Dois anos após a justiça homologar seu plano de recuperação, a Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial) atingiu, no último domingo, 21, o prazo previsto em lei para o fim do processo. Esta também é a última data presente no cronograma apresentado pela administradora judicial Alvarez & Marsal em relatório de acompanhamento referente a maio deste ano.
O texto, entretanto, faz uma ressalva, afirmando que o encerramento estaria vinculado ao cumprimento de “todas as obrigações previstas no plano de recuperação judicial”.
O NovaCana entrou em contato com a Atvos questionando o andamento da recuperação, o atual momento da companhia e as perspectivas para esta safra e a próxima. A sucroenergética não disponibilizou um porta-voz para entrevista, mas enviou uma nota.
“Em regular cumprimento com o que está previsto no plano de recuperação judicial, já foi realizado o pagamento das duas primeiras parcelas dos credores quirografários não financeiros, em agosto de 2021 e 2022, além do início do pagamento dos credores financeiros e com garantia real”, detalha. A empresa também afirmou que, a partir de 21 de agosto, está “legalmente apta para requerer em juízo o fim do seu processo de recuperação judicial”.
Com isso, a companhia não confirmou – nem negou – a intenção de encerrar o processo.
Embora o plano tenha recém completado dois anos de sua homologação, o pedido de recuperação da companhia tem mais de três.
Em maio de 2019, enquanto a Atvos vivenciava dificuldades para fazer acordos com seus principais credores, começaram a aparecer rumores de que a companhia seguia para uma recuperação judicial. Naquele momento, nenhuma empresa do grupo – que se tornara ainda mais conhecido após as denúncias da operação Lava-Jato – havia requerido auxílio para lidar com as dívidas. Ainda assim, o burburinho se tornou realidade antes da virada do mês.
De lá para cá, muita coisa aconteceu. Uma das mais marcantes foi a mudança no controle da empresa. A disputa começou quando o fundo Lone Star adquiriu ações da Atvos, em maio de 2020, mas só foi oficialmente concluída em dezembro daquele ano.
Em meio ao imbróglio, o plano de recuperação da sucroenergética foi aprovado pelos credores e aceito pela justiça em agosto de 2020 – por mais que o texto não fosse totalmente do agrado da Lone Star.
Renata Bossle – NovaCana