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Leilão da Usina Guaxuma entra em nova rodada; desconto agora é de 55%

Unidade do grupo João Lyra foi avaliada em R$ 819,1 milhões, mas poderá ser adquirida a partir de R$ 368,6 milhões


novaCana.com - 21 mar 2019 - 08:07 - Última atualização em: 21 mar 2019 - 11:09

Esta semana começou mais um capítulo do leilão da Usina Guaxuma, localizada em Coruripe (AL). Pertencente à massa falida da Laginha Agroindustral, de João Lyra, a unidade poderá receber lances a partir de R$ 368,6 milhões – um desconto de 55% sobre o valor de avaliação.

A princípio, a unidade entraria em leilão em 20 de fevereiro por R$ 819,1 milhões. No entanto, a justiça aceitou um pedido de suspensão feito pelo próprio João Lyra, que disse haver interesse no arrendamento da Guaxuma por parte da Usina Coruripe Açúcar e Álcool, Usina Caeté e Cooperativa de Colonização Agropecuária e Industrial Pindorama Ltda.

O leilão, entretanto, foi retomado em 12 de março, com lances a partir de R$ 401,3 milhões. Como nenhum interessado apresentou proposta até a última segunda-feira (18), uma nova rodada foi iniciada. O novo prazo é até 30 de março.

Segundo informações disponibilizadas no site Canal Judicial, os ativos incluem a planta industrial, com capacidade para moer até 1,8 milhão de toneladas de cana por safra, e 65 fazendas, que somam 17,1 mil hectares. Os imóveis foram avaliados em R$ 667,2 milhões e a usina, em R$ 151,9 milhões.

Idas e vindas

O histórico de tentativas de venda da Usina Guaxuma é longo. A falência do grupo foi decretada em 2012 após descumprimentos do plano de recuperação judicial apresentado em 2009. Dois anos depois, a falência ainda era questionada judicialmente, mas já se cogitava um leilão das unidades para quitar as dívidas do empresário.

Em 2015, entretanto, uma decisão judicial suspendeu a venda e começou a ser considerada a possibilidade de arrendamento da Usina Guaxuma. Ainda assim, em maio de 2016, foram iniciadas negociações com a CPM Brazil Comércio, Importação e Exportação de Commodities, que apresentou uma proposta de compra da unidade por R$ 850 milhões. Pouco tempo depois, o Grupo João Lyra chegou a anunciar um acordo de arrendamento com a GranBio, que não se concretizou.

Ao mesmo tempo, outras disputas aconteciam. A própria falência do grupo seguia sendo questionada na justiça e discordâncias aconteciam dentro da família de João Lyra, inclusive com a solicitação de adiamento da análise de propostas de venda por parte dos filhos do empresário.

Em 2017, entretanto, a massa falida recebeu um novo administrador judicial, as unidades mineiras do grupo foram leiloadas e a possibilidade de arrendamento da Usina Guaxuma voltou a ser considerada.

Inclusive, no primeiro semestre do ano passado, a justiça chegou a autorizar o arrendamento da unidade, porém a Guaxuma entrou em leilão alguns meses depois. Em meados de outubro, a primeira rodada do leilão foi concluída sem lances. No final do mês, a segunda rodada também terminou sem sucesso.

Renata Bossle – novaCana.com