Unidade em Minas Gerais faz parte da massa falida da Laginha Agroindustrial. Leilão da Usina Triálcool segue até quinta-feira (7)
Com o lance mínimo de R$ 206,385 milhões, uma empresa de Carmo do Rio Verde (GO) foi a vencedora do leilão da Usina Vale do Paranaíba, parte da massa falida da Laginha Agroindustrial, do empresário João Lyra. Atualmente, o processo de falência do grupo tem um valor superior a R$ 2 bilhões e os ativos estão sendo vendidos para liquidar a dívida por ordem de prioridade.
O leilão, que deveria ter sido encerrado na última quinta-feira (30), foi prorrogado até às 14h de hoje (5). A Usina Vale do Paranaíba está localizada em Capinópolis (MG) e tem uma capacidade de moagem de 1,656 milhão de toneladas de cana-de-açúcar por safra, além de uma área para canavial de 3,21 mil hectares e uma pista de pouso.
Para completar, além da Usina Vale do Parnaíba, outra unidade mineira de João Lyra também foi a leilão, embora permaneça sem interessados. Avaliada em R$ 223,04 milhões, a Triálcool tem capacidade de moagem de 1,76 milhões de toneladas por safra e uma área de 6,05 mil hectares para canaviais.
Nesse caso, como não houveram lances até 30 de novembro, data prevista para encerramento do leilão, a unidade agora pode receber ofertas com 40% de desconto, ou seja, a partir de R$ 133,82 milhões. O certame foi prorrogado até às 14h de quinta-feira (7), de modo que possíveis interessados possuem pouco menos de 48 horas para apresentarem seus lances.
Saiba mais:
- Detalhamento das unidades e do certame
- Empresas que demonstraram interesse nas usinas
- Gráficos com histórico de moagem e de produção de açúcar e etanol
- Destinação dos valores arrecadados
Com o lance mínimo de R$ 206,385 milhões, uma empresa de Carmo do Rio Verde (GO) foi a vencedora do leilão da Usina Vale do Paranaíba, parte da massa falida da Laginha Agroindustrial, do empresário João Lyra. Atualmente, o processo de falência do grupo tem um valor superior a R$ 2 bilhões e os ativos estão sendo vendidos para liquidar a dívida por ordem de prioridade.
O leilão, que deveria ter sido encerrado na última quinta-feira (30), foi prorrogado até às 14h de hoje (5) porque o único lance apresenta uma proposta diferente da inicialmente disposta em edital. Assim, o juiz responsável optou por aceitar a proposta e concedeu um prazo adicional para que demais interessados pudessem fazer ofertas dentro dos mesmos termos. A princípio, a empresa interessada propôs pagar 25% do valor à vista, com o valor restante a ser pago em nove parcelas semestrais.

Anteriormente, a administradora da massa falida chegou a comentar que havia interesse de duas empresas: a Usina Cambuí, situada no município de Santa Helena de Goiás (GO), e a espanhola Contromation. Entretanto, embora o nome da vencedora do leilão não tenha sido divulgado, ela está situada na mesma cidade que a Unidade CRV, do Grupo Japungu.
A Usina Vale do Paranaíba está localizada em Capinópolis (MG) e tem uma capacidade de moagem de 1,656 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, além de uma área para canavial de 3,21 mil hectares e uma pista de pouso. Segundo informações da Datagro e da Agriplanning, a unidade chegou a produzir 82,7 mil toneladas de açúcar na safra 2011/12, quando também fabricou 70,7 milhões de litros de etanol hidratado.

Entretanto, desde 2015, todas as usinas de João Lyra tiveram suas autorizações para produção de etanol canceladas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Ou seja, os compradores precisarão passar pelos trâmites completos para obtenção de uma nova liberação.


Mais um leilão em andamento
Além da Usina Vale do Paranaíba, outra unidade mineira de João Lyra também foi a leilão, embora permaneça sem interessados. Avaliada em R$ 223,04 milhões, a Triálcool tem capacidade de moagem de 1,76 milhões de toneladas por safra e uma área de 6,05 mil hectares para canaviais.
Nesse caso, como não houveram lances até 30 de novembro, data prevista para encerramento do leilão, a unidade agora pode receber ofertas com 40% de desconto, ou seja, a partir de R$ 133,82 milhões. O certame foi prorrogado até às 14h de quinta-feira (7), de modo que possíveis interessados possuem pouco menos de 48 horas para apresentarem seus lances.
De acordo com a Datagro e a Agriplanning, em 2011/12, a unidade produziu 95,3 mil toneladas de açúcar, 20,3 milhões de litros de etanol anidro e 43,5 milhões de litros de etanol hidratado.

Em setembro deste ano, quando a realização de um leilão já estava determinada pela justiça, a Triálcool vivenciou uma invasão de movimentos sem-terra que fazem parte da União Nacional de Luta Camponesa (UNLC). Na ocasião, o administrador judicial da Massa Falida do Grupo João Lyra, João Daniel Marques Fernandes, foi à Minas Gerais intervir na invasão.
“Encontramos uma situação caótica, beirando à agressividade. Mas com a ajuda de representantes da sociedade civil organizada e da Polícia Militar de Minas Gerais conseguimos liberar os funcionários feitos reféns, evitar a invasão e depredação do parque industrial”, relatou o administrador à época.
Destinação do dinheiro
A princípio, os valores arrecadados com a venda das usinas mineiras do Grupo João Lyra serão destinados ao pagamento de trabalhadores “ou outras classes de credores como privilégio legal”, conforme declaração do juiz José Eduardo Nobre Carlos ao jornal Tribuna Independente no momento do anúncio da realização dos leilões.
“A ideia é pagar os credores com privilégio legal: trabalhadores, agentes do trabalho e outras classes de credores que, por força da Lei de Falências, tem preferência para receber prioritariamente. É difícil ponderar a porcentagem [em relação à dívida total do grupo] porque a gente não sabe o valor da arrematação”, disse o juiz na ocasião.
Renata Bossle – NovaCana