Unidade em Minas Gerais deve ser o único projeto no setor sucroenergético a entrar em operação este ano
Aquele que promete ser o único projeto greenfield inaugurado em 2015 no setor sucroenergético está prestes entrar em operação. Com dois anos de atraso, a Usina Santa Vitória de Açúcar e Álcool, em Minas Gerais, está a um passo da produção comercial. A unidade pertence à joint-venture entre a norte-americana Dow Chemical, maior produtora mundial de polietileno, e a gigante japonesa Mitsui, com forte atuação no setor químico.
Veja a seguir os detalhes do comissionamento, o atraso do projeto, as mudanças de objetivos e a bioeletricidade já vendida.
Aquele que promete ser o único projeto greenfield inaugurado em 2015 no setor sucroenergético está prestes entrar em operação. Com dois anos de atraso, a Usina Santa Vitória de Açúcar e Álcool, em Minas Gerais, está a um passo da produção comercial. A unidade pertence à joint-venture entre a norte-americana Dow Chemical, maior produtora mundial de polietileno, e a gigante japonesa Mitsui, com forte atuação no setor químico.
Atualmente concluindo a etapa de testes, a usina com sede no município de Santa Vitória, na divisa com Goiás, amplia a capacidade mineira de moagem em 2,7 milhões de toneladas de cana e em 240 milhões de litros de etanol. O incremento produtivo é oportuno no ano em que o estado terá uma demanda por etanol hidratado acrescida de 750 milhões a 1,5 bilhão de litros, impulsionada pela redução da alíquota do ICMS sobre o biocombustível, de 19% para 14%, que vigora desde março.
Mas do ponto de vista da rentabilidade a nova usina surge em um contexto ainda problemático para o setor sucroenergético, apesar dos recordes de vendas do biocombustível no estado e de medidas federais que estimularam o consumo de etanol no país. A Unica acredita que 10 unidades fechem as portas este ano. O diretor técnico da entidade, Antonio de Padua Rodrigues, citou nesta quinta-feira (21) em coletiva à imprensa a Usina Santa Vitória como a única “novidade” em termos de operação em 2015.
Da parte do principal financiador de investimentos no setor sucroenergético também não há perspectivas de novas usinas em 2015 e 2016. O último projeto greenfield aprovado pelo BNDES, no final de 2014, foi a construção de uma usina de etanol celulósico da Abengoa.
O mais recente cronograma, retirado do site da companhia, previa o início das operações em 2014, o que não aconteceu 
“Plástico verde” adiado
Após reiteradas mudanças de cronograma, Dow e Mitsui estão tornando o projeto realidade, mas apenas parcialmente. O que motivou a união entre duas multinacionais foi o interesse na fabricação de “plástico verde”, o polietileno feito a partir do etanol. Para isso a companhia projetou mais do que uma usina, um complexo sucroquímico, onde o etanol seria o substituto renovável do petróleo, servindo como base para biopolímeros.
No entanto, apenas a faceta mais convencional do empreendimento, a produção de etanol e de bioeletricidade, está concluída. Ainda não há data prevista para iniciar a construção da unidade de plástico verde.
Em 2011, a joint-venture nasceu com a promessa de tirar do papel o plano para construção de uma biorrefinaria, anunciado pela primeira vez em 2007, ainda sob associação da Dow com o grupo sucroalcooleiro Santa Elisa, de Sertãozinho (SP), que foi extinto em 2009 e teve os ativos absorvidos pela Biosev.
Já sob a parceria da Dow e Mitsui, quando o projeto foi protocolado junto ao governo do estado de Minas Gerais, o investimento no complexo foi estimado em US$ 1,5 bilhão.
No início de 2013 a companhia adiou por tempo indeterminado a construção da fábrica de biopolímeros a partir do etanol, sob a justificativa do aumento dos custos e dificuldades legais para a propriedade de terras por parte de estrangeiros no Brasil.
Procurada pelo portal NovaCana, a Usina Santa Vitória se limitou a informar, em nota, que “a primeira fase deste projeto, que consiste na construção de uma usina com capacidade de 240 mil metros cúbicos de etanol hidratado por ano/safra, se encontra em fase de comissionamento”.
Hoje a única empresa brasileira a produzir plástico a partir do etanol é a Braskem, do grupo Odebrecht.
Canaviais
Em agosto do ano passado, a Santa Vitória contratou R$ 43,2 milhões junto ao BNDES para investir no plantio de 9 mil hectares de cana-de-açúcar, sendo 5,7 mil hectares de novos canaviais e 3,2 mil hectares reformados.
No site da companhia, a informação é de que área total abrange 20 mil hectares de cana.
Energia já está vendida
Mesmo antes de começar a operar comercialmente, a unidade de cogeração alimentada pelo bagaço de cana proveniente da Usina Santa Vitória já tem mercado assegurado para comercialização de energia.
A térmica pertence à Energias Renováveis do Brasil (ERB), que adquiriu o projeto de geração de energia em 2013 e instalou uma unidade com capacidade de 41,4 MW. Na época da negociação, o investimento foi anunciado em R$ 237 milhões.
A ERB previa colocar a cogeração em funcionamento ainda em 2014, mas a unidade foi liberada para início de operação em teste a partir de 7 de fevereiro de 2015. A caldeira instalada conta com capacidade de 250 toneladas/hora, pressão de 100 kgf/cm² e temperatura de 540 °C.
No último Leilão A-5, realizado em 30 de abril, o projeto da ERB em Santa Vitória foi contratado por R$ 272/MWh. O fornecimento negociado inicia em 2020 e a receita anual será de R$ 55,022 milhões.
Amanda SchArr – NovaCana