Usinas

Com leilão suspenso, juiz autoriza usina São Fernando a vender canavial

Massa falida foi autorizada a vender áreas com aproximadamente 120 mil toneladas de matéria-prima


Dourados News (MS) - 28 jul 2021 - 08:51 - Última atualização em: 28 jul 2021 - 16:27

O juiz César de Souza Lima autorizou a administradora judicial da usina São Fernando a vender o canavial enquanto o leilão da massa falida segue suspenso por determinação do desembargador Paulo Alberto de Oliveira, relator da 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS).

Em despacho proferido na semana passada, o titular da 5ª Vara Cível de Dourados acatou pleito da empresa Vinícius Coutinho Consultoria e Perícia, que requereu autorização para venda o mais rápido possível, a fim de evitar novos e maiores prejuízos à massa falida que administra por designação do Judiciário.

“Conquanto não se possa afirmar, por ora, que a tentativa de alienação sucumbiu, o fato é que se estendeu por mais tempo que deveria e, agora, a Administradora Judicial tem de tomar medidas para a preservação do ativo que está sob sua responsabilidade”, pontuou na petição.

A administradora judicial havia decidido hibernar a indústria por considerar inviáveis as opções de dar prosseguimento às atividades “tendo em vista a insuficiência de cana-de-açúcar, disponível no mercado” ou encerrá-las porque “traria inúmeros prejuízos aos credores e à região”.

“Em razão da hibernação, a massa falida não irá moer o seu canavial próprio, de aproximadamente 120 mil toneladas de cana-de-açúcar, de modo que a alternativa mais viável economicamente seria a venda do canavial a um interessado”, argumentou, acrescentando que existem propostas para aquisição do produto.

Além de assinalar que o canavial “já se encontra na época de colheita, inclusive com áreas ‘bisadas’ (não foram colhidas no ano passado para possibilitar a partida da usina neste ano)”, a administradora judicial mencionou as adversidades climáticas que podem trazer ainda mais problemas.

“O tempo está demasiadamente seco, o que favorece a possibilidade de queimadas”, citou, mencionando ainda as geadas do final de junho para reforçar “que os estragos obrigam a colheita dentro do prazo máximo de 60 dias, sob pena de apodrecimento e perecimento do produto”.

Também foi justificado que existem várias áreas cujo prazo contratual expira no final de 2021, de forma que o adiantamento das devoluções possibilitará economizar parcelas de parceria, bem como a série de despesas que a massa falida tem com mão de obra para prevenção e combate de incêndio.

André Bento