Usinas

Odebrecht deve questionar controle da Atvos na justiça

Operação feita pelo fundo americano Lone Star teria transferido controle da sucroenergética


novaCana.com - 05 mai 2020 - 08:17

Em recuperação judicial há quase um ano, a Atvos parecia prestes a aprovar seu plano junto a credores, com assembleia agendada para a próxima sexta-feira (8). Porém, ontem (4), o fundo americano Lone Star anunciou um contrato de compra e venda de ações com o banco Natixis no valor de US$ 5 milhões. Com o acordo, o fundo se tornaria o controlador da companhia, anteriormente chamada Odebrecht Agroindustrial.

Segundo reportagem do Valor Econômico, no entanto, a compra do controle deve ser levada à justiça pela Odebrecht, por meio de uma disputa arbitral. O conglomerado teria considerado o valor do negócio “irrisório” e deve alegar descumprimento de requisitos legais.

Fontes consultadas pela reportagem informaram que as expectativas iniciais apontavam que a Atvos seria negociada por valores entre R$ 7,3 bilhões e R$ 13 bilhões. Pelo câmbio atual, o valor pago pelo Lone Star é equivalente da R$ 2,8 bilhões.

Procurado pelo Valor, o Lone Star não comentou. A Odebrecht disse que “está avaliando juridicamente a operação”.

Mudança de controle

A compra já foi apresentada à justiça pela corretora Planner, que representa o Lone Star. O texto da petição afirma que o Natixis executou a alienação fiduciária sobre as ações da Atvos e já notificou a companhia para transferir suas ações para o Lone Star.

Ainda segundo o texto da petição, apresentado pelo escritório Thomaz Bastos, Waisberg, Kurzweil Advogados, o Lone Star se compromete a realizar aportes, obter financiamento e executar outras ações necessárias para estabilizar o caixa da Atvos.

Além disso, segundo fontes ouvidas pelo Valor Econômico, o fundo trabalha nos bastidores para que o plano a ser votado na assembleia de sexta-feira seja adaptado aos impactos do coronavírus, que abalou o mercado de etanol.

Embora a mudança de controle da Atvos já esteja prevista no próprio plano de recuperação judicial da companhia, o movimento do Lone Star foi visto com cautela pelos bancos. Neste caso, de acordo com a reportagem, a preocupação é em relação à gestão dos negócios após a aprovação do plano.

Para a Odebrecht, por sua vez, a negociação impede que o grupo receba o valor de 10% sobre a futura venda do controle da Atvos. A holding tinha interesse nesse montante para o pagamento de seus próprios credores.

novaCana.com
Com informações do Valor Econômico