Na última quinta-feira, 28, a Millenium Bioenergia fez uma petição ao Juiz de Direito da 5ª Vara Cível da Comarca de Dourados (MS) solicitando um prazo adicional de 48 dias para efetuar o pagamento pela usina São Fernando. Para justificar o pedido, foram anexados o contrato de um financiamento e uma carta do AtualBank contendo o detalhamento da operação financeira.
Caso a empresa consiga a nova data, o pagamento seria realizado à vista até o dia 15 de dezembro, correspondente ao limite máximo para o banco liberar o dinheiro. A Millenium propôs ainda que a transferência da posse da usina ocorra apenas após a quitação, com o objetivo de não gerar riscos aos credores.
A princípio, em acordo firmado em agosto, a companhia havia se comprometido a fazer o pagamento até ontem, 28. Antes disso, contudo, tinham preferência a AGF Indústria Produtora de Açúcar, Etanol e Energia Elétrica e o consórcio de investidores EGS – ambos já perderam seus prazos.
Conforme o documento protocolado pela Millenium, o financiamento contratado junto ao AtualBank é de R$ 1,42 bilhão; portanto, superior ao lance dado pela companhia durante o leilão da usina, de R$ 351,65 milhões.
O objetivo é que o excedente – R$ 1,07 bilhão – seja utilizado para a reforma do parque industrial da usina e para a implantação de uma unidade de produção de etanol de milho, já prevista no planejamento estratégico apresentado na proposta inicial da companhia.
Em sua proposta inicial, a Millenium havia previsto o pagamento em até 180 dias após a assinatura do contrato, prevista para 30 de junho; assim a companhia teria até 31 de dezembro. Porém, após ter perdido o direito de compra, solicitado o embargo da decisão e realizado um novo acordo, a empresa obteve uma nova data com 60 dias a menos.
A usina São Fernando, falida desde 2017, não está em funcionamento. Após a compra, segundo projeção da Millenium, ela poderá ser reativada e gerar cerca de três mil empregos diretos e 15 mil empregos indiretos.
Também é esperado que a usina movimente uma receita de R$ 2,5 bilhões por ano. “Além da movimentação econômica gerada na região, ocasionará, ainda, substancial receita tributária ao município de Dourados, bem como ao estado de Mato Grosso do Sul e à União”, afirma o documento.
Lucas Vasconcelos – NovaCana