Usinas

RenovaBio conta com sete escrituradores cadastrados [atualizado]

Número de créditos atualmente disponibilizado pelas usinas é de 744,47 mil, enquanto meta proposta pelo MME para 2020 é de 14,53 milhões


novaCana.com - 10 jun 2020 - 15:49 - Última atualização em: 15 jun 2020 - 11:13

Atualização (15/06, às 7h): O texto abaixo foi alterado para incluir o nome dos sete escrituradores cadastrados pelo programa, divulgado após a realização do evento.

Embora nenhum crédito de descarbonização (CBio) de produtoras de biocombustível tenha sido negociado até a última quinta-feira (11), sete instituições financeiras estão cadastradas junto ao Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para fazer a escrituração dos títulos.

A informação é do diretor do Departamento de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Miguel Ivan Lacerda. Ele falou ao mercado na tarde de terça-feira (9), durante webinar organizado pelo Santander e, posteriormente, divulgou o nome das sete organizações em suas redes sociais: Santanter, Itaú, Citibank, Bradesco, Banco do Brasil, Vórtx e Planner.

“Os escrituradores não se restringem ao Santander. Hoje, nós temos sete outras instituições financeiras que já estão testadas e autorizadas no Serpro para serem escrituradores”, afirma.

Os CBios estão sendo escriturados, registrados e disponibilizados na plataforma da B3 – bolsa de valores do Brasil – desde o final de abril. Segundo o sistema, atualmente, 744,47 mil créditos estão disponíveis. “O RenovaBio vai funcionar. Há um mês e meio ele está operacional e os agentes de mercado vão ter que se adaptar a essa nova realidade”, completa Lacerda.

Um dos possíveis motivos para a falta de negociações é a incerteza em relação às metas de aquisição de CBios, estabelecidas pelo programa RenovaBio. Devido à abrupta queda no consumo de combustíveis em março e abril, os volumes foram recalculados pelo MME e uma consulta pública em andamento prevê uma redução de 50% na obrigatoriedade estabelecida às distribuidoras para 2020: dos atuais 28,7 milhões para 14,53 milhões de CBios.

Com isso, o número de créditos registrados na B3 representa 5,12% da meta para o ano.

Este valor, porém, pode aumentar em breve. De acordo com a superintende adjunta de biocombustíveis da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Danielle Machado Conde, as usinas certificadas no RenovaBio já comercializaram etanol suficiente para mais de 3 bilhões de CBios.

Ela reforça que o programa conta com 200 unidades certificadas e 144 delas já firmaram contrato com o Serpro. No total, são 176 usinas de etanol de cana de primeira geração, 20 produtoras de biodiesel, duas usinas de etanol flex (milho e cana), uma usina de etanol de milho e uma unidade de biometano. Além disso, ainda há processos de certificação em andamento.

“Grandes grupos já estão certificados, como Raízen, Copersucar e São Martinho”, exemplifica e assegura: “Tudo isso demonstra a capacidade de geração de CBios e de atendimento às metas que estão sendo propostas pelo Comitê RenovaBio dentro da consulta pública. As unidades certificadas têm condições de atender a demanda advinda das metas em proposição”.

Ainda segundo Conde, este número seria equivalente a 49% das 412 unidades produtoras de combustíveis reconhecidas pela agência. “Estamos na grande expectativa de visualizar, em breve, as primeiras negociações”, afirma.

Por sua vez, diretor de trading do Santander, Anderson Alvarenga, relata que a entrada no comércio de CBios e o trâmite operacional envolvido são simples, demorando apenas alguns dias. Ele também explica que, uma vez que o CBio está emitido e escriturado pelo Santander, ele pode ser comercializado pela corretora do banco.

Assim, quando questionado sobre uma data para o início efetivo da comercialização de CBios, Alvarenga foi incisivo: “Hoje! Toda a cadeia está pronta e a gente pode iniciar. Se a gente receber uma oferta de um cliente cadastrado na corretora, já podemos negociar o preço com o emissor”.

Lacerda, do MME, complementa falando que os distribuidores já deveriam ter realizado ofertas para compra dos títulos. “Esse atraso vai fazer com que, no futuro, eles precisem pagar mais pelos CBios. Mas essa é uma decisão individual”, alerta.

Rafaella Coury e Renata Bossle – novaCana.com

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