Diretor sucroenergético detalha previsões de produção da usina Jacarezinho e projetos da empresa
Tendo concluído em outubro de 2020 a instalação de uma caldeira para cogeração de energia, o grupo Maringá comercializa eletricidade pela primeira vez no ciclo 2021/22, por meio da empresa Maringá Energia. Os negócios sucroenergéticos do grupo – que também atua no ramo da siderurgia – envolvem a usina Jacarezinho e a Canavieira Jacarezinho.
O diretor sucroenergético da Maringá, Condurme Aizzo, em entrevista exclusiva ao NovaCana, garante que a energia elétrica “é a bola da vez”, especialmente pela questão do déficit hídrico pelo qual o país está passando. O fato abre mais espaço para a produção vinda de outras fontes, como a biomassa, a fim de compensar a queda de geração das hidrelétricas.
“O grupo entrou na energia na hora certa. Nós devemos produzir, ainda neste ano, algo próximo de 60 mil megawatt-hora de energia. Para 2022, este valor deve dobrar e chegar a 120 MWh ao ano”, promete Aizzo. Quanto à venda, ele detalha que os preços têm sido, em média, de R$ 270/MWh, mas projeta valores entre R$ 300 e R$ 330/MWh para o próximo ano. “É uma área em que pretendemos investir até mais, ampliar essa exportação de energia”, relata.
Além da receita extra, a cogeração dá “um destino mais nobre” para o bagaço. Aizzo conta que a Jacarezinho se tornou mais eficiente em relação ao consumo de vapor, fazendo com que haja sobra do subproduto. “Nos últimos anos, estávamos tendo dificuldade para vender bagaço. Então, agora destinamos ele para energia elétrica e ainda tem espaço para mais”, complementa.
De acordo com a divulgação dos resultados financeiros da empresa, o investimento demandou um empréstimo de R$ 40 milhões via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com a linha Financiamento a Empreendimentos (Finem) e com o programa Fundo Clima. O total injetado no projeto foi de R$ 70 milhões.
Confira, na versão restrita para assinantes, as expectativas de produção da usina Jacarezinho e a visão sobre o clima, assim como outros investimentos e projetos do grupo.
Tendo concluído em outubro de 2020 a instalação de uma caldeira para cogeração de energia, o grupo Maringá comercializa eletricidade pela primeira vez no ciclo 2021/22, por meio da empresa Maringá Energia. Os negócios sucroenergéticos do grupo – que também atua no ramo da siderurgia – envolvem a usina Jacarezinho e a Canavieira Jacarezinho.
O diretor sucroenergético da Maringá, Condurme Aizzo, em entrevista exclusiva ao NovaCana, garante que a energia elétrica “é a bola da vez”, especialmente pela questão do déficit hídrico pelo qual o país está passando. O fato abre mais espaço para a produção vinda de outras fontes, como a biomassa, a fim de compensar a queda de geração das hidrelétricas.
“O grupo entrou na energia na hora certa. Nós devemos produzir, ainda neste ano, algo próximo de 60 mil megawatt-hora de energia. Para 2022, este valor deve dobrar e chegar a 120 MWh ao ano”, promete Aizzo. Quanto à venda, ele detalha que os preços têm sido, em média, de R$ 270/MWh, mas projeta valores entre R$ 300 e R$ 330/MWh para o próximo ano. “É uma área em que pretendemos investir até mais, ampliar essa exportação de energia”, relata.
Além da receita extra, a cogeração dá “um destino mais nobre” para o bagaço. Aizzo conta que a Jacarezinho se tornou mais eficiente em relação ao consumo de vapor, fazendo com que haja sobra do subproduto. “Nos últimos anos, estávamos tendo dificuldade para vender bagaço. Então, agora destinamos ele para energia elétrica e ainda tem espaço para mais”, complementa.
De acordo com a divulgação dos resultados financeiros da empresa, o investimento demandou um empréstimo de R$ 40 milhões via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com a linha Financiamento a Empreendimentos (Finem) e com o programa Fundo Clima. O total injetado no projeto foi de R$ 70 milhões.
Produção e preços
O grupo Maringá tem uma usina localizada em Jacarezinho (PR) com capacidade de moagem de 2,6 milhões de toneladas de cana e possibilidade de produção de até 230 mil toneladas de açúcar por safra. Além disso, a empresa tem autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para fabricar diariamente até 500 mil litros de anidro e 800 mil de hidratado.
Este ano, a empresa espera ter um mix mais açucareiro, com 54% da matéria-prima sendo destinada à commodity e os outros 46% para o etanol. Em relação ao biocombustível, a Jacarezinho deve fabricar 60 milhões de litros de anidro e 33 milhões de hidratado.
Além disso, a expectativa é produzir 175 mil toneladas de açúcar, sendo que 37,5% deste montante será do tipo branco e o restante de produto bruto (62,5%). Aizzo detalha que 60% do açúcar feito nesta temporada já está com preços fixados, assim como 30% do volume a ser fabricado no próximo ciclo.
Os preços da commodity têm sido favoráveis, de acordo com o diretor: “Enxergamos que, para este ano e os próximos dois, teremos um preço considerável para o açúcar na faixa dos 16 ou 17 centavos de dólar por libra-peso, até picos de 18 centavos”.
