Cálculo do NovaCana demonstra como as vendas de biocombustíveis no ano passado poderiam ter sido convertidas em créditos do RenovaBio
O RenovaBio, nova política de incentivo aos biocombustíveis, entrou em vigor oficialmente em 24 de dezembro de 2019. Durante todo o ano passado, diversas usinas iniciaram o processo de certificação para poderem participar do programa e passar a emitir créditos de descarbonização (CBios).
Entre as usinas, a expectativa para o início da venda de CBios era positiva, porém, o mercado foi afetado pelas recomendações de isolamento devido à pandemia de coronavírus. Desta forma, houve e estão havendo diversas mudanças na estrutura do RenovaBio, especialmente no que tange às metas impostas às distribuidoras.
Para completar, há questionamentos sobre o quanto as produtoras de etanol realmente podem lucrar com o programa. Já ocorreram as primeiras compras de CBios, com diferentes faixas de valores, o que poderia indicar uma tendência de rendimentos para os emissores quando as vendas estiverem a todo vapor.
Além das notas estabelecidas para cada unidade, a produção de biocombustíveis é determinante na quantidade de créditos disponíveis – o que, consequentemente, tem relação direta com a oferta dos CBios e com quanto será possível lucrar.
Sabendo disso, o NovaCana fez um exercício para estimar qual seria a geração de créditos do setor em 2019. Foram consideradas as entregas de combustíveis das usinas, utilizando dados inéditos divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e considerando que o programa estivesse em vigor desde 1º de janeiro.
Levando em conta as usinas já certificadas no programa, ou que ainda estão em processo, foi constatado que, de acordo com as vendas do biocombustível em 2019, teriam sido emitidos até 25,01 milhões de CBios no período. O cálculo considerou a nota de eficiência energética e a porcentagem de matéria-prima elegível das usinas.
Dentre as unidades já certificadas, a que teria gerado mais CBios no período analisado é a CerradinhoBio, do grupo Cerradinho Bioenergia. Já em relação aos grupos, a Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial) levaria a dianteira na geração de créditos no ano passado.
Confira, na versão completa, o ranking das usinas e dos grupos que teriam gerado CBios em 2019, com quantidade por etanol e possibilidades de rendimentos.
O RenovaBio, nova política de incentivo aos biocombustíveis, entrou em vigor oficialmente em 24 de dezembro de 2019. Durante todo o ano passado, diversas usinas iniciaram o processo de certificação para poderem participar do programa e passar a emitir créditos de descarbonização (CBios).
Entre as usinas, a expectativa para o início da venda de CBios era positiva, porém, o mercado foi afetado pelas recomendações de isolamento devido à pandemia de coronavírus. Desta forma, houve e estão havendo diversas mudanças na estrutura do RenovaBio, especialmente no que tange às metas impostas às distribuidoras.
Para completar, há questionamentos sobre o quanto as produtoras de etanol realmente podem lucrar com o programa. Já ocorreram as primeiras compras de CBios, com diferentes faixas de valores, o que poderia indicar uma tendência de rendimentos para os emissores quando as vendas estiverem a todo vapor.
Além das notas estabelecidas para cada unidade, a produção de biocombustíveis é determinante na quantidade de créditos disponíveis – o que, consequentemente, tem relação direta com a oferta dos CBios e com quanto será possível lucrar.
Sabendo disso, o NovaCana fez um exercício para estimar qual seria a geração de créditos do setor em 2019. Foram consideradas as entregas de combustíveis das usinas, utilizando dados inéditos divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e considerando que o programa estivesse em vigor desde 1º de janeiro.
Levando em conta as usinas já certificadas no programa, ou que ainda estão em processo, foi constatado que, de acordo com as vendas do biocombustível em 2019, teriam sido emitidos até 25,01 milhões de CBios no período. O cálculo considerou a nota de eficiência energética e a porcentagem de matéria-prima elegível das usinas.
Dentre as unidades já certificadas, a que teria gerado mais CBios no período analisado é a CerradinhoBio, do grupo Cerradinho Bioenergia, com 580,2 mil créditos só com a produção de etanol hidratado. Para chegar a essa quantia, ela entregou 445,64 mil litros do biocombustível entre janeiro e dezembro de 2019.
Considerando o valor médio dos CBios de acordo com as vendas até o fim de julho – R$ 19,26 –, a CerradinhoBio teria recebido R$ 11,17 milhões no período analisado se tivesse comercializado todos os créditos emitidos.
Esta usina, inclusive, foi uma das primeiras do setor sucroenergético a se certificar no RenovaBio, tendo passado por consulta pública em julho do ano passado. Ela também foi uma das primeiras interessadas na escrituração de CBios.
Para chegar a esta quantia de créditos que poderiam ter sido emitidos, a usina tem uma nota considerada positiva no programa – 62,3 gCO2/MJ – e declarou que 100% da sua matéria-prima atende aos critérios pedidos na certificação.
Logo atrás dela no ranking vem a usina Angélica, do grupo Adecoagro, com 496,76 mil CBios graças à venda projetada de 339,63 mil litros de etanol – a maior parte deste volume é de anidro, gerando 82,6% do total de créditos. Neste caso, os dados de entrega do grupo foram divulgados pela ANP de forma agrupada. Para os cálculos, o NovaCana distribuiu o volume entre as unidades, respeitando o tamanho da produção em cada uma delas.
Novamente fazendo o cálculo a partir do atual valor médio dos títulos, a companhia teria obtido uma receita de R$ 9,57 milhões em 2019.
O terceiro e quarto lugares do ranking também emitiriam mais de 400 mil CBios em 2019, mas ambos apenas com a venda de etanol hidratado. A usina Andrade, do grupo Tereos, teria gerado 461,72 mil créditos no período graças à entrega projetada de 366,48 mil litros do biocombustível, rendendo R$ 8,89 milhões.
Já o Adecoagro, do grupo de mesmo nome, teria gerado 424,05 mil créditos em 2019 com a venda de 304,76 mil litros de hidratado, o que poderia resultar em uma receita adicional de R$ 8,17 milhões, considerando o valor médio das vendas dos títulos até o momento.

Estas quatro usinas estão entre as dez primeiras em produção de biocombustíveis em 2019/20. O ranking completo, com 195 unidades, está disponível no NovaCana DATA.
Considerando o volume produzido e comercializado, a Lucas do Rio Verde, do grupo FS Bioenergia, deveria estar entre as companhias que mais teriam gerado CBios em 2019. A unidade vendeu 434,75 mil litros de etanol no período, entre anidro e hidratado, graças a uma produção de destaque.
Porém os cálculos levam em consideração a nota de eficiência energética e a porcentagem de matéria-prima elegível das companhias certificadas no programa. No caso da Lucas do Rio Verde, sua nota é 71,1 gCO2/MJ para o anidro e 70,7 gCO2/MJ para o hidratado – acima da média das notas das usinas, que está em 66 gCO2/MJ –, mas a quantidade de matéria-prima elegível é de apenas 12,9%.
Isto ocorre especialmente porque o biocombustível produzido pela usina vem do milho, cuja cadeia é difícil de acompanhar. Isto acarreta diversas penalidades na hora da inserção dos dados na calculadora do RenovaBio, a RenovaCalc.
Desta forma, a Lucas do Rio Verde não aparece entre as cem primeiras usinas no ranking das possíveis emissões. Na 100ª posição, está a Passa Tempo, da Biosev, que teria gerado 106,44 mil CBios em 2019.
Atvos leva a dianteira
No total, os 25,01 milhões de CBios estimados para o período correspondem a 195 usinas que já concluíram ou, pelo menos, iniciaram seu processo de certificação no RenovaBio e que produziram algum tipo de etanol em 2019. Em relação aos grupos, 97 integram a lista.
O destaque dentre os grupos ficou com a Atvos, que teria gerado 2,41 milhões de CBios no período. O pódio foi atingido graças a suas oito usinas certificadas no programa: Santa Luzia (5ª), Conquista do Portal (6ª), Rio Claro (7ª), Costa Rica (9ª), Alto Taquari (12ª), Morro Vermelho (21ª), Eldorado (23ª) e Água Emendada (26ª). Com esta quantia, o grupo teria uma receita de R$ 46,39 milhões em 2019.
Em seguida, está a Raízen Energia, com 1,61 milhão de CBios gerados por 23 usinas, desde a Tarumã, que ficou em 10ª no seu ranking, com a emissão prevista de 332,05 mil créditos, até a Bom Retiro que, tendo gerado 10,42 mil títulos, está em 192º lugar. Fazendo o cálculo com o valor médio da venda dos créditos até o momento, a companhia teria recebido R$ 30,97 milhões em 2019.

Em terceiro lugar vem a BP Bunge, com 1,13 milhão de CBios graças às entregas de nove usinas, que figuram entre o 36º e o 178º lugares no ranking específico. Assim, a empresa teria adquirido R$ 21,86 milhões no período, considerando o valor médio de R$ 19,26 por crédito.
O Tereos completa a relação dos grupos que teriam emitido mais de um milhão de CBios em 2019. Além da Andrade, as usinas Mandu (69ª), Vertente (77ª), Tanabi (106ª), Severínia (125ª), Cruz Alta (143ª) e São José (185ª) juntas teriam gerado 1,003 milhão de créditos, o que corresponde a R$ 19,31 milhões na estimativa de valor médio.
Atingindo a meta das distribuidoras
Os mais de 25 milhões de CBios que teriam sido emitidos com a venda de etanol em 2019 não seriam suficientes para – sozinhos – baterem a meta inicial das distribuidoras para 2020, de 28,7 milhões. Ainda assim, eles seriam o bastante para a proposta atualmente em análise pelo MME, de 14,53 milhões.
Independentemente da revisão da meta, de acordo com a informação passada pela ANP no início de junho, existem mais de 200 unidades certificadas no programa entre usinas de etanol de cana de primeira geração, flex (milho e cana), de milho e de biometano, além de produtoras de biodiesel. Este levantamento, por sua vez, leva em consideração apenas as 195 usinas de etanol já certificadas e os dados de entregas de biocombustíveis em 2019 divulgados pela ANP.
O NovaCana, inclusive, já projetou quantos CBios podem ser gerados em 2020, levando em conta os dados de entrega de etanol e biodiesel do ano passado e possíveis reduções no volume deste ano devido à crise na demanda gerada pelo coronavírus.
No exercício, foram considerados três cenários de produção e os resultados foram de 17,96 milhões a 20,27 milhões de créditos, superando, em todos os casos, a nova meta proposta para as distribuidoras.
Em relação à receita obtida com os créditos, conforme os cálculos apresentados agora, apenas com a geração das 195 usinas em 2019/20, o setor teria movimentado mais de R$ 481,71 milhões. Este valor considera o preço médio por CBio observado até agora, de R$ 19,26.
NovaCana DATA
Rafaella Coury – NovaCana