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Leilões da Infinity Bio-Energy: Após terras da Cridasa, Cepar está à venda por R$ 30,1 mi

Primeira etapa do leilão ocorre entre 22 e 24 de julho; caso não haja lances, a segunda praça segue até 14 de agosto

NovaCana 9 min de leitura

Falido desde 2017, o grupo Infinity Bio-Energy controlava quatro usinas: duas em Minas Gerais e duas no Espírito Santo. Após um processo de recuperação judicial que durou oito anos e mais dois anos de falência decretada, as unidades seguem com destino incerto e ainda não encontraram compradores – uma situação que se torna mais difícil à medida em que os ativos se deterioram.

Uma das usinas é a Central Energética do Vale do Paraíso (Cepar), que entra em leilão nesta segunda-feira (22). O certame segue até 24 de julho, às 14h.

O valor inicial de venda é de R$ 30,1 milhões, conforme avaliação realizada pela Datagro. Caso a unidade não seja arrematada, o leilão se estende automaticamente para a segunda praça, até as 14h do dia 14 de agosto, com desconto de 30% – com isso, o valor passa a ser R$ 21,7 milhões.

Segundo o leiloeiro Renato Schlobach Moyses, do Canal Judicial, empresa responsável pelo leilão, há a possibilidade da unidade receber descontos ainda maiores. “Se não vender, depois a gente pode fazer um segundo leilão com um valor mais reduzido”, afirma.

A Cepar está localizada em São Sebastião do Paraíso (MG), a 400 quilômetros da capital mineira. Supostamente, a unidade tem capacidade de moer 700 mil toneladas de cana-de-açúcar por safra. Entretanto, um laudo feito pela Datagro demonstra que a maior moagem registrada foi em 2009/10, com 553,72 mil toneladas.

A produção de etanol hidratado estimada é de 56 milhões de litros por temporada, com capacidade diária de 400 mil litros. A usina não produz anidro e nem açúcar. Além disso, ela operou em apenas três safras, entre 2008/09 e 2010/11 – ou seja, ela está parada há nove anos.

Assim, Moyses acredita que a expectativa de venda da Cepar não é muito alta. “Nós vamos avaliar o que o mercado fala, se aparecerem interessados, o que eles questionam, se acham caro ou barato, qual a problemática que vai surgir. A partir daí, faremos um ajuste de estratégia de venda”, explica.

O profissional acrescenta que a intenção principal é de reativar a usina. “Quem comprar vai adquirir todas as terras, com todos os itens que estão lá dentro. Reativar e tornar efetivamente viável é a ideia”, complementa.

Confira, na versão completa, a análise do estado de conservação da Cepar e mais detalhes sobre os demais ativos da Infinity Bio-Energy

Falido desde 2017, o grupo Infinity Bio-Energy controlava quatro usinas: duas em Minas Gerais e duas no Espírito Santo. Após um processo de recuperação judicial que durou oito anos e mais dois anos de falência decretada, as unidades seguem com destino incerto e ainda não encontraram compradores – uma situação que se torna mais difícil à medida em que os ativos se deterioram.

Uma das usinas é a Central Energética do Vale do Paraíso (Cepar), que entra em leilão nesta segunda-feira (22). O certame segue até 24 de julho, às 14h.

O valor inicial de venda é de R$ 30,1 milhões, conforme avaliação realizada pela Datagro. Caso a unidade não seja arrematada, o leilão se estende automaticamente para a segunda praça, até as 14h do dia 14 de agosto, com desconto de 30% – com isso, o valor passa a ser R$ 21,7 milhões.

Segundo o leiloeiro Renato Schlobach Moyses, do Canal Judicial, empresa responsável pelo leilão, há a possibilidade da unidade receber descontos ainda maiores. “Se não vender, depois a gente pode fazer um segundo leilão com um valor mais reduzido”, afirma.

A Cepar está localizada em São Sebastião do Paraíso (MG), a 400 quilômetros da capital mineira. Supostamente, a unidade tem capacidade de moer 700 mil toneladas de cana-de-açúcar por safra. Entretanto, um laudo feito pela Datagro demonstra que a maior moagem registrada foi em 2009/10, com 553,72 mil toneladas.

A produção de etanol hidratado estimada é de 56 milhões de litros por temporada, com capacidade diária de 400 mil litros. A usina não produz anidro e nem açúcar. Além disso, ela operou em apenas três safras, entre 2008/09 e 2010/11 – ou seja, ela está parada há nove anos.

Assim, Moyses acredita que a expectativa de venda da Cepar não é muito alta. “Nós vamos avaliar o que o mercado fala, se aparecerem interessados, o que eles questionam, se acham caro ou barato, qual a problemática que vai surgir. A partir daí, faremos um ajuste de estratégia de venda”, explica.

O profissional acrescenta que a intenção principal é de reativar a usina. “Quem comprar vai adquirir todas as terras, com todos os itens que estão lá dentro. Reativar e tornar efetivamente viável é a ideia”, complementa.

Usina deteriorada

O laudo redigido em novembro de 2018 pelo presidente da Datagro, Plinio Nastari, afirma que os equipamentos da Cepar parecem estar em situação mecânica “razoável”. Alguns deles, porém, foram para manutenção externa e não retornaram por falta de pagamento. Ainda assim, 90% dos equipamentos estaria na unidade até aquele momento.

O relatório também alerta para a situação da caldeira que, “aparentemente”, não foi adequadamente hibernada, o que pode colocar a capacidade operacional em risco. Além disso, para que a usina seja reativada com custos competitivos na dinâmica regional, o relatório aponta que é necessária a participação de um player local, já que os antigos canaviais foram substituídos por plantações de soja e café.

A unidade não possui áreas próprias de plantio, sendo dependente de fornecedores e arrendatários.

O documento ainda trata sobre o aspecto de abandono da unidade, que foi “tomada pelo mato tanto no entorno do terreno quanto nos equipamentos”. Além disso, há um desgaste elevado na pintura, por conta de um longo período de paralisação e da pouca manutenção nas safras em que a usina operou.

Caso haja a reativação da usina, Nastari alerta para a necessidade de revisão dos equipamentos e tubulações de caldeiras, aquecedores, cozedores e evaporadores, da realização de testes hidráulicos e de pressão, entre outros procedimentos.

“Apesar das boas condições de conservação da unidade e de um relativo baixo volume de equipamentos que foram extraviados, uma eventual reativação depende de uma conjuntura econômica e privilegiada diferente, que dificilmente vamos observar no curto prazo”, conclui o documento.

A Datagro também estima um gasto de cerca de R$ 6 milhões para que a planta fique em condição industrial operacional, além da eventual reposição dos equipamentos que tenham sido removidos.

Segundo Rodolfo Castro, sócio-diretor da Agriplanning Consultoria, o desgaste é bastante comum em usinas em recuperação judicial e falência. Ele complemente que, com base em conversas tidas com produtores da região, existe a vontade de retomar a produção.

“Vários produtores pararam de plantar, pois tiveram indústrias de cana que faliram. A nossa sensação é que eles querem voltar, mas dependem de um comprador mais forte, que consiga garantir mais estabilidade”, explica Castro.

Outros leilões

Além da Cepar, também foram postos em leilão lotes pertencentes à Cridasa, usina do grupo Infinity Bio-Energy localizada em Pedro Canário (ES). Eles estavam disponíveis para receber lances de 25 a 27 de junho em primeira praça e, sem interrupção, até 17 de julho em segunda praça. Entretanto, nenhum lote foi vendido.

Segundo Moyses, no dia 15 de junho, ele recebeu a informação que, entre os 12 lotes, oito tiveram a venda suspensa. “Como tem gente plantando cana lá, eles entraram com um recurso e suspenderam [o leilão]”, explica.

Segundo edital lançado em 23 de maio, todos os lotes foram avaliados em R$ 23,25 milhões. Em segunda praça, eles ficariam disponíveis por 70% deste valor.

Bio-Energy: ativos em mau estado

A Infinity Bio-Energy entrou em recuperação judicial em 2009 e teve falência decretada em julho de 2017. Em julho do ano passado, um grupo de três empresas – Datagro Financial, Agriplanning Consultoria e S4A Avaliações Patrimoniais – realizou uma visita aos ativos da massa falida da Infinity Bio-Energy.

Além da Cepar, em São Sebastião do Paraíso (MG), e a Cridasa, em Pedro Canário (ES), foram visitadas a Alcana, em Nanuque (MG), e a Disa, em Conceição da Barra (ES), além de imóveis rurais urbanos, localizados no norte capixaba e no sul baiano.

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O que foi constatado pelas equipes foi um alto grau de deterioração das unidades, dada a gradativa parada até a suspensão de suas manutenções industriais. A unidade Cridasa teve todos os equipamentos removidos, restando apenas as obras civis; já a unidade Dasa teve os equipamentos extraviados.

Apenas as unidades Cepar, já em leilão, e Alcana mantiveram algum estado de preservação, mesmo com peças e equipamentos faltando. Conforme documento de novembro de 2018, somando as duas usinas o valor de avaliação foi de R$ 94,6 milhões. Já os equipamentos, edificações e benfeitorias da usina e imóveis (terrenos) foram avaliados em R$ 31,91 milhões. As terras e os veículos valem R$ 18,80 milhões.

Com base nisso, a equipe que verificou os ativos recomendou a comercialização dos ativos da Alcana e da Cepar como empreendimentos industriais, e os equipamentos segmentados da Disa.

Além disso, ambas as usinas não dispõem de terras próprias e os contratos de arrendamento e parcerias foram desfeitos. Portanto, a análise alerta que o novo dono teria dificuldade em encontrar fornecedores, bem como áreas disponíveis para plantio a curto e médio prazos.

Na mesma publicação, também foi feito um confronto entre os laudos de 2015 e o mais recente; o resultado foi a diferença entre o valor dos ativos em R$ 407,31 milhões. Isso aconteceu porque o laudo anterior considerava, entre outros pontos, as unidades ativas, um valor maior atribuído ao hectare da cana e um menor grau de deterioração das usinas.

“Não consideramos, contudo, a diferença significativa. A redução deveu-se principalmente a uma generalizada crise no setor sucroalcooleiro na região e na situação econômica do país, que depreciou os preços dos ativos”, expressa a análise.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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