A companhia também afirma que o etanol tem tido bons preços. O diretor pontua que a recuperação do produto já ocorreu frente ao esmaecimento da demanda ocorrido em 2020. “Os preços do etanol estão praticamente superando o do açúcar, vis-à-vis a mudança de política do etanol na Índia; eles estão querendo migrar os motores para modelos flex. Então, achamos que o preço do etanol deve se manter e terminar o ano até superior ao preço do açúcar”, prevê Aizzo.
Para se adaptar às mutações constantes de mercado, a Jacarezinho adotou a política de se tornar bastante flexível em relação ao mix, considerando tanto uma virada para o açúcar quanto para o etanol. “Se nós quisermos fazer 60% de etanol e 40% de açúcar, temos essas condições e vice-versa. Então, aproveitamos para surfar naquilo que está remunerando melhor”, relata o diretor.
Crescimento nas cifras e investimentos
Em 2020, o grupo Maringá reportou um lucro líquido de R$ 86,52 milhões em seus negócios sucroenergéticos, aumento anual de 85,5%. A expectativa, de acordo com Aizzo, é crescer ainda mais no próximo ciclo: por conta da boa remuneração do açúcar e do etanol, o resultado líquido deve atingir R$ 128 milhões. “São expectativas muito boas. Vamos ter três anos tranquilos para o setor sucroenergético”, expressa.
Quanto ao endividamento, ainda que os débitos brutos tenham crescido, a dívida líquida seguiu o movimento oposto segundo Aizzo. “Devido aos bons resultados e às captações que fizemos a longo prazo, a relação entre a dívida líquida e o Ebitda em 2020 fechou em 1,4 vez e as perspectivas até o final do ano, para a safra 2021/22, é que a gente feche próximo de 1 vez”, enxerga.
Além disso, a empresa tem a intenção de fazer um investimento considerado “modesto” em cogeração para quase dobrar a exportação de energia para 32 MW.
Outro aporte deve ocorrer na verticalização do canavial, com o objetivo de elevar a produtividade. Em 2020/21, a unidade teve rendimento agrícola de 83,1 toneladas de cana por hectare, representando uma perda anual de 0,1%.
“Hoje, a usina tem que ter cana, pois o mercado começa a oscilar e as pessoas começam a sentir falta do produto. Este ano, pelo visto, já vamos virar com um estoque mais baixo na produção de açúcar”, complementa.
Além disso, a usina Jacarezinho está fazendo a emissão de um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) junto ao banco BTG Pactual, no valor de R$ 80 milhões, o que deve sair em breve. Segundo Aizzo, a empresa sempre busca pela captação de recurso a longo prazo: “Buscamos bancos que acabam sendo nossos parceiros, pois temos um bom relacionamento; quem vê o grupo Maringá, vê que está em ascensão”, garante.
Ainda que o biogás esteja no radar da usina Jacarezinho, não há planos concretos para o início efetivo de um projeto. “Nós já visitamos várias plantas de biogás, inclusive a Coopcana, que foi a primeira. Tenho visto a evolução, mas nós ainda não tínhamos a cogeração da biomassa”, coloca. Com isso, Aizzo detalha que o grupo preferiu priorizar a cogeração de energia, que demandou um investimento considerável, e espera amadurecer mais a questão do biogás.
“Sempre dizemos que o grupo Maringá não pode errar, tem que acertar sempre. Todos os projetos que fizemos até hoje foram de sucesso e nós queremos esperar um pouco mais”, afirma o diretor. A empresa também tem estudado investir em levedura ou alternativas que tragam retornos rápidos: “São projetos que ainda vão entrar no papel, mas o que temos em mente para o próximo ano é ampliar a cogeração”.
O diretor complementa que o grupo vem reportando resultados positivos, crescendo em moagem e diversificando produtos. “Até pouco tempo atrás, produzíamos só hidratado e açúcar bruto. Hoje, fazemos açúcar branco, etanóis anidro e hidratado e energia. Com tudo isso, ainda estamos vendendo bagaço”, relata. A companhia também se preocupa com os aspectos ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) como um elemento estratégico.
“Nós do setor não podemos achar que estamos ‘chegando no fundo do poço’, mas que um ano vai ser melhor que o outro. Eu estou no setor há muitos anos, já passei por várias crises e acho que a crise mais longa já passou; voltou a época do sucroenergético deslanchar e está na hora do setor ajudar o país com energia elétrica e combustível sustentável”, declara Aizzo.
Redução menor do que o esperado
Uma das principais preocupações que as usinas estão tendo é justamente quanto à seca, que vem afetando os canaviais do Centro-Sul brasileiro. Conforme Aizzo, o tema é diário nas reuniões da Jacarezinho.
“Por incrível que pareça, o cenário hoje é de que estamos ganhando 2,5% na estimativa de produção. As canas que moemos, seja a cana planta ou a cana soca, têm dado bons números de produtividade”, detalha o diretor.
Aizzo presume que as plantas que sofrerão mais por conta das condições climáticas são, possivelmente, as que serão colhidas no final de safra. “Como a cana tem um ciclo longo, acreditamos que a nossa perda deve ser bem baixa, não devendo ultrapassar os 3% ou 4%”, completa.
Já para 2022, a variação dependerá das chuvas da primavera e do verão, ocorridas entre o final do ano e março. “Acreditamos que teremos uma boa safra também no ano que vem”, considera Aizzo. O diretor destaca que, apesar do ano estar sendo seco em geral, a região da usina Jacarezinho viu chuvas mais intensas nos meses de junho e julho.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana
