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Usina Queiroz, da Clealco, está prestes a ser vendida para a Amerra

Gestora norte-americana apresentou duas propostas para a aquisição da unidade


novaCana.com - 01 nov 2019 - 08:17

Apenas um ano e quatro meses após entrar na justiça com um pedido de recuperação judicial, o grupo Clealco pode conseguir vender sua maior usina, obedecendo ao plano de recuperação judicial aprovado pelos credores. A unidade Queiroz, localizada no município paulista homônimo, tem capacidade de moagem de 4,5 milhões de toneladas de cana por safra.

De acordo com informações do jornal Valor Econômico, a Amerra Capital Management teria apresentado duas propostas para comprar a usina Queiroz. Elas foram entregues na quarta-feira (30) em um envelope lacrado que foi aberto às 11h de quinta-feira.

Conforme a reportagem, a Amerra foi a única empresa a apresentar propostas para aquisição da usina. A primeira delas envolve o pagamento à vista de US$ 47 milhões diretamente aos credores, respeitando a proporção de crédito de cada um. Já a segunda alternativa seria o pagamento parcelado de 40% da dívida de cada credor, acrescido da Taxa Referencial (TR) e de 0,25% ao ano, com dois anos de carência.

Porém, o negócio ainda não é certo: as duas opções precisam ser analisadas pelos credores que optaram por receber o dinheiro devido pela Clealco por meio dos recursos obtidos com a venda da unidade. Ainda que não representem a totalidade dos credores, eles somam a maior parte dos débitos da sucroenergética.

Conforme o plano de recuperação judicial da companhia, eles têm 15 dias para chegar a uma decisão.

Em entrevista concedida ao novaCana em julho deste ano, o CEO da Cleaco, Alberto Pedrosa, afirmou que a companhia não estabeleceu nenhuma exigência de preço mínimo para a unidade Queiroz. “O que há é uma dívida da ordem de R$ 900 milhões a R$ 950 milhões que será paga com o produto da venda dessa unidade. Quem decidirá se aceita ou não a proposta do leilão é o comitê de credores que detém essa dívida”, explica.

Atualmente, a Amerra – especializada na gestão de investimentos de agronegócio – já controla duas usinas no país: a Ibirálcool, em Ibirapuã (BA), e a Usinavi, em Naviraí (MS).

Prejuízo e usinas paradas

Na safra 2018/19, o prejuízo registrado pela Clealco foi de R$ 97,96 milhões. Apesar do resultado ser negativo, a perda foi 83% menor ante o ano anterior, quando a usina teve um resultado líquido negativo de R$ 577,88 milhões.

Clealco 1 prejuizo 20190724

Ao longo da temporada, o grupo operou maximizando as capacidades das usinas em Queiroz e em Clementina (SP), mantendo a unidade em Penápolis (SP) paralisada. Em 2019/20, porém, toda a cana-de-açúcar foi direcionada para a usina Queiroz.

Conforme o mais recente balanço financeiro do grupo, a dívida total da Clealco com empréstimos e financiamentos totalizava R$ 1,1 bilhão em 31 de março – um valor 2% superior ao registrado um ano antes. Além disso, foram contabilizados débitos de R$ 36,7 milhões com produtores de cana e de R$ 73 milhões com fornecedores diversos.

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Com informações do Valor Econômico