Usinas

Raízen Energia negocia possível compra da Biosev

Juntas, companhias representaram 15% da moagem de cana-de-açúcar da região Centro-Sul em 2019/20


Reuters - 10 set 2020 - 07:35

A Biosev afirmou nesta quinta-feira (10) que mantém negociações iniciais para a venda de suas operações para a Raízen Energia, companhia que é uma joint venture da Shell e Cosan, conforme fato relevante.

A informação foi divulgada mais cedo pela agência Bloomberg. A Raízen possui 26 usinas e a Biosev controla oito unidades. Caso a aquisição ocorra, a Raízen passaria a ter 34 usinas, englobando uma moagem equivalente a 15% da produção de cana-de-açúcar do Centro-Sul em 2019/20. A Biosev também possui um terminal no Porto de Santos.

“A Biosev confirma que tem mantido tratativas preliminares com a Raízen que poderão, eventualmente, resultar em uma combinação de seus negócios. Ainda, a Biosev confirma que iniciou discussões com certos bancos credores sobre possível readequação de parte de seu endividamento”, disse o comunicado.

Estaria em cima da mesa uma reestruturação da dívida que veria uma possível extensão dos pagamentos de R$ 7,3 bilhões de reais (US$ 1,4 bilhão) em débitos da Biosev. Em troca, a Louis Dreyfus – que controla a companhia – pagaria parte deste débito antecipadamente, disseram fontes à Bloomberg em condição de anonimato.

No entanto, a Biosev enfatizou que, até a presente data, não há qualquer acordo ou proposta vinculante acerca de potencial transação com a Raízen, nem mesmo aprovação corporativa para sua realização ou definição sobre as estruturas a serem eventualmente adotadas, tanto para eventual transação como para a readequação do endividamento da Biosev.

“Nessa linha, ressaltamos que não há qualquer garantia sobre a efetivação de qualquer transação entre Biosev e Raízen ou da readequação do endividamento da companhia junto aos bancos credores”, acrescentou.

Raízen em busca de ampliação

De acordo com uma reportagem do Valor Econômico, além da Biosev, a Raízen Energia também estaria considerando a compra de outras quatro grandes sucroenergéticas com atuação no Brasil. A notícia, antecipada pela Bloomberg, foi confirmada pela companhia.

Segundo as fontes consultadas pelo Valor, as conversas entre Raízen e Biosev já vem ocorrendo há alguns meses. Entretanto, a negociação se tornou mais factível diante dos planos da Cosan de abrir o capital da Raízen, anunciada no começo de julho.

Ainda conforme a reportagem, a informação foi bem recebida pelo mercado. Os papéis da Cosan – controladora da Raízen – na B3 fecharam em alta de 3,01%, a R$ 78,31; na bolsa de Nova York, as ações da Cosan Limited fecharam em US$ 17,54, com avanço de 5,73%. Por sua vez, os papéis da Biosev na B3 subiram 21,99% e fecharam em R$ 5,16, maior nível desde 19 de fevereiro.

Apesar disso, agentes de mercado consultados não acreditam que a aquisição trará vantagens para a Raízen nas negociações de seus produtos. O maior benefício, de acordo com eles estaria na gestão dos canaviais, com potencial redução de preços de arrendamento de terras e de matéria-prima de fornecedores.

Nayara Figueiredo
Com informações adicionais do Valor Econômico e edição novaCana.com