteúdo sobre fusões e aquisições produzido pelo NovaCana. Nela, é possível verificar os detalhes das últimas transações do setor sucroenergético e a perspectiva de FG/A, Íntegra, MBAgro, Raízen, Melhoramentos e Pedra Agroindustrial para este mercado.

Na próxima semana, a segunda parte trará análises sobre a relação entre o mercado de capitais e as aquisições, pontos de atenção na hora de fazer uma compra de ativo, fatores favoráveis e desfavoráveis para o setor sucroenergético atualmente, a saída de capital estrangeiro e o potencial do RenovaBio na capitalização das usinas.


Nos últimos dois anos, fusões e aquisições agitaram o mar das sucroenergéticas que, por muitos anos, só viu algumas marolas. Os ativos trocando de mãos deram mais fôlego para um setor que entra em seu terceiro ciclo de resultados positivos.

Uma das mais recentes compras ocorridas no setor sucroenergético foi a da usina Vale do Paraná, em Suzanópolis (SP), pela Companhia Melhoramentos do Norte do Paraná (CMNP). A transação aconteceu no início de maio e, conforme reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o valor estimado da venda foi entre R$ 700 milhões e R$ 1 bilhão, considerando o tamanho do ativo.

De acordo com o diretor da CMNP, Gastão Mesquita Filho, que atua na gestão da Melhoramentos, a empresa já desejava ampliar a sua atuação no setor e, por isso, buscava por unidades que teriam sinergia com o grupo, ou seja, próximas das duas usinas que a empresa possui na região norte do Paraná. Porém, não existiam ativos à venda na região, o que obrigou a equipe a analisar outras áreas.

“A Vale do Paraná possui uma indústria muito moderna, está em região com período de chuva mais regular e conta com irrigação em seus canaviais. A aquisição significa aumento de produção de etanol, retorno à produção de açúcar e diversificação de risco climático”, detalha.

Ele ainda complementa que a Melhoramentos está investindo na recuperação e renovação do canavial da Vale do Paraná. “O plano é moer 2,5 milhões de toneladas a partir da safra 2024/25 e 3 milhões de toneladas na safra 2025/26”, projeta Mesquita Filho.

Apesar dos investimentos, não está nos planos da CMNP realizar novas aquisições. “Trabalhamos na integração e na busca de melhorias na Vale do Paraná e prosseguiremos com aportes na área agrícola das demais unidades para atingirmos a moagem máxima das plantas, que será de mais de 8 milhões de toneladas”, explica.

Mesquita Filho ainda acrescenta que o grupo realiza estudos para ampliar a geração de energia elétrica com biomassa. Outro plano é a produção de biogás a partir da vinhaça.

A Pedra Agroindustrial, por sua vez, colocou um fim na novela sobre a venda da usina São Fernando, localizada em Dourados (MS). Os credores da massa falida aceitaram a oferta da empresa, que propôs o pagamento de R$ 661 milhões. Mas a sucroenergética está desmontando a planta industrial e, conforme informado pela diretoria da empresa ao NovaCana, iniciou a retirada dos bens no mês de junho.

O destino dos equipamentos já é certo. A Pedra Agroindustrial adquiriu, em janeiro desse ano, a Orbi Bioenergia, em Paranaíba (MS), que foi renomeada como usina Cedro – a unidade, que está inacabada, deve receber o maquinário da São Fernando. Segundo a diretoria da empresa, ela deve começar a operar no ciclo 2024/25.

Conforme comunicado enviado ao NovaCana, o plano é moer 1 milhão de toneladas de cana-de-açúcar na primeira temporada, com a unidade podendo atingir uma capacidade de 2,4 milhões de toneladas. “Já foi iniciada a contratação de áreas e iniciado o plantio de cana-de-açúcar para a primeira moagem”, declara a diretoria da Pedra Agroindustrial.

De acordo com o sócio-diretor da MBAgro, Alexandre Figliolino, estas foram aquisições “muito bem pensadas”. Ele afirma que há muitos movimentos ocorrendo, pois o setor conta com diversas empresas em dificuldade e que não conseguiram se reerguer após uma recuperação judicial. “Além disso, existem questões de sucessão em alguns grupos, o que pode ser um gatilho para venda”, completa.

Já a Jalles Machado, que entrou na bolsa de valores em fevereiro do ano passado, havia adiantado que um dos usos dos recursos levantados seria a aquisição de uma terceira unidade. Com isso, em maio deste ano, foi confirmada a compra da usina Santa Vitória Açúcar e Álcool por R$ 704,86 milhões. A planta está situada na cidade mineira homônima, enquanto as outras duas unidades pertencentes ao grupo estão em Goiás.

O sócio da Íntegra Associados, Renato Boranga, acredita que esta compra é um sinal de que grandes consolidações devem continuar acontecendo. “A Jalles Machado é um exemplo ótimo. Eu trabalhei no IPO deles quando estava no Santander. Foi a primeira operação de mercado de capitais do setor depois de muitos anos. O IPO foi ancorado em uma estratégia de crescimento e consolidação”, conta.

Ele completa que a companhia estava sendo criticada, pois estava demorando a fazer a aquisição, mas ela ocorreu. “Acho que vai ser uma transação muito boa para eles e sabemos que não irão parar por aí”, entrega.

Em 2021, também houve movimentações de compra no setor sucroenergético. Em agosto, o grupo Ipiranga Agroindustrial adquiriu o parque industrial da Passos, localizada em Minas Gerais. Já a Batatais comprou a Central Energética Vale do Sapucaí (Cevasa), em Patrocínio Paulista (SP). Por sua vez, o grupo Vale do Verdão e a Ferrari Agroindústria ficaram com a São Luiz, de Pirassununga (SP), que era da Abengoa Bioenergia.

Gigante compra gigante

O ano de 2021 ainda marcou uma das maiores aquisições do setor: a Biosev foi comprada pela Raízen em uma negociação que movimentou R$ 3,6 bilhões.

Para o sócio-fundador da FG/A, Juliano Merlotto, o movimento de aquisição da Biosev pela Raízen muda o olhar da concentração setorial. “O primeiro colocado [em moagem] comprou um dos cinco maiores. A Biosev tinha cerca de 30 milhões de toneladas de capacidade, é um movimento que dá mais de 5% da moagem do Centro-Sul e é relevante”, destaca.

De acordo com o diretor agroindustrial da Raízen, Felipe Figueiredo, a sucroenergética enxergou na aquisição dos ativos da Biosev uma oportunidade de elevação do patamar do setor. O objetivo seria potencializar os negócios da companhia e consolidar a sua posição de maior produtora mundial de etanol e biomassa de cana-de-açúcar.

“A associação, que trouxe nove unidades produtoras (cinco no estado de São Paulo, três no Mato Grosso do Sul e uma em Minas Gerais), 10 mil funcionários e ampliou em mais 280 mil hectares a área plantada, foi e vem sendo um movimento estratégico para nós”, detalha Figueiredo.

Ele completa que a empresa já era consolidada, possuía ativos de boa qualidade e com localização estratégica. “Com isso, promovemos ainda mais eficiência e sinergias operacionais, garantindo o modelo integrado e único de atuação da Raízen”, declara.

Ainda que não comente novas aquisições, o diretor agroindustrial declara que a Raízen observa o mercado e está atenta a oportunidades que se adequem ao seu modelo de negócio. “Em abril deste ano concluímos a integração da Biosev após nove meses da aquisição, que ocorreu em agosto de 2021, e o processo foi bem estruturado, como planejamos, prezando pela qualidade e sustentabilidade esperadas no fechamento do acordo. Esse é o nosso foco”, destaca.

O diretor reforça que, atualmente, o grupo possui plantas de etanol celulósico, cogeração, biogás, energia solar e tem a expectativa de ampliar a produtividade nos chamados “parques de bioenergia”, unidades que integram processos de conversão de biomassa em energia e biocombustível.

“Temos projeções de expansão da área plantada e aceleração nos investimentos na produção do etanol de segunda geração. A exemplo disso, em maio de 2022, anunciamos a construção das terceira e quarta plantas de E2G, que serão anexadas aos parques de bioenergia Univalem, em Valparaíso (SP), e Barra, em Barra Bonita (SP)”, destaca.

Além disso, a sucroenergética também divulgou a construção de uma segunda planta de biogás, a primeira dedicada à produção de biometano. “Até 2030, a Raízen pretende aumentar em 80% a produção de energia renovável. Atualmente, a companhia tem em seu portfólio cerca de 5% da geração de energia renovável do Brasil, 2GW de capacidade, sendo 70% centralizada na biomassa e 30% na geração distribuída solar, pequenas centrais elétricas e aterro sanitário”, enumera.

Figueiredo completa que, apenas na safra 2021/22, foram investidos cerca de R$ 500 milhões em melhorias operacionais, segurança dos times e meio ambiente.

Boranga, da Íntegra, crê em outros movimentos de compras de grandes companhias. “A Raízen está digerindo a Biosev, mas é sempre uma candidata à consolidação. Tem outras duas – BP Bunge e Atvos – que sabemos que algo irá acabar acontecendo”, visualiza, referindo-se à possibilidade de que elas sejam vendidas.

Para Figliolino, da MBAgro, apenas a Raízen tinha musculatura para comprar a Biosev como um todo. “A [Louis] Dreyfus tinha feito algumas tentativas de vender partes, não sendo bem-sucedida; houve uma junção de interesses de comprador e vendedor e o negócio acabou se concretizando” diz. Com isso, ele visualiza que esta é uma marcação não do início da consolidação, mas de um processo intermediário dela.

“[As aquisições] andaram muito lentas e, de dois anos para cá, estão acelerando. Acho que, até o final desse ano, teremos mais anúncios. É muito interessante para um setor em que não ocorria nada ter, em um ano, seis ou sete transações”, Alexandre Figliolino (MBAgro)

Além disso, ele observa que as compras vêm ocorrendo sem a participação de capital estrangeiro, com a maior parte delas sendo feitas por companhias locais. Segundo Figliolino, isso demonstra que uma parcela do setor está muito capitalizada e pode adquirir usinas, demonstrando otimismo.

Reestruturações

Merlotto, da FG/A, pontua outras operações que ocorreram, mas que são movimentos menores. “No caso da Vale do Paraná e da Santa Vitória eram pouco mais de 1 milhão de toneladas; a Cevasa, 2 milhões. Se somar tudo, não dá 20% do que era Biosev”, complementa.

Ainda assim, ele acredita que todo movimento de fusão e aquisição em que sai uma empresa que estava fragilizada pode ser considerado benéfico para o setor. “Saem gestores ou investidores que estavam estragando o mercado. Ou estavam vendendo produtos quando não deveriam, pressionando preços de açúcar e etanol para baixo; ou estavam no desespero, pagando mais alto por arrendamento, pois estavam perdendo parceiros e fornecedores”, exemplifica Merlotto.

“É sempre saudável quando alguns ativos estressados trocam de mão. A Jalles vai sair de 5 para 8 [milhões de toneladas de capacidade]. A Pedra tem ativos menores, mas vai dar um salto e brigar para ser competitiva entre os maiores grupos. A Melhoramentos também fez uma aquisição importante”, Juliano Merlotto (FG/A)

Boranga, da Íntegra, comenta as transações de equipamentos, como foi o caso da São Fernando. Este tipo de negociação é chamado de “distressed”, ou seja, envolve ativos que já estão em dificuldade financeira e que detém menos valor de mercado.

“A pior solução é desmontar uma usina e vender os equipamentos. É onde se consegue menos valor para todo mundo e ocorre uma destruição da economia local, pois a área normalmente vira de produção de grãos, com muito menos capital humano empregado”, destaca.

Ainda assim, ele enxerga que isso é parte do processo de consolidação. “Começa a ter usinas muito próximas e com competição por cana, inviabilizando aquela operação. Com isso, os grandes grupos profissionais compram a cana dessa unidade que quebra e vende os equipamentos”, diz.

Outros casos

Sócio da Íntegra Associados, Rodrigo Aguiar relembra alguns casos mais antigos do setor, que demarcaram o seu crescimento. A Infinity Bioenergy, por exemplo, nasceu no boom de investimentos visto nos anos 2000 com a entrada da tecnologia do flex fuel.

“Em 2003, o Centro-Sul moeu 300 milhões de toneladas de cana e, em 2013, com os investimentos que aconteceram, moeu 600 milhões de toneladas. Em dez anos, é uma expansão muito grande”, destaca.

Ele completa que houve uma crise no setor de equipamentos para negócios do setor de açúcar e etanol. “A Nova América, por exemplo, tinha construído uma usina muito grande em Mato Grosso do Sul, estava com o endividamento alto, mas ainda não tinha começado a moer. Então, entrou em reestruturação e virou a atual Cosan”, lembra.

O controle de preços dos combustíveis, visto nos anos subsequentes, também levou a uma inflação de custos. “O setor acabou entrando em reestruturação, vários dos M&A [fusões e aquisições] ficaram estacionados. Mas, com a mudança de governo e a decisão de usar a paridade com os preços internacionais de petróleo, voltaram a ocorrer aquisições”, completa.

Aguiar recorda que, em 2016, a Glencore comprou a usina Guararapes e, na sequência, diversos negócios aconteceram com foco em ativos que estavam em dificuldade financeira. Assim, as empresas com problemas acabaram sendo “engolidas por players maiores e consolidadores”.

O executivo complementa que, apesar de um número elevado de usinas terem enfrentado problemas financeiros nos últimos anos, as grandes companhias incorporaram esses ativos e a moagem não caiu de forma considerável. “Em 2008, os dez maiores players do setor eram empresas familiares; hoje, a grande maioria é de empresas internacionais”, observa.

Em busca de vendas saudáveis

Apesar das diversas vendas de ativos “distressed”, Boranga, da Íntegra, acompanhou também a compra de unidades saudáveis. “Quando trabalhava no Credit Suisse, assessoramos a Bunge na compra da Moema. Aquela transação saiu em US$ 110 por tonelada. Naquela época, em 2009, tiveram outras transações e o recorde foi de US$ 130 por tonelada”, relembra.

Outras compras de destaque, de acordo com a Íntegra, foram (do menor para o maior valor): da Campestre pela Clealco (US$ 33,1/t); do grupo Ruette pela Black River (US$ 44,9/t); da Andrade Açúcar e Álcool pela Açúcar Guarani (US$ 76,2/t); da Zanin Açúcar e Álcool pela Cosan (US$ 76,6/t); da Dedini pela Abengoa (US$ 112/t); de duas usinas da Cerradinho pela Noble Brasil (US$ 117,9/t); e da Santa Vitória pela Dow Chemical Company (US$ 148,1/t).

Além disso, uma transação que ocorreu em um nível favorável, de acordo com Boranga, foi a da Santa Cruz pela São Martinho, em 2014, pelo valor de US$ 83 por tonelada. “Dali para frente, tiveram dez transações até abril de 2021, a média de US$ 50 por tonelada, terminando com a aquisição da Biosev pela Raízen”, explica o sócio da Íntegra.

No caso da Biosev, ele estima que o valor foi em torno de US$ 30 a US$ 50 por toneladas, também considerado um caso “distressed”. Para o cálculo, Boranga considera uma capacidade de moagem de 32 milhões de toneladas e um câmbio de R$ 5,25/US$. Além do valor de R$ 3,6 bilhões, ele contabiliza também as ações da Raízen que entraram no negócio, totalizando um investimento em torno de R$ 6 bilhões.

A fim de comparação, o sócio da Íntegra diz que as companhias atualmente listadas em bolsa de valores estão avaliadas no mercado acima de US$ 100 por tonelada. A Raízen, segundo ele, negocia por mais de US$ 150 por tonelada.

“Não é uma comparação tão simples, pois metade do negócio da Raízen é distribuição. Mas a Jalles Machado, que é uma operação que chamamos de pura, negocia de US$ 100 a US$ 120 por tonelada. Já a São Martinho, a US$ 150 por tonelada; é uma operação quase pura, pois tem área agrícola, já que são donos da terra e possuem a indústria”, complementa.

De acordo com ele, o comparativo entre os valores das transações de fusões e aquisições e o que o mercado de capitais está pagando por companhias listadas demonstra que há uma lacuna. Assim, Boranga enxerga que, quando o mercado de capitais voltar a ser vantajoso, será natural ter novas listagens de companhias a mercado. “Tem muito player bom, interessante e saudável que poderia fazer uma listagem como a Jalles Machado fez”, completa.

Além disso, ele revela que há negociações de compra de usinas – algumas com participação da Íntegra – que virão a mercado dentro de seis meses a um ano; e que elas serão de ativos saudáveis. “Tem alguns processos de boa qualidade vindo e outros já na rua. Vai ser um teste para sabermos em que níveis vão sair essas transações. Será que o mercado vai virar a chave, pagar um valor alto por uma transação saudável? Eu acho que sim, mas o tempo vai dizer”, projeta.

Há também ativos que ficaram parados por muitos anos e voltaram a operar, segundo Aguiar. “A Corol, comprada pela Coruripe, vai ter a planta usada para expandir. A Amerra, que voltou a operar na Usinavi com o nome de Rio Amambai, tem atualmente seis ativos e não tinha nenhum até quatro anos atrás”, completa.

Outras sucroenergéticas que contam com participação societária do fundo norte-americano são: Bahia Etanol, Enersugar, Bioenergia do Brasil, Usina Rio Pardo e Aguapeí Agroenergia.

Com isso, excetuando as grandes transações, há uma série de outros negócios que ocorrem e que nem sempre são conhecidos. “Eles aconteceram a preços muito baixos e é provável que esses mesmos investidores não tenham interesse em continuar com o ativo, aproveitando a janela para sair”, especula.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

Compartilhar